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Uso de presos em reformas de escolas resulta em economia de R$ 3 milhões para MS

Com dinheiro economizado, governo poderia construir nova escola de tempo integral

6 AGO 2017
Thiago de Souza
11h00min
Detentos do semiaberto reformam escola estadual Foto: Agepen

A reforma de escolas estaduais em Campo Grande usando mão de obra presidiária gerou economia de R$ 3 milhões ao governo, em três anos de parceria. Com esse valor, seria  possível construir uma nova unidade educacional, inclusive de tempo integral.

Até agora, foram oito escolas reformadas em Campo Grande. O projeto, Pintando e Revitalizando a Educação com Liberdade, foi idealizado pelo juiz de direito Albino Coimbra Neto, em 2014. Até agora, cerca de 5 mil alunos já foram beneficiados com a medida.

O programa é uma parceria entre a Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública), a ONG Cccg (Conselho da Comunidade de Campo Grande) e a Agepen (Agência de Administração Penitenciária de Mato Grosso do Sul).

De acordo com Sejusp, o benefício vai além da reforma completa das dependências da escola. ''Há também os ganhos com a remição de pena para os detentos participantes e a ressocialização deles, o que contribui para um menor índice de reincidência e consequentemente uma sociedade mais segura'', afirmou Aud de Oliveira Chaves, diretor-presidente da Agepen.    

(Escola Emydio Vidal após ser reformada por presos em Campo Grande - Foto: Divulgação)

O dinheiro para a reforma vem do desconto de 10% no salário pago a detentos que trabalham em Campo Grande e é usado para a compra dos materiais de construção. Segundo a Sejusp, a economia do governo de R$ 3 milhões com as reformas começou em 2014, quando iniciou o projeto.

A mais recente escola reformada no âmbito do programa foi a Maria Alice Zampiere, na Vila Almeida. A reinauguração da unidade deve ocorrer em 15 de agosto e contou com o trabalho de 25 presos do regime semiaberto da Gameleira. Foram 2.383 m² de área reformados, ao custo de R$ 360 mil, entre material e mão de obra.

Cada reforma de escola custa, em média, R$ 350 mil. Conforme os dados, o dinheiro economizado em mais três anos de programa seria capaz de bancar a construção até de escolas de tempo integral, orçadas em média, em R$ 3,4 milhões. Foi este o valor aplicado pelo governo na Escola Estadual de Tempo Integral Rita Angelina Barbosa Silveira, inaugurada em abril deste ano, em Dourados.   

Neste ano, o Conselho da Comunidade de Campo Grande, que faz o elo entre presos e empresas ou órgãos públicos para empregar mão de obra presidiária, completou 18 anos de atuação na cidade.

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