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Trabalhando em escolas de difícil acesso, professores têm gratificações cortadas

Usada para transporte e alimentação, gratificação caiu pela metade e profissionais tentam agenda com o prefeito

6 AGO 2017
Liziane Berrocal
18h10min

Os professores municipais da zona rural de Campo Grande estão indignados com um decreto da Prefeitura Municipal que reduziu em até 50% a gratificação recebida por eles para lecionarem em escolas mais distantes e de difícil acesso. Agora, eles tentam marcar uma reunião com o prefeito Marquinhos Trad (PSD) para resolver o problema já que, segundo eles, o corte foi repentino e surpreendeu negativamente quem trabalha na zona rural.

“Agora, voltaram as aulas e não nos atenderam ainda. Não conversaram conosco e as várias reuniões marcadas nunca contaram com a presença do prefeito. A última ainda foi desmarcada. Porém, como o professor vai continuar dando aula sem condições?”, questiona uma professora.

Todas pedem para não serem identificadas, porém, enviam o documento que foi encaminhado ao Poder Executivo, com dados e fatos sobre a mudança do percentual.

“Somos professores que nos dispomos a trabalhar fora do perímetro urbano. Ressaltamos que, devido à quantidade de professores lotados nessas escolas rurais, solicitamos que providencie um levantamento detalhado na folha de pagamento referente às gratificações de zona rural”, diz o manifesto.

Para os profissionais, foi uma injustiça serem julgados de estarem recebendo demais e com isso onerando a folha de pagamento do município. “Não é justo nos julgarmos como detentores de gratificações que superam valores em relação a outros salários. Salientamos que toda gratificação é calculada por meio do salário-base do servidor municipal, com essas informações concretas poderão diagnosticar que não somos responsáveis pelo aumento dos gastos com a folha de pagamento”,

Corte teria abalado até saúde de servidores

Segundo as educadoras, isso tem atingido a vida pessoal e a saúde de quem trabalha na zona rural. “Já temos muitos professores que estão adoecendo por preocupação com seus compromissos do próximo mês, considerando que essa gratificação já faz parte dos compromissos financeiros”.

De acordo com o documento enviado à prefeitura e assinado pelos professores, o percentual de 50% que até então todos recebiam é usado para suprir as despesas que os educadores tem com alimentação, combustível, manutenção do veículo e, em alguns casos, devido a distância e difícil acesso, esses professores residem em alojamentos para cumprirem a jornada de trabalho semanal.

E ainda assim a gratificação tem critérios definidos, sendo concedida somente para os professores que estejam na ativa, uma vez que o mesmo é suspenso na situação de licença médica superior a trinta dias.

BR da morte e psicológico abalado

“Eu pego meu carro, pego a BR-163 para chegar à escola. Toda semana tem acidentes, mortes, isso já abala o psicológico da gente e um corte desses, quando você já tem décadas trabalhando e lutando pela profissão, é de pensar em desistir”, lamentou outra profissional.

Ela usou os casos de pessoas mortas carbonizadas para demonstrar o quanto o trecho é perigoso. “Todos os dias um acidente, pessoas mortas carbonizadas, falta de estrutura. Quanto vale a educação?”, questiona.

O corte é contestado especialmente porque, para as profissionais, já estaria incorporado no salário. “Há professoras atuando há 15 anos na mesma região. Isso faz um rombo no orçamento e compromete o trabalho do próprio professor”.

Por meio da assessoria de imprensa, a prefeitura confirmou que a redução aconteceu. E enviou a lista com o novo percentual das nove escolas. Via telefone, a informação foi que haverá sim uma reunião com os profissionais, porém a data ainda não foi definida.  

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