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Governo substitui professores de informática por técnicos e 200 são demitidos

'Técnico de nível médio não ganha como uma pessoa formada, eu tenho todos os cursos da área', lamenta ex-servidora

14 JAN 2019
Nathalia Pelzl e Diana Christie
17h00min
Foto: SED

Uma decisão do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, junto com a Secretária de Estado de Educação, gerou revolta entre servidores nesta segunda-feira (14). 

Isso devido ao decreto que extingue a função dos profissionais do projeto Progetec (Professor Gerenciador de Tecnologias Educacionais e Recursos Midiáticos), que desempenhavam atividades de gerenciamento das salas de tecnologia em todo o Estado, e substitui por profissionais técnicos de nível médio para atuarem nesta função que era exclusiva de professores.

Indignada, uma das servidoras demitidas desabafou com a nossa equipe.

“Nós já fomos demitidos, agora eles vão contratar técnico, ou seja, pessoa que não é formada, que é apenas técnico, que não tem que fazer pedagógico. Agora estou chocada, eu mesma já tinha dez anos de Progetec. A gente ficou 'a Deus dará' porque eles vão contratar técnico, porque técnico de nível médio não ganha como uma pessoa formada", diz.

"Eu tenho todos os cursos da área, tenho pós-graduação em mídias, e já ia começar um mestrado na PUC-Rio. Infelizmente tudo que a gente se preparou não valeu de nada. Quer dizer, não se sabe o que esse Governo está realmente fazendo, tudo que ele prometeu durante a campanha não aconteceu, pelo contrário”, reforça ainda em choque pela notícia da demissão de cerca de 200 profissionais.

No decreto enviado pela Superintendência de Políticas Educacionais, é reforçado que a mudança se deve ao avanço da tecnologia e que “para desempenhar o papel de facilitador, quanto ao uso das diversas tecnologias, será estabelecida a função de Técnico em Tecnologias da Informação e da Comunicação - TTIC, profissional esse, de nível médio, contratado via processo seletivo simplificado”.

Cita também que o profissional será responsável apenas pelo gerenciamento das tecnologias, e que não irão interferir na questão pedagógica desses recursos, sendo que a função ainda será do professor responsável pela ministração da aula.

Outro lado

A reportagem procurou a Secretaria de Estado de Educação, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. Informalmente, servidores disseram que a justificativa é o corte de gastos para adequação da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Os gestores prometem não desamparar as escolas, enviando profissionais que passarão por formação para atender diário online, planejamento online, MIRA Educação e todos os sistemas e programas da SED. A Coordenadoria que irá conduzir todo esse processo será a COTED (Coordenadoria de Tecnologia Educacional). 

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