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Pesquisadores fazem primeiro registro de 'morcego vampiro' na Capital

Animal pode ser facilmente distinguido dos outros morcegos por conta da ausência de calcanhar e de cauda evidente

11 JUN 2017
UFMS
12h43min
Foto: Reprodução/UFMS

Pesquisadores do Mestrado em Biologia Animal da UFMS publicaram artigo acadêmico com o primeiro registro de espécie hematófaga de morcego em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Popularmente conhecidos como “morcegos vampiros”, os morcegos hematófagos se alimentam exclusivamente de sangue de animais vertebrados. Os autores do artigo são Gustavo Graciolli, professor e pesquisador, o mestrando Gustavo Urbieta, e a aluna de graduação da UCDB, Thawane Yvin Sanches de Siqueira.

O Brasil é o segundo maior país da América do Sul em diversidade de espécies de morcegos, sendo registradas até o momento nove famílias, 68 gêneros e 178 espécies. No mais recente Cheklist de morcegos de Mato Grosso do Sul, foram registradas 74 espécies de morcegos pertencentes a 42 gêneros e sete famílias.

De acordo com o os autores, a espécie encontrada, o Diaemus youngi, faz parte de uma subfamília que compreende animais interessantes devido ao hábito alimentar hematófago. O D. youngi é um morcego que utiliza preferencialmente o sangue de aves em sua dieta e é considera uma espécie rara em todo o território nacional. O espécime foi capturado em novembro de 2016, com a licença permanente emitida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA). O indivíduo capturado foi depositado na Coleção Zoológica de Referência (ZUFMS). A área de estudo, o Instituto São Vicente, localizada no município de campo Grande é caracterizada também por ser um remanescente de Cerrado dentro de área urbana. O local de captura é considerado área de transição entre os perímetros urbanos e periurbanos, com conjuntos habitacionais e residências em torno.

Segundo os pesquisadores, o morcego foi identificado como D. youngi, macho e adulto. Pode ser facilmente distinguido dos outros morcegos vampiros por conta da ausência de calcanhar e ausência de cauda evidente. Em D. youngi, ambos os sexos possuem glândulas olfativas bucais localizadas bilateralmente dentro da boca e essas glândulas são vistas apenas quando o morcego é perturbado. Os autores relatam que outra característica que distingue bem D. youngi dos outros morcegos vampiros são as pontas das asas e das orelhas que são brancas, assim como a membrana entre o segundo e terceiro dedo.

Para os pesquisadores, espécies como D. youngi são consideradas especialistas para o sangue de aves, portanto, a fragmentação e perda de habitat podem afetar negativamente a disponibilidade de presas naturais, a conversão da paisagem natural para pecuária pode aumentar significativamente a disponibilidade de presas introduzidas, ou seja, os morcegos vampiros podem se favorecer em algum grau de perturbação ambiental, especialmente quando tais distúrbios levam a um aumento na disponibilidade de animais domesticados, como galinhas, cabras e vacas.

Ainda assim, acreditam que a presença da espécie D. youngi em área urbana de Cerrado talvez seja por conta da destruição de cavernas, habitat, e desmatamento em áreas próximas, o que pode fazer com que esses morcegos habitem novos ambientes urbanos. O artigo foi publicado no periódico Check List: Journal of Species Lists and Distribution, fundado em 2005, com o intuito de proporcionar um meio para a publicação de listas de espécies e notas de distribuição geográfica, onde pode ser lido na íntegra. O artigo pode ser acessado aqui: https://www.biotaxa.org/cl/article/view/13.3.2128

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