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Censura de exposição em MS é absurda, retrógada e ignorante, diz diretora do Marco

Parlamentares querem censurar exposição por suposto incentivo à pedofilia

14 SET 2017
Airton Raes
13h30min

A diretora do Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul (MARCO/MS), Lúcia Monte Serrat, classificou como um absurdo a tentativa de censura dos deputados estaduais contra a exposição "Cadafalso", em exibição desde julho no museu. “É um absurdo. Censuram sem ter ido lá para ver o trabalho. Não conhecem. E sem chamar o Marco para dar explicações. Lamento a ignorância das pessoas. Estou à disposição dos deputados”, afirmou Lúcia.

Lúcia explicou que a Exposição “Cadafalso” fica de portas fechadas a pedido da própria artista e possui um aviso na porta explicando que o conteúdo é impróprio para menos de doze anos. “Nossas atendentes ficam recebendo os visitantes. Avisam que não pode entrar crianças. Nós orientamos. Fazemos a discussão. O objetivo do trabalho é fazer uma discussão sobre o assunto com pertinência. A gente não está para agredir ninguém. É um trabalho artístico muito bonito”, disse.

A diretora ressaltou que a exposição foi escolhida por um grupo de curadores e é formada por quatro exposições. “Nosso trabalho é feito com muita seriedade. O trabalho foi feito por um grupo. Existe uma curadoria. Lamento pessoas tão ignorantes. Elas não têm o que fazer”, disse. Além de “Cadafalso”, por Alessandra Cunha (Uberlândia- MG), a temporada é composta pelas mostras “Primitivos”, uma coletiva de Agnes Rodrigues, Ana Luiza Martins, Anelise Godoy, Antônio Lima, Cecílio Vera, Lúcio Larangeira e Patrícia Helney (Campo Grande), “A Voz do Silêncio”, com esculturas de Aldo Torres (Campo Grande) e “Do lado de cá, do lado de lá”, com pinturas executadas por Eugênia França (Contagem-MG) .

Sobre a intenção dos deputados de incluírem a artista Alessandra Cunha no Cadastro Estadual de Pedófilos devido a um dos quadros expostas, Monte Serrat classificou como “triste” a atitude dos parlamentares. “Não tem nada haver com pedófilos. Essas pessoas nunca se olharam no espelho. Acho muito triste. São imaturas e retrógadas”, disse.  

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