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Eleição do DCE da UFMS 'pega fogo' e chapas trocam acusações de 'fake news' em Campo Grande

Gestão atual diz que foi atacada pela Chapa 1 por meio de associação a partidos políticos

9 NOV 2018
Thiago de Souza
09h30min
Duas chapas disputam comando do DCE da UFMS Foto: Reprodução UFMS

O clima entre as duas chapas que concorrem ao Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul está 'pegando fogo' em Campo Grande. Assim como nas eleições presidenciais deste ano, há acusação mútua de difusão de fake news entre os estudantes.

As chapas que concorrem ao DCE para o próximo biênio são: Chapa 1 ''Nossa Força Nossa Voz'' e a Chapa 2, que tenta a reeleição, '' O Nosso DCE''.

Conforme noticiado pelo TopMídiaNews, no início da tarde desta quinta-feira (8), denunciante que não quis se identificar, disse que a Chapa 1 ''Nossa Força Nossa Voz'' estaria planejando organizar greve na instituição.

''Eles não articulam só a vitória da chapa, mas já pensam em promover greve para próximo ano. Não podemos deixar isso acontecer, greve federal não rola, não tem cabimento. A Federal acabou de recuperar de greve, essa chapa está ficando doida, não podemos deixar isso acontecer”, afirmou o estudante.      

No entanto, em contato com o acadêmico do curso de economia, Pedro Assunção, 19, que se disse representante da Chapa 1, a informação sobre planejamento de greve é uma fake news. Ele acrescenta que a gestão atual vaza informações falsas em áudios no WhatsApp com o objetivo de interferir no resultado das eleições.

''Eles querem se perpetuar no poder'', acusou o estudante.

Ainda de acordo com Assunção, as ideias propostas pela chapa que defende tem conquistado a maior parte dos estudantes. Ele considera que a gestão atual foi omissa em diversas situações ocorridas na instituição, como o fechamento de cursos nos campi do interior, corte de bolsas e até casos de assédio.

Sobre a disputa acirrada no campus, Pedro não vê relação com a polarização política no país entre grupos de esquerda e direita.

''Nossa chapa é plural. Aqui tem gente de direita, esquerda, gente que não se identifica com nenhuma das coisas'', ressaltou.

Palestra

De acordo com a acadêmica de jornalismo, Lyanny Ferreira Yrigoyeen, 20 anos, a notícia de greve,  supostamente difundida pela chapa 1, surgiu de um palestra com membros de movimentos estudantis que nada têm a ver com os grupos concorrentes ao DCE.

Ferreira contou que o termo 'greve' foi citado na palestra somente com a intenção de mostrar que a paralisação seria um instrumento de luta dos estudantes, caso eles não fossem ouvidos em suas demandas.

''Não tenho conhecimento de ninguém das chapas concorrentes que estivessem na palestra. O encontro aconteceu para conscientizar os alunos da importância de participar da vida acadêmica, de fazer parte do movimento estudantil e do que ocorre na universidade'', explicou a estudante.

Outro lado

O candidato ao DCE pela chapa 2, Matheus Serejo, 21 anos, estudante de direito, rebateu as acusações feitas pela Chapa 1.

''As denúncias são altamente mentirosas. O áudio vazado não pertence a ninguém da nossa chapa'', esclareceu Serejo. O candidato era secretário na gestão anterior e agora sai como proponente a presidente.

Matheus disse ainda que a chapa que ele representa é que foi atacada. ''Nos associaram à juventude do MDB, do PSDB e do MBL, isso é mentira'', lamentou o estudante. ''Também, de forma pejorativa nos associaram à Ordem Demolay'', completou o candidato.

Sobre as acusações de omissão da atual gestão, Serejo diz que não procede e todas as situações ocorridas tiveram resposta do DCE. Como exemplo, ele citou o caso de uma estudante vítima de assédio sexual dentro da biblioteca e que teve todo o suporte necessário.

''Não demos publicidade para não expor a vítima. Seria explorar o caso de forma eleitoreira'', justificou.  

Em outro caso de assédio, só que moral, ele falou de uma estudante de direito que foi denunciada à Polícia Federal, por uma professora que não quis fazer uma revisão de prova.

''Este caso também demos toda a assistência necessária até na última instância dentro da universidade'', relembrou. Sobre o fechamento de cursos, Matheus disse que o encerramento foi temporário para fins de readequação do curso.  

''Falhamos algumas vezes, mas não nos omitimos do debate'', ponderou Matheus.

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