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Câmara - Novembro

Dar ou não esmolas? Campanha contra dinheiro na rua começa a funcionar na Capital

A maioria dos entrevistados diz que não colabora com moradores de rua

10 NOV 2018
Dany Nascimento
08h03min
Foto: André de Abreu

A campanha contra esmolas, "Onde a esmola acaba, o Direito começa" lançada pela prefeitura de Campo Grande em abril deste ano diverge a opinião da população, já que algumas pessoas acreditam que é melhor ajudar moradores de rua. Porém, a maioria já concorda que o melhor é não dar dinheiro.

O soldador Vraisson dos Santos Souza, 25 anos, se posiciona contra a campanha e afirma que prefere colaborar com uma moeda, do que ver andarilhos roubando pessoas pelas ruas. “É melhor pedir do que roubar, ás vezes a pessoa tem uma moeda que acaba nem usando, não custa ajudar quem mora na rua. Eu colaboro sim, dou moedas quando tenho porque não custa nada”.

Questionado sobre a atitude colaborar para que o morador continue na rua, Vraisson não acredita que isso deixa o andarilho acomodado. “Eu não acho que ele fica acomodado, acho que realmente está na rua por falta de oportunidade, tem um motivo para estar ali”.

Já o aposentado Pedro Moraes, afirma que concorda com a campanha e não colabora com moradores de rua. “Se quer dinheiro, tem que trabalhar, não ficar pedindo na rua, a vida não é fácil. Eu sempre trabalhei desde pequeno, nunca precisei de nada de ninguém e acho que todo mundo deve correr atrás para ter as coisas e não ficar só pedindo”.

Pedro afirma que ganhou uma inchada do pai e começou a ganhar dinheiro carpindo lotes. “Meu pai me ensinou a ser trabalhador, me deu a ferramenta que eu precisava e eu nunca mais parei”.

Francisco Rodrigues, 75 anos, acredita que quando ganham alimentos, os moradores acabam descartando. “Eles querem dinheiro para se drogar, se você dá uma marmita, eles jogam fora. Infelizmente essa é a realidade das nossas ruas, não concordo com esmolas, acho que as pessoas não podem colaborar para que eles busquem mudar de vida”.

O fotógrafo Luiz Antônio Francisco, afirma que mesmo tendo moeda na carteira, não colabora com esmolas. “Eu não ajudo, eu uso a moeda comigo mesmo, não ajudo de forma nenhuma. Eles pedem dinheiro para usar drogas, eu sou a favor da campanha, se todo mundo aderir à campanha, acaba essa grande aglomeração de moradores de rua porque eles vão buscar uma saída”.

A prefeitura disponibiliza um número para quem quiser fazer denúncia de pessoas que vivem nas ruas da Capital. O número pode ser feito pelo Disque 100, ou pelos telefones celulares (67) 98405-9528 ou (67) 999290-8174.    

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