Nilson Pugatti
SElviria Dezembro
(67) 99826-0686
PMCG IPTU 2019

Macas ficam retidas em hospitais mais de 100 vezes ao mês e atrapalham resgates na Capital

Macas são usadas como leitos hospitalares enquanto postos de saúde e hospitais aguardam liberação de vagas para atender os pacientes

8 DEZ 2018
Thiago de Souza
13h30min
Retenção de macas prejudica resgate de bombeiros Foto: Wesley Ortiz

Em menos de um mês houve 102 casos de retenções de macas do Corpo de Bombeiros em upas e centros regionais de saúde de Campo Grande. Essa problemática faz com que as equipes de resgate fiquem inoperantes em períodos que variam de 20 minutos até 12 horas. No Samu o problema não é diferente.

As informações foram repassadas por militares durante audiência pública na Assembleia Legislativa nesta semana. Segundo os participantes, a retenção de macas do Corpo de Bombeiros e Samu em upas e hospitais de Campo Grande é causada, principalmente, pela falta de atenção na saúde básica da população, o que ocasiona super lotação nas unidades.

O problema veio à tona na última semana, onde os militares denunciaram novamente a impossibilidade de atender novas ocorrências já que as macas das unidades de resgate ficam retidas nos postos de saúde. Os equipamentos acabam servindo como camas para os pacientes enquanto eles aguardam liberação de vagas nessas unidades.

De quem é a culpa?

Na audiência, realizada no ''Plenarinho'' da Assembleia e conduzida pelo deputado estadual Paulo Siufi (MDB), estiveram presentes representantes dos bombeiros, Samu, Sesau, dos hospitais que fazem atendimentos de urgência e emergência na cidade e dos ministérios públicos estadual e federal.

O médico Antônio Lastória apontou que o Conselho Regional de Medicina deveria fiscalizar se a atenção à saúde básica, principalmente nas cidades do interior, funciona. A falha de acompanhamento nesse setor, diz o profissional, leva pacientes que não precisam às unidades de pronto-atendimento na Capital ou fazem com que pequenos problemas de saúde evoluam para níveis críticos e necessitem das internações rápidas.

Outro problema apontado pelo médico é o grande número de pacientes vítimas de acidentes de trânsito.

''Não se vê uma viatura de polícia nos altos da Afonso Pena. Alí é cheio de bares, todo mundo bebendo e dirigindo. E onde amanhece esse povo? É nas emergências dos hospitais'', desabafou o profissional.  

Paulo Siufi destacou que é preciso criar estruturas de saúde nas cidades do interior. Ele chama os envios de pacientes dessas cidades para a Capital de ''empurroterapia''.

''Não adianta ficar destinando emendas parlamentares para compra de ambulâncias para os gestores do interior. Cada ambulância que se dá para uma cidade é mais gente que vem para Campo Grande'', refletiu o parlamentar.

A presidente do Conselho Municipal de Saúde, Maria Auxiliadora Vilalba Fortunado, concordou que há problemas na saúde básica e disse que é preciso que cada órgão assuma suas responsabilidades.

''O governo do Estado não cuida dos pacientes dele no interior e manda para a Capital. Cadê o estado que não repassa verbas como deveria passar? A saúde não está regionalizada?'', questionou a conselheira.

Hospitais confirmam problema

Representante do Hospital Regional em Campo Grande, o médico pediatra Enir Virgílio reconheceu que possui macas nos corredores do hospital, já que a unidade recebe pacientes de todos os cantos do estado, em sua maioria na área de ortopedia.

''Pacientes que batem à porta 24 horas por dia, de domingo a domingo'', apontou o médico. A situação de lotação nos hospitais é considerada por ele como uma ''epidemia de urgência e emergência''.

Samu fica com macas retidas e tem serviço prejudicado. (Foto: Geovanni Gomes)

Já o representante da Santa Casa, Fabiano Cançado, disse que o hospital doou dez macas para o poder público. Ele negou que tenha macas no corredor e os que estão nesse setor ficam para receber atendimento primário e depois são transferidos para o setor especializado.

Soluções

Como solução para evitar a retenção de macas nos hospitais, o deputado  Paulo Siufi disse que na audiência ficou acordado que ele acionará o Ministério Público Estadual contra o Governo do Estado, em relação às viaturas do Corpo de Bombeiros que estão defasadas.

Outra medida fruto da reunião é cobrar das autoridades responsáveis a proibição da venda de bebida alcoólicas em conveniências à beira de vias públicas. Além disso, ficou acertado que o Samu deve receber mais quatro viaturas, que já foram adquiridas, mas não entregues.

Veja também