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Prevenção ao Suicídio: 'É preciso acolher sem julgar e tratar corretamente', diz psiquiatra

A cada 44 horas uma pessoa tira a própria vida em Mato Grosso do Sul

13 SET 2017
Thiago de Souza
09h30min
Acolher e tratar é melhor forma de prevenir suicídios Foto: TopMidiaNews

O acolhimento de pessoas que sofrem é uma das principais ferramentas para combater a ideia do suicídio, diz o psiquiatra Kléber Meneghel Vargas. No entanto, é preciso ter cautela na aproximação, já que o potencial suicida precisa ser ouvido, e não julgado.

O psiquiatra, que atua nos principais hospitais da cidade, entre eles o Nosso Lar, alerta que frases  do tipo ‘’Ah, mas você tem tudo na vida, não pode pensar nisso’’ podem gerar mais culpa na pessoa e piorar a situação.  

Outra forma inadequada de abordagem, segundo o profissional, é quando as pessoas acham que podem ‘dar um choque de realidade’ em quem sofre, usando expressões completamente grosseiras e indevidas.
 
"Você não sabe o porque a pessoa está sentindo aquela dor’’, explica. ‘’Em vez de julgamento, é preciso mostrar compreensão, apoio,  dizer a pessoa que ela é importante, que você sente falta dela’’, acrescenta o médico.


(Isolamento é sinal de quadro depressivo que pode levar a suicídio - Foto: Tempo Presente)

Vargas diz que é possível sim reduzir o número de mortes por suicídio, e o tratamento médico entra como a principal ferramenta, já que "quase 100% dos casos de morte ou tentativas estão ligados a doenças como depressão, transtorno bipolar e uso de drogas’’.
 
Os sintomas mais comuns entre os potenciais suicidas, diz Kléber,  é o isolamento e a exaltação de coisas negativas. É preciso observar atentamente as atitudes de quem está ao seu redor.
 
"Quando alguém falar que não está aguentando mais viver, postar mensagens na internet mostrando descontentamento com a vida e dizendo coisas como se pegasse uma doença grave seria melhor, pode ser sinal de que a pessoa está em um quadro de depressão’’, explica.
 
O médico ressalta a importância da observação do potencial suicida. Embora haja casos de suicídios cometidos por atos impulsivos e intempestivos, grande parte é fruto de um processo que começou e amadureceu ao longo do tempo.
 
Números preocupantes

O Estado de Mato Grosso do Sul tem a segunda maior taxa de suicídios do Brasil. São 197 mortes por autoextermínio por ano, o que quer dizer que a cada 44 horas uma pessoa tira a própria vida.  Conforme o Ministério da Saúde, em 2014, foram 7,82 casos por 100 mil habitantes.

O estado tem uma particularidade, que é o alto índice registrado em aldeias indígenas. Conforme estudo do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), em 2015, foram 45 casos. No mesmo ano, metade dos suicídios entre indígenas ocorridos no Brasil, foram em terras sul-mato-grossenses.  Em 15 anos foram 752 mortes no estado.

Conscientização

A campanha Setembro Amarelo, que  é realizada desde 2015,  pretende conscientizar e alertar a  população sobre o assunto e, principalmente, a prevenção ao autoextermínio. O tema escolhido para 2017 é ''Falar é sempre a Melhor Solução''.

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