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CPI do Táxi: família acusada de 'monopólio' nega ilegalidades e acusa vereadores de 'interesse'

Elton Matos questionou fato de parlamentares terem 'lutado' pela chegada da Uber na Capital

10 JUL 2017
Rodson Willyams
12h10min
Foto: André de Abreu

Elton Pereira de Matos, filho de um dos maiores permissionários de alvarás de táxi de Campo Grande, prestou esclarecimentos aos vereadores durante oitiva da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Táxi, instaurada pela Câmara Municipal para investigar possível ‘monopólio’ de alvarás por famílias da Capital. Elton negou comercialização de autorizações e levantou suspeita sobre vereadores que ‘lutaram’ pela chegada da Uber no município.

Convidado pela CPI, que tem como presidente o vereador Vinícius Siqueira, do DEM, Elton Matos, filho de Moacir Matos, já falecido, negou a existência de comercialização de alvarás no setor. “Não existe compra de alvarás. Existe um comércio de bens de patrimônio, que vai desde a compra do veículo a benfeitorias realizadas no ponto”.

No entanto, contou que o seu pai, Moacir Joaquim de Matos, falecido no ano passado aos 60 anos, conseguiu suas primeiras autorizações em 1975. E desde então, veio acumulando ‘permissões’ por meio de indicações de sindicato, obedecendo uma lista de antiguidade. “Que até hoje é feita assim. Meu pai nunca recebeu um alvará do poder público”, disse.

‘Doações’

Matos afirmou que por seu pai ter trabalhado 49 anos no ramo e escolhido a atividade como profissão foram fatores preponderantes para que a família fosse procurada por terceiros para obter novas ‘cedências’ ou doações de quem possuía autorização, mas não queria trabalhar mais no setor.

Essa cedências eram adquiridas em forma de ‘pacote’, explica Elton. A pessoa vendia o ponto e o carro – no caso o táxi. No entanto, em relação ao ponto, as benfeitorias eram levadas em consideração. A partir daí, um valor era agregado ao negócio, uma vez, que as autorizações não podem ser comercializada até hoje. Elton ainda disse que haveria uma espécie de ‘fundo de comércio’ para o negócio.

Siqueira disse que recebeu a informação de que um alvará no Aeroporto poderia custar até 700 mil. Elton disse que nunca foi ofertado à família um ponto no local. “Não tenho ponto no Aeroporto e nunca nos foi oferecido. Quem fazia as tratativas era o meu pai. Eles [terceiros] que nos vinham procurar”, disse.

Negócio de família

Elton ainda disse que atualmente o espólio do pai possui 27 alvarás, a esposa Francisca Pereira dos Santos tem 15 e próprio filho, nove. “Por motivo de lei, abriu-se a possibilidade para parentes. Então, abriu-se uma empresa em nome dela com 15 alvarás, o que a lei permite até hoje. Mas tudo foi adquirido com honestidade e lisura”.

O empresário ainda disse que desde os nove anos trabalhava com o pai e acabou seguindo o mesmo caminho. “E agradece pelo fato meu pai não estar vendo isso. É doido ser chamado de máfia, se é declarado ou não. O que vocês falam em máfia, é fruto do trabalho de um homem que trabalhava 24 horas por dia. Esse cara aí é o mafioso”, disse.

Suspeição

O empresário pediu que a mesa registrasse em ata, uma declaração publicada em uma rede social, a qual os vereadores Vinícius Siqueira e Junior Longo, do PSDB, a qual em declaração afirmam ter ‘lutado’ para o aplicativo da Uber fosse instalada em Campo Grande. “Acho no mínimo parcial”, pontuou, levantando a possibilidade de suspeição dos parlamentares em relação a CPI.

Vinícius se pronunciou e disse que em momento algum lutou em prol da Uber. “Lutei pelo livre comércio, pela livre concorrência e preço baixos, para que tivesse concorrência, para que pudessem ligar o ar e o carro não cheirar a cigarro”, ao final ainda alfinetou. “A permissão não é de vossa família”.

Longo também comentou disse que esteve no evento da Uber uma vez que foi como presidente da Comissão Parlamentar de Transporte da Casa de Leis, e disse exercer o seu papel de parlamentar. “Recebi taxistas, auxiliares, sindicatos dos taxistas, dos auxiliares, mototaxistas. Exerço o meu papel para legislar, não tenho nada a esconder”, frisou.

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