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Perseguida, igreja apresenta trabalhos sociais e quer desvincular seu nome de ex-prefeito preso

Assembleia de Deus no Brasil luta para não perder terreno por conta de briga política

9 JAN 2017
Thiago de Souza
18h58min
Pastor mostra trabalhos sociais para não perder terreno na Capital Foto: Thiago de Souza

A imagem do ex-prefeito, Gilmar Olarte (PROS), investigado na Operação Coofee Break do Ministério Público Estadual, e preso por duas vezes ainda causa transtorno à Assembleia de Deus no Brasil, afirmam dirigentes. O motivo é que a denominação corre o risco de perder a área onde fica seu templo, no bairro Coophamat, em Campo Grande, por conta da rixa política entre Olarte e Alcides Bernal (PP). 

''Ele não pertence mais a nossa igreja''. É de maneira enfática que diversos membros da Assembleia de Deus no Brasil tentam mostrar que Gilmar Olarte faz parte de um passado que precisa ser esquecido da igreja, hoje, presidida pelo pastor Jânio Faustino. O líder da ADBR em Campo Grande relata que Olarte foi deposto da igreja em agosto de 2015, ''com a assinatura de mais de 99% dos membros''

''Ele e outros pastores fundaram a igreja em 2009, mas foi deposto por não se enquadrar no estatuto da igreja, contou Ismael Faustino, também membro da Assembleia de Deus no Brasil. Ele se refere às investigações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), que mostraram que Olarte chefiava um esquema de agiotagem junto a membros da igreja na época, chamada de Assembleia de Deus Nova Aliança, além cometer os crimes de corrupção passiva, estelionato e lavagem de capitais. O montante total arrecadado na empreitada criminosa chegou a R$ 900 mil, conseguidos, segundo o MPE, sob a promessa de que quem pagou conseguiria um cargo na administração dele. Meses depois, o Ministério Público deflagrou nova operação, dessa vez chamada Coffee Break, que apurou um complô entre o empresário João Amorim, vereadores da Capital, para cassar o mandato de Alcides Bernal. Olarte foi denunciado à Justiça por associação criminosa e corrupção ativa, já que atuou diretamente para que o prefeito eleito fosse deposto. 

Terreno 

Janio explica que  a denominação sofre as consequências da briga política entre Olarte e Bernal, e que a prefeitura da Capital, na gestão do pepista, entrou com um pedido para que a igreja deixasse a área, que fica na Rua do Sul, no Bairro Coophamat.  O terreno foi cedido à igreja ainda em 2009, por influência de Gilmar Olarte, que era vereador. Segundo Faustino, assim que  o então vice-prefeito da Capital assumiu o poder após a saída de Alcides Bernal,  em março de 2014, a perseguição contra a Assembleia de Deus começou. ''Quando Bernal retornou à prefeitura, em agosto de 2015, a Procuradoria-Geral do Município 'acelerou' o processo para que a Assembleia de Deus perdesse a área. 

A condição para que o terreno fosse cedido à igreja, segundo o pastor presidente Janio Faustino, é de ''interagir com a sociedade por meio de projetos sociais''. Segundo ele, apresentar os trabalhos que desenvolve é uma forma de impedir que a área seja perdida. ''Já houve um mandado de reintegração de posse em 2016, mas ele foi suspenso depois, conta a advogada da igreja, Djanira Correa Barbosa Soares. Ela vai assumir o caso nessa terça-feira da mão do colega Jail Azambuja e por isso não tem detalhes maiores sobre a questão. 

A liderança da Assembleia de Deus no Brasil ainda reclama que toda vez que a denominação é citada na imprensa, é sempre retratada como a ''igreja de Gilmar Olarte'' ou a ''igreja investigada na Operação Adna'', e  que isso precisa mudar. 

Trabalhos sociais

A ADBR apresentou os trabalhos sociais que desenvolve junto a sociedade. Entre eles estão o Mãos Ungidas, que oferece aulas de Libras (Língua Brasileira de Sinais), e que hoje tem um grupo entre 70 e 100 pessoas. Esse trabalho, segundo a igreja, já formou profissionais que atuam no mercado de trabalho e ainda serve para evangelizar as pessoas com deficiência auditiva. 

(Aulas gratuitas de música são um dos projetos sociais da ADBR na Capital - Foto: Carlos Saito)

A igreja também oferece aulas de música, aberta a membros e à comunidade. Segundo o maestro Oseas, a música promove transformações que vão desde o comportamento no ambiente familiar, social e até financeiro,  já que o aluno pode seguir carreira profissional. 

Membros da ADBR também prestam auxílio hospitalar e presidiário. ''Na máxima [presídio de segurança]  estou há 18 anos, contou o pastor Celso Balbuena. Ele destaca que muitos encarcerados saíram da prisão e abandonaram a vida criminosa.

O projeto 'Amigos do Joel' é desenvolvido em cinco cidades e faz ações sociais junto a portadores de deficiência física e até seus familiares. O grupo luta pelos direitos e elevação da autoestima das pessoas com deficiência, e entre as várias atividades está a doação de cadeira de rodas. 

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