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Problemas com imóveis impedem entidades filantrópicas de atenderem 5,6 mil pessoas na Capital

Ainda não há previsão para a retomada dos atendimentos a comunidade

17 MAR 2018
Thiago de Souza
18h10min
Quadra de entidade ficou em ruínas e está interditada Foto: André de Abreu

Duas entidades filantrópicas de Campo Grande tiveram seus atendimentos à comunidade prejudicados por conta de problemas com imóveis. A ADV (Associação Dignidade e Vida) teve de devolver sua sede à prefeitura. Já o Instituto Social Pioneiro teve o prédio interditado após um raio atingir sua estrutura. As duas atendiam cerca de 6.500 pessoas.

A ADV, presidida hoje pela Irmã Fátima, começou em 1995, fundada pelo atual tesoureiro Ricardo Tibana. A entidade conseguia alimentos na central de abastecimento, a Ceasa. Depois distribuía as verduras ou as vendia por preços menores, principalmente folhas para a comunidade.

Havia também parceria com o Ministério Público para distribuir brinquedos e oferecimento de cursos, como o de manejo de alimentos. Este último em parceria com a Fetagri (Federação dos Trabalhadores em Agricultura de Mato Grosso do Sul).  

Local de cursos à população foi devolvido à prefeitura. (Foto: Divulgação)

Fátima diz que o atendimento à população carente chegava a vários pontos da cidade, como a Vila Nasser,  Jardim Noroeste, Tarsila do Amaral, Dom Antônio Barbosa, Centenário e Jardim Columbia.

''Construímos um barracão que custou R$ 70 mil para atividades de ginásticas com idosos, palestras sobre violência contra a mulher'', relata Fátima.

Doação de hortaliças era carro-chefe do trabalho da ADV. (Foto: Divulgação)

Problemas

A área que a ADV ocupava, na rua Globo de Ouro, no Aero Rancho, estava cedida em comodato pela prefeitura até 2020, diz a presidente. No entanto, o poder público pediu o terreno de volta com urgência, para iniciar construção de casas populares. Conforme Fátima, a saída do local é até justa, mas pegou a direção da entidade de surpresa.

Agora, uma nova área foi prometida pela prefeitura na mesma rua da sede. Esta, diz Fátima, é a condição maior para retomar os trabalhos.

À espera de um milagre

Localizado na rua Barão de Campinas, no Universitário, o Instituto Social Pioneiro chegou a atender 600 crianças, sendo 200 de manhã e 400 à tarde.

A área era do Governo do Estado, mas estava abandonada e servia como abrigo para usuários de drogas. A doação do terreno foi conseguida pela ex-presidente e fundadora da entidade, Irmã Fátima. No entanto, em 2017, um raio atingiu a estrutura do local, que ficou comprometida.  

O atual presidente do ISP, Waldemir Gonsales da Silva, o 'Boli', tentou prosseguir com o atendimento, mas foi denunciado e o prédio interditado pelo Corpo de Bombeiros. Conforme o dirigente, no ISP chegaram a ser oferecidos cerca de 20 cursos, entre informática, aulas de futebol, artes marciais e costura industrial.

Agora, com a maior parte da estrutura lacrada, o local só comporta trabalho com serigrafia. Nos demais espaços como cozinha, refeitório e banheiros resta muita sujeira e entulho, realidade bem diferente de quando se jogava futebol ali.

Conceição relembra época em que crianças eram atendidas. (Foto: André de Abreu)

Emocionada, Conceição Angélica da Silva, 71 anos, uma das colaboradoras da entidade relembra que servia as refeições para as crianças. Destacou uma ocasião que convênios com o poder público e outras entidades foram interrompidos e passou a faltar comida para as crianças atendidas.

''Aquilo me cortou o coração, cheguei a chorar. Abria a geladeira e só tinha ovo para dar a elas’’, relembra.

Ainda segundo a direção, não se sabe o quanto a reforma deve custar, mas Boli tem a esperança de retomar os trabalhos em breve.

''Vamos trazer de volta, em nome de Jesus', diz o presidente.

Quadra não pode ser usada desde que raio atingiu o local. (Foto: André de Abreu)

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