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No Jardim Panorama, moradores convivem com areeiro e escuridão

A população evita sair de casa durante a noite por não enxergar 'um palmo à frente do nariz'

9 JUL 2017
Dany Nascimento
18h10min
Foto: Dany Nascimento

Caminhar pelo bairro Jardim Panorama é o maior desafio dos moradores e também daqueles que tentam visitar parentes que residem no local, pois além de encarar o ‘areeiro nas ruas’, os moradores tentam evitar ao máximo sair de casa no período da noite, levando em consideração que poucos postes possuem lâmpada com iluminação no local.

A região possui diversos terrenos baldios, cobertos por matagal, que servem de esconderijo para que assaltantes surpreendam populares. A moradora Silvia Ilário Gomes, 50 anos, que reside no local há sete anos, afirma que mora próximo da casa da filha, mas evita fazer visitas durante a noite.

“Minha filha mora perto da minha casa, na rua debaixo, mas eu tenho medo de sair de casa à noite porque aqui é muito escuro. Não dá para ver nada à noite, se surgir emergência, você tem que deixar o medo de lado e sair. Aqui tem muitos terrenos abandonados, com plaquinhas de vende-se no meio do matagal, mas cuidar, limpar e preservar o local, as pessoas não cuidam. Quem mora aqui que fica correndo perigo, porque o mato é alto e assaltantes podem se esconder facilmente nesses terrenos para praticar crime”, diz a moradora.

Foto: Dany Nascimento

Silvia afirma ainda que a filha mora sozinha com a neta em uma casa e passa noites de ‘terror’, já que a criança chora para brincar na frente da residência, mas não pode sair para fora de casa. “Aqui não tem como, não dá para enxergar um palmo durante a noite. Minha neta fica com minha filha sozinha, eu tenho medo, mas não tenho o que fazer. Ela, às vezes, quer sair de dentro de casa, mas não pode, tem que ficar trancada porque não tem como ver se tem alguém na rua”.

Mabel Cáceres, 19 anos, destaca que mora na região do Jardim Panorama há nove anos e afirma que as ruas são iluminadas pelos próprios moradores, que colocam lâmpadas na frente das casas. “Aqui se tiver alguma iluminação a noite, foi colocada pelos moradores mesmo, porque as lâmpadas dos postes estão todas queimadas e não são trocadas há muitos anos”.

Já Maria Aparecida da Silva, 64 anos, destaca que cansou de esperar uma atitude do Poder Executivo para trocar as lâmpadas e ao encontrar uma equipe da prefeitura trabalhando próximo do bairro, cobrou duramente os profissionais, que teriam atendido o pedido de Maria e instalado uma lâmpada na rua dela.

“Eu vi a equipe trabalhando e falei que na frente da minha casa tem um poste que está sem luz há quatro meses. Eu dei o endereço e eles trocaram, mas a minha rua tem, agora dos outros vizinhos continua igual, com escuridão total”, afirma a idosa. 

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