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Campo Grande Bem Melhor IV

Após anos de luta, diretor de projeto comemora melhorias na acessibilidade na Capital

Cerca de 1,8 mil pessoas já foram atendidas pelo projeto, que atende quem perdeu a perna, realiza a reforma de cadeiras de rodas, entre outros serviços

14 JAN 2018
Diana Christie
11h30min
Foto: Deivid Correia/Arquivo

Mais de três anos depois de relatar ao TopMídiaNews as dificuldades para chegar ao shopping Campo Grande, Joel Lídio Faustino comemora as melhorias na acessibilidade em prédios públicos e estabelecimentos comerciais de grande porte na Capital. Portador de necessidades especiais, usando uma prótese na perna, ele relata as conquistas à frente do projeto ‘amigos do Joel’, criado para auxiliar pessoas portadoras de deficiência.

“Graças a Deus essa história teve um final feliz, o shopping concluiu o elevador e a Assembleia Legislativa já tem. Falta a Câmara Municipal, que está em reforma e deve adequar o acesso. Mas do shopping foi muito importante porque, à época da matéria, um amigo nosso foi ao local depois de fazer hemodiálise para relatar as dificuldades e morreu antes de ver o quanto melhorou”, conta Joel.

O projeto ‘Amigos do Joel’ começou de forma voluntário no bairro Moreninhas, mas hoje já conta com sede própria no Coophasul. De acordo com o idealizador, cerca de 1,8 mil pessoas já foram atendidas pelo projeto, que atende quem perdeu a perna, realiza a reforma de cadeiras de rodas, entre outros serviços.

Cadeirantes enfrentavam dificuldades para ir ao shopping - Foto: Deivid Correia/Arquivo

Novos desafios

Os problemas, no entanto, continuam. De acordo com a diretora presidente da SPA (Sociedade Estadual em prol da Acessibilidade, Mobilidade Urbana e Qualidade de vida), Rosana Puga de Moreaes Martinez, o estatuto da pessoas com deficiência pode ser listado como uma das conquistas das pessoas que precisam de auxílio, mas a legislação não é aplicada e falta acesso à informação.

“Por exemplo, em Campo Grande nós não temos nenhum serviço de táxi adaptado, apesar de estar na lei que 10% da frota têm de atender o deficiente, assim como as empresas locadoras de veículos. Para ter um veículo desses particular, é caro, então sobram os ônibus, que sabemos bem a dificuldade que é”, relatou em entrevista anterior.

A falta de pavimentação em grande parte das ruas, também é um problema grave. “A prefeitura até tem um núcleo de acessibilidade, mas pense, não dá conta de aplicar em todas as escolas e prédios públicos. A mobilidade urbana, a acessibilidade, não é pontual e começa a partir de quando você sai da porta da sua casa, e é isso que falta na mentalidade do campo-grandense”, destaca Rosana.

Calçadas ainda são um desafio para cadeirantes - Foto: Deivid Correia/Arquivo

As calçadas são outro obstáculo. Falta padronização e ninguém quer gastar dinheiro para reformar e colocar lá o piso tátil. “Mas é claro que há toda ordem de obstáculo, por falta de empenho e fiscalização mesmo, um coloca culpa no outro. As pessoas ainda se arriscam demais nas vias, até nas ruas mais movimentadas, de maior circulação”, aponta a diretora da SPA.

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