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Fim do imposto sindical não afeta luta por direitos, garantem sindicalistas de MS

Uma das entidades recebia R$ 300 mil por ano com a contribuição obrigatória

6 AGO 2017
Thiago de Souza
13h30min
Genílson descarta demissões em massa por conta do fim do imposto Foto: André de Abreu

O discurso na maior parte das centrais sindicais e sindicatos que atuam em Mato Grosso do Sul é que o fim do imposto sindical não vai afetar a receita das entidades e prejudicar a luta por direitos. Dirigentes descartam demissões em massa e dizem que as organizações terão de se 'reinventar' para continuar sobrevivendo. 

Uma das maiores centrais sindicais do MS, a CUT, diz que sempre foi contra o imposto sindical e atuou a maior parte do tempo sem ele. O motivo de não haver demissões nos sindicatos, por conta do fim do imposto, é que o quadro de trabalhadores nessas entidades é pequeno, diz o presidente da entidade em MS, Genilson Duarte. 

Sindicatos

O presidente do Sindicato dos Bancários de Campo Grande e Região, Edvaldo Barros, conta que, anualmente, a entidade arrecada R$ 300 mil com o desconto obrigatório no salário de todos os bancários. 

Com dois mil filiados e apenas dez empregados no sindicato, Barros conta que vai conseguir sobreviver ao corte da receita. Ele critica as reformas trabalhista e previdenciária, e acredita que, com esse prejuízo, os trabalhadores vão se unir mais e dar mais força aos sindicatos. 

(Ricardo Bueno diz que luta vai continuar sem o imposto - Foto: Sintss-MS)

Ricardo Bueno, presidente do Sintss-MS (Sindicato dos Trabalhadores em Seguridade Social de Mato Grosso do Sul), conta que a entidade passou a receber dinheiro do imposto sindical a partir de 2012, e que a maior receita do sindicato vem do desconto de 1% no salário dos trabalhadores filiados, que hoje chega a 1.700. 

O Sintss-MS tem apenas três funcionários que devem permanecer no quadro do sindicato. 

''Enfraquece sim [a luta] mas o imposto [sindical] não é primordial para a nossa sobrevivência'', afirma Bueno. Ele diz que aquelas entidades que não tem boa organização deverão sentir mais a falta do dinheiro. 

''Vão sofrer quem não tem base, quem não tem pasta'', concluiu Bueno. 

Porém, para a CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros em MS), o fim da contribuição de um dia de trabalho dos profissionais vai enfraquecer sim a organização.

''Era a aposta dos empresários'', diz o presidente José Lucas. 

Ele acredita que deve haver demissões nos sindicatos sim, mas não consegue apontar quanto. ''Teremos de reduzir despesas'', estimou. 

Lucas, que comanda a central com 18 sindicatos filiados em MS, não citou quanto recebia de contribuição, mas diz que era ''suficiente para manter a entidade de portas abertas''. Ele acrescenta que terá de 'trabalhar muito' para a luta continuar. 

Uma das saídas, aponta Lucas, seria abrir a central por apenas quatro horas por dia e  negociar salário menor com os funcionários. 

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