vanessa
IPVA jan 2018
(67) 99826-0686

Após anos de luta, diretor de projeto comemora melhorias na acessibilidade na Capital

Cerca de 1,8 mil pessoas já foram atendidas pelo projeto, que atende quem perdeu a perna, realiza a reforma de cadeiras de rodas, entre outros serviços

14 JAN 2018
Diana Christie
11h30min
Foto: Deivid Correia/Arquivo

Mais de três anos depois de relatar ao TopMídiaNews as dificuldades para chegar ao shopping Campo Grande, Joel Lídio Faustino comemora as melhorias na acessibilidade em prédios públicos e estabelecimentos comerciais de grande porte na Capital. Portador de necessidades especiais, usando uma prótese na perna, ele relata as conquistas à frente do projeto ‘amigos do Joel’, criado para auxiliar pessoas portadoras de deficiência.

“Graças a Deus essa história teve um final feliz, o shopping concluiu o elevador e a Assembleia Legislativa já tem. Falta a Câmara Municipal, que está em reforma e deve adequar o acesso. Mas do shopping foi muito importante porque, à época da matéria, um amigo nosso foi ao local depois de fazer hemodiálise para relatar as dificuldades e morreu antes de ver o quanto melhorou”, conta Joel.

O projeto ‘Amigos do Joel’ começou de forma voluntário no bairro Moreninhas, mas hoje já conta com sede própria no Coophasul. De acordo com o idealizador, cerca de 1,8 mil pessoas já foram atendidas pelo projeto, que atende quem perdeu a perna, realiza a reforma de cadeiras de rodas, entre outros serviços.

Cadeirantes enfrentavam dificuldades para ir ao shopping - Foto: Deivid Correia/Arquivo

Novos desafios

Os problemas, no entanto, continuam. De acordo com a diretora presidente da SPA (Sociedade Estadual em prol da Acessibilidade, Mobilidade Urbana e Qualidade de vida), Rosana Puga de Moreaes Martinez, o estatuto da pessoas com deficiência pode ser listado como uma das conquistas das pessoas que precisam de auxílio, mas a legislação não é aplicada e falta acesso à informação.

“Por exemplo, em Campo Grande nós não temos nenhum serviço de táxi adaptado, apesar de estar na lei que 10% da frota têm de atender o deficiente, assim como as empresas locadoras de veículos. Para ter um veículo desses particular, é caro, então sobram os ônibus, que sabemos bem a dificuldade que é”, relatou em entrevista anterior.

A falta de pavimentação em grande parte das ruas, também é um problema grave. “A prefeitura até tem um núcleo de acessibilidade, mas pense, não dá conta de aplicar em todas as escolas e prédios públicos. A mobilidade urbana, a acessibilidade, não é pontual e começa a partir de quando você sai da porta da sua casa, e é isso que falta na mentalidade do campo-grandense”, destaca Rosana.

Calçadas ainda são um desafio para cadeirantes - Foto: Deivid Correia/Arquivo

As calçadas são outro obstáculo. Falta padronização e ninguém quer gastar dinheiro para reformar e colocar lá o piso tátil. “Mas é claro que há toda ordem de obstáculo, por falta de empenho e fiscalização mesmo, um coloca culpa no outro. As pessoas ainda se arriscam demais nas vias, até nas ruas mais movimentadas, de maior circulação”, aponta a diretora da SPA.

Veja também