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Associação Mães da Fronteira solicita apoio do Governo do Estado

União

11 OUT 2013
Marithê Lopes
15h00min
Foto: Divulgação

Depois de perderem os filhos em um crime que abalou Campo Grande em agosto do ano passado, Lilian Silvestrini e Ângela Fernandes transformaram a dor da perda dos filhos em luta pela segurança efetiva nas fronteiras do Estado, Bolívia e Paraguai, criando a Associação Mães da Fronteira. O projeto solicita mudanças nas relações com os países circunvizinhos e a criação de ações ostensivas com o objetivo de impedir a saída de veículos roubados do país.

“O nome Mães da Fronteira foi escolhido, pois mãe é o símbolo do amor, do cuidado. As mães da fronteira somos todos nós, pais, mães e amigos. Queremos nos colocar a disposição da população para buscarmos solução para esse problema”, explica Ângela, mãe de Leonardo.

Apoio Governo do Estado
"Vamos pedir ao Governador André Puccinelli que seja implantado em Mato Grosso do Sul o projeto Brasil Mais Seguro, programa que integra o Plano Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, já implantados no Nordeste. Aqui no Estado, o foco do programa seria o reforço da segurança nas fronteiras com a Bolívia e o Paraguai. A Associação Mães da Fronteira está empenhada numa autêntica cruzada nacional para sensibilizar o Governo Federal, o Congresso Nacional e as autoridades estaduais sobre a necessidade de coibir o tráfico de drogas e a violência que esta atividade acaba desencadeando", explica Lilian.


Crime
Os jovens eram amigos de infância, Leonardo cursava Direito na Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e Breno cursava Engenharia Civil na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Por conta da greve das universidades federais, Leonardo voltou para Campo Grande para ficar com a família. Os jovens desapareceram depois que saíram de um bar em Campo Grande. Os corpos foram encontrados no dia seguinte no macro anel rodoviário, no bairro Indubrasil. Eles sofreram violência e foram mortos com tiros na cabeça.

A Polícia Rodoviária Federal alertou que trabalha com poucas equipes, para o juiz federal Odilon de Oliveira, a modernização do tráfico internacional de drogas exige mais rapidez de resposta do governo, com atuação intensa do Exército na fiscalização diária e novos sistemas de monitoramento. “Eu apoio o movimento desde o início, pois vi que é um projeto que nasceu do sofrimento mais profundo e porque pode dar frutos para a sociedade. A maior parte da violência que temos no Estado é relacionada aos crimes na fronteira e um exemplo muito claro está no assassinato desses meninos e eu como juiz eu farei tudo o que esse movimento necessitar para alcançar o objetivo para que não tenham novas mães que sofram pela mesma dor”, comenta Odilon que ainda acrescenta dizendo que pretende ajudar as Mães da Fronteira a elaborar um estatuto, registrá-lo e criar essa entidade oficialmente e a partir disso partir para a conscientização nacional, pois a sociedade precisa formar uma corrente bem intencionada e exigir paz.


As dirigentes da entidade participaram de uma audiência pública na Câmara Federal, proposta pelo deputado Fábio Trad e no final de setembro, foram recebidas em audiências pelos presidentes do Senado, Renan Calheiros, da Câmara, Henrique Alves, vice-presidente da República, Michel Temer e ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Lilian Silvestrini disse que a pretensão do movimento é convocar à sociedade para participar de ações contra a impunidade. “Queremos convocar à sociedade a participar de ações contra a violência. Não podemos continuar acomodados sem fazer nada, a morte deles não foi em vão. Não é por que é meu filho que foi assassinado, mas por que todos nós podemos nos tornar vítimas dessa violência”, desabafou.

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