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Após diretor esfaqueado, Governo estuda programa para evitar 'matança' em escolas

Nos últimos dois anos, duas adolescentes morreram esfaqueadas em conflitos surgidos no ambiente escolar

15 JUN 2017
Thiago de Souza
07h00min
Luana Gregório (caída) morreu esfaqueada em 2013 Foto: Repórter Top

Após dezenas de casos de violência envolvendo estudantes em escolas estaduais, o governo do Estado elabora o programa 'Escola Segura, Família Forte', para prevenir ocorrências policiais desse tipo. No mais recente caso, um aluno esfaqueou o diretor de uma escola em Naviraí, após ser repreendido por fumar maconha na instituição.

Segundo a assessoria da Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública), o programa quer aprimorar a questão relacionada à segurança nas escolas e o 'Escola Segura, Família Forte, tem o objetivo de ''promover o fortalecimento dos vínculos entre a segurança pública, a escola e a família na prevenção de situações conflituosas no ambiente escolar e no entorno, contribuindo para o processo de otimização do ensino-aprendizagem''.  

O programa será implantado primeiramente na Capital, e logo depois será estendido para o interior do Estado, com apoio das prefeituras municipais. O programa deve ser lançado ainda em junho.

Casos graves

Em setembro de 2013, uma aluna de 16 anos, da Escola Estadual José Ferreira Barbosa, na Vila Bordon, em Campo Grande, matou Luana Vieira Gregório, de apenas 15, com um golpe de faca no abdôme. O motivo do crime seria o fato da vítima ter borrifado um perfume dentro da sala de aula, mas irritou a suspeita, porque a mesma tinha alergia.

Em março de 2015, a estudante Luana Braga Vilella, de 16 anos, morreu ao ser esfaqueada por uma aluna rival, enquanto subia em um ônibus no Terminal Nova Bahia em Campo Grande. Na ocasião ela foi defender a amiga de agressões da outra estudante e acabou morta.

Conforme a Deaij (Delegacia de Atendimento à Infância e à Juventude) o número de ocorrências de briga nas escolas é maior entre as meninas, geralmente por conta de namorado. Segundo a autoridade, a cada oito casos que chegam à delegacia, oito são de agressões entre meninas.  

Naviraí

Um adolescente de 16 anos, da Escola Antônio Fernandes, em Naviraí, esfaqueou o diretor da instituição, Marlon Morch, na noite da última terça-feira (6). Ele e a vítima, que também é professor de educação física, discutiram e segundos depois o adolescente atingiu o diretor pelas costas e em seguida fugiu.

O suspeito teria tido uma discussão com o diretor ainda na segunda-feira e no dia seguinte foi flagrado fumando maconha junto com outros estudantes na quadra da escola. Câmeras de segurança flagraram o crime e o adolescente foi ouvido pela polícia e liberado.

O caso do adolescente em Naviraí chocou a cidade do sul do estado e também toda a comunidade escolar, que atualmente discute a implementação, ou não, do projeto de lei, conhecido como 'Lei Harfouche', que prevê punição a alunos indisciplinados com atividades de limpeza na própria escola.

O procurador de Justiça, Sérgio Harfouche é o idealizador do 'proCeVE' (Programa para Prevenção da Violência e Evasão Escolar), que busca, junto com o aval dos pais, a conciliação de conflitos escolares por meio de aplicação de punições a adolescentes indisciplinados dentro do próprio ambiente escolar. O programa, que segundo ele completa 20 anos no estado com resultados positivos, inspirou o projeto de Lei Harfouche, que atualmente tramita na Assembleia Legislativa.

A proposta de lei, que já é vigente em Campo Grande, quer avançar para o âmbito estadual, mas deve mudar de nome. A votação não tem data marcada e a última discussão na Casa de Leis teve tumulto e bate boca entre parlamentares.

O representante do Ministério Público diz que o projeto que leva seu nome é aprovado pela maioria dos pais e responsáveis, mas é criticado por alguns políticos de esquerda, que entendem que o 'castigo' não resolve casos de violência na escola.

(Adolescente pouco antes de esfaquear diretor em Naviraí - Foto: TaNaMidiaNavirai)

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