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Com 225 mil curtidas, página de humor faz rir, mas coleciona polêmicas a cada postagem no Facebook

Bairros com altos índices de violência, como o Aero Rancho, são alvos constantes de piadas

14 JAN 2018
Thiago de Souza
13h30min
Ao reclamar de piada, vereador foi alvo de outras três Foto: Wesley Ortiz

Usando de um humor extremamente ácido e corajoso, a página de humor 'Passeando em Campo Grande' conta com a audiência de pelos menos 225 mil seguidores no Facebook. As postagens da dupla de administradores, Júnior e Vinte, causam muita polêmica e envolvem piadas com bairros, cidades e claro: as 'fanfarronices' da classe política do Estado.   

Conforme Júnior, o criador da página, tudo começou quando ele passou a comentar o que via nas eleições municipais da Capital em 2012.

''Eu achava muita coisa bizarra dos candidatos. A primeira intenção foi humorizar a política'', revelou.  Sem as eleições, ele passou a comentar as 'características ' dos moradores e dos bairros da Capital.

(Página faz piadas com bairros e moradores da Capital - Foto: Reprodução)

A primeira grande polêmica da página envolveu o condomínio Village Parati. Em um dos posts, ele escreveu que quem estivesse se sentindo feio, 'era só ir lá que iria passar'.  Em seguida, ele garante que uma responsável pelo condomínio os intimidou. Questionado se ele retirou o post, ele respondeu:

''Não. Printamos a ameaça e postamos kkkk''. Tem também os bairros Nova Lima, Los Angeles e Jardim Carioca, que são alvos de piadas constantes, já que possuem altos índices de criminalidade.  

Tempos depois veio mais uma 'treta maligna', desta vez com a seguinte crítica aos profissionais de enfermagem:  ''Coloca no Facebook 'enfermagem por amor', mas quando chegamos no UPA está lá com cara de C*’ [sic].

O vereador Enfermeiro Fritz (PSD), que preside um dos sindicatos da categoria, fomentou a polêmica, gravou vídeo de repúdio e registrou boletim de ocorrência prometendo ação judicial. No entanto, dois dias depois, ele desistiu de repercutir o caso.

A linha que a dupla segue é: quanto mais reclama, mais bate. Júnior rejeita o estigma de que o campo-grandense é arredio e diz que o povo daqui é bem humorado sim. Embora muito criticado pelas postagens, o administrador acha que os leitores entendem o propósito do site.

''Os seguidores já estão ligados. Hoje eles sabem que tudo é a piada que vale. A gente procura zoar ao máximo. Antes a gente perdia curtida, agora o povo compra nossa ideia'', celebrou.

O debate entre os leitores sobre o que a página sugere é a melhor parte do negócio para Júnior. Ele diz que a troca de ideias é qualificada e que os leitores discutem temas importantes como a qualidade [ou não] do asfalto, segurança e saúde.

(Políticos são alvo de críticas e piadas do Passeando em Campo Grande - Foto: Divulgação)

Mas nem tudo são flores para o Passeando em Campo Grande. Júnior revela que publicações envolvendo políticos costumam gerar ameaças.

''Sempre. O que mais fazem é ameaçar", observa.

Apesar da forte repercussão do que publica, Júnior não vê o site como fenômeno e diz que não há uma fórmula para agradar o público. Tudo é imprevisível.

''Às vezes, passamos três horas produzindo um meme, editando as fotos e achando que vai bombar, mas o post acaba tendo poucas curtidas. Em outros casos, um post sem qualquer intenção acaba bombando'', explicou.

(Piada com prostíbulo em Coxim irritou alguns moradores - Foto: Reprodução)

A zoeira do Passeando em Campo Grande chegou ao interior. Claro, com muito bafafá. Uma postagem dizia que Coxim só tem prostíbulo. Horas depois, sites de notícias da cidade, além da prefeitura, começaram a reclamar. A partir dai Júnior publicou uma ‘avalanche’ de piadas sobre o assunto. 

''Vocês ficaram ‘putinhos’ com a gente?'', publicou o site.

Repercussão

Uma das publicações que mais repercutiu na página, diz Júnior, foi o vídeo de uma criança pendurada na janela de um apartamento no Guará (DF). As imagens tiveram maior alcance depois passar pelo Passeando em Campo Grande e bombaram em ‘rede nacional’.  

A mãe da criança foi muito criticada por internautas por deixar a menina se expor a tanto risco, e chegou a entrar em contato com a página em Campo Grande para que eles explicassem que a menina estava protegida por uma tela transparente, e que ela não era irresponsável como pareceu.   

''Até um site de notícias da Polônia entrou em contato com a gente pedindo autorização para reproduzir o vídeo’’, relembra o administrador.  

Junior não sabe aonde a página pode chegar e diz que tudo depende dos leitores.

"Vamos continuar interagindo com o povo. Depende muito da aceitação da galera. O que eles curtirem, a gente 'tá' junto’’, finalizou.

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