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Cheio de esperança, moçambicano Luís se orgulha de trajetória e agradece oportunidade de estudar

Jovem deixou de trabalhar na roça e, com a ajuda de fraternidade, estudou e entrou na faculdade; agora, Luís é espelho para os irmãos

11 JAN 2019
Nathalia Pelzl
19h00min
Foto: Wesley Ortiz

Riso fácil e uma simplicidade sem limite, assim é o moçambicano Luís Amorse, de 19 anos, um dos primeiros africanos acolhidos pela Fraternidade sem Fronteiras. Logo que chego, questiono como está sendo essa vida de ‘popstar’, -antes da nossa equipe ele estava concedendo entrevista para outro veículo local - e ele lança um sorriso largo e diz “estou gostando de ser estrela”.

Ele é órfão de pai e foi acolhido pela Fraternidade em 2010, junto com a mãe e os seis irmãos, atualmente cursa administração graças ao apoio que recebeu da Organização.

“O trabalho da organização é um movimento humanitário e que nasce no coração de cada um, ultrapassa qualquer fronteira, pois eu nunca sonhei na minha vida em prestar o ensino médio, fazer uma faculdade. Eu me senti muito renovado quando fui acolhido por essa corrente de amor, pois em Moçambique, sem os pais, muitas vezes acabam indo para o caminho errado. Eu não tinha perspectivas nenhuma do que era a vida, mas eu recebi uma educação e tive a oportunidade, e agora já estou no 2° ano da faculdade graças a Fraternidade”, conta.

No olhar, esperança e gratidão, principalmente a Deus pelas oportunidades. “Eu sou agradecido a Deus e ao universo por ter eles na minha vida”, reforça o jovem que antes trabalhava na roça par ajudar no sustento da família.

Questionado sobre a adaptação ao Brasil, ele diz que foi tranquila, apesar das diferenças culturais. Sobre o local que deseja morar, ele não tem dúvidas e diz logo: 'aqui'. Eu questiono, mas 'aqui no Brasil ou em Campo Grande?', e ele simplesmente diz: “aqui em Campo Grande, estou apaixonado pela cidade”.

O acadêmico de administração fala sobre a rotina. E1e se divide entre os estudos e as visitas aos irmãos no centro de acolhimento. E não é só aqui que o jovem faz sucesso, entre os irmãos ele é referência, e fala da responsabilidade de ser o espelho dos mais novos. 

“Eu os incentivo a agarrar essa oportunidade, que a gente só pode agradecer imensamente, e um dia a gente pensa em retribuir e ajudar outros irmãos. Eu sendo espelho, eu não posso escorregar, eu tenho que dar exemplo, incentivar eles para que continuem. Nem sempre eu faço o certo, mas eu digo a eles que caso eu erre, eles tem que me corrigir porque sou humano. Eu sinto muito orgulho de ser o espelho para os meus irmãos, creio que eles possam ser espelho para outros irmãos”, conta.

Nas férias do ano passado, Luís realizou um trabalho voluntário de alfabetização para um grupo de pessoas durante um mês e garante que foi produtivo. Ao final, muitos já sabiam escrever o nome e o abecedário.

Quando chegou ao Brasil, tinha três vontades, coisas que muitas vezes fazem parte da nossa rotina, mas que para ele era algo distante.

“Eu queria nadar em uma piscina, ir ao cinema, e comer muita pizza. Queria morar em um avião também, pois estava muito chique lá dentro, mas a aeromoça não deixou”, conta entre risos. Fala que ainda segue comendo muita pizza e um dos sabores que mais o agradou é o de calabresa com bacon.

Tivemos um contato breve, no entanto, pude perceber características peculiares, que acredito fazer parte desse povo que pouco tem, quando se trata de algo material, mas que ensina como ser grato independente das adversidades do destino. Ao jovem que queria apenas comer pizza, desejamos todo sucesso e que todos os sonhos e projetos se tornem realidade. 

A organização

Fraternidade sem Fronteiras é uma organização não governamental, fundada em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, em 2009, atualmente desenvolve projetos humanitários no Brasil e na África Subssaariana, considerada a região mais pobre do mundo.

Ao todo, a organização atende 529 jovens na escola, 350 trabalhadores diretos, 162 idosos amparados, 35 casas construídas, 10 poços artesianos, 1 padaria implantada,  240 caravaneiros sem fronteiras, 36 centros de acolhimento, mais de 15 mil crianças órfãs e vulneráveis  acolhidas, 18 mil pessoas atendidas, 18 Projetos, 6 países e 586 mil refeições por mês.

Projetos em Campo Grande 

Em Campo Grande, são dois projetos. “Fraternidade na Rua” juntamente com  à Clínica da Alma MS que busca vencer um dos maiores desafios sociais: a dependência química. O objetivo é acolher, tratar e reintegrar à sociedade pessoas que sofrem com o vício das drogas.

E o “Orquestra Filarmônica Jovem Emmanuel”, oportunidade do estudo da música, como incentivo à autoestima e disciplina onde os alunos recebem a instrução, e o contato com os instrumentos inspirando novos sonhos e escolhas de vida.  

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