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Moradores se dizem enganados e prometem resistir em ocupação no Centro-Oeste

Cerca de 200 pessoas vivem no local e, desesperadas, pedem que prefeitura regularize moradias

19 MAI 2018
Amanda Amaral e Thiago de Souza
13h30min
Moradores se revoltam com notificação de despejo Foto: Wesley Ortiz

Notificados para desocuparem área do Residencial Varandas do Campo, na Rua Araraquara, bairro Centro-Oeste, em Campo Grande, cerca de 200 moradores se dizem enganados pela prefeitura. Em uma mistura de desespero e revolta, afirmam resistir e permanecer no local, onde vivem há um ano e meio.

Eles reconhecem a ilegalidade da ocupação de aproximadamente 5 hectares, mas questionam a falta de diálogo com a administração municipal. Isso porque as famílias não foram contempladas pelo direito à moradia popular pela Emha (Agência Municipal de Habitação de Campo Grande), e a área em questão não teria ‘utilidade’.

O local fica a cerca de 800 metros atrás dos condomínios da construtora Homex. No campo vazio, foram construídos casas de alvenaria e outros barracos.

‘Benfeitorias ilusórias’

No dia 10 de maio, segundo moradores, cinco funcionários da Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano) chegaram na região e fizeram os moradores assinarem termo para que a área recebesse supostos benefícios.

Na realidade, se tratava uma notificação de irregularidade, perceberam depois os moradores. Ou seja, cada um que recebeu papel para ‘admitir’ que estava invadindo, e tinha cinco dias úteis para desocupar a área.

Na tarde de segunda-feira (14), um grupo fez reunião para discutir que atitude seria tomada perante a questão. O líder da comunidade não estava, mas ficou decidido entre os presentes que haverá resistência, ainda que haja força policial.

Revolta

Estavam todos nervosos, principalmente um idoso, que questionava se não havia direitos humanos para pessoas que estão vulneráveis, já que no local vivem crianças e mulheres. “Aqui tem trabalhador!”, dizia, aos gritos. 

Ocupante, Gilvan afirma não sair do local. (Foto: Wesley Ortiz)

Outro morador, Antonio Jesus Santos, desempregado, confirmou a história. “Isso trouxe muita preocupação para os moradores. É muita incerteza. Não vamos sair, mas construir. Não deu tempo disso, porque o dinheiro é pouco, então as construções são aos poucos”, afirmou.

O pintor Gilvan Silva de Almeida, 32 anos, disse que vão lutar até o fim. “Não vamos tirar o pé daqui, ninguém quer nada de graça”.

Resposta 

A Prefeitura de Campo Grande informou, por meio da assessoria, que quando constatada a invasão, a Semadur toma providências cabíveis e neste caso foi a notificação ao invasor e prazo para a saída da área.

A prefeitura destacou ainda que a invasão de área pública é crime, conforme o Código de Polícia Administrativa – Lei n. 2909 e que verificada a invasão, a  prefeitura promoverá as medidas Judiciais cabíveis.

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