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Trabalho inédito no estado busca preservação de felinos ameaçados de extinção

6 NOV 2017
UFMS
20h00min
Foto: UFMS

Pesquisadores da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS), da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e da McGill University (Canadá) realizaram, nos dias 27 e 28, pela primeira vez no estado do Mato Grosso do Sul, uma Aspiração Folicular por Laparoscopia (LOPU) em onças-pardas.

O procedimento engloba a pesquisa do projeto de pós-doutorado pela UFMS, do pesquisador e médico-veterinário Gediendson Ribeiro de Araújo, supervisionado pelo professor Breno Fernandes Barreto Sampaio em conjunto com o projeto de mestrado em Reprodução Animal pela Universidade de São Paulo do médico-veterinário Pedro Nacib Jorge Neto, orientado pelaprofessora Cristiane Schilbach Pizzutto e co-orientado da professora Anneliese Traldi.

Ambos os projetos buscam a otimização do procedimento de LOPU e a Produção In Vitro de embriões (PIVE) de onças-pardas e onças pintadas com sêmen de machos de vida livre e de cativeiro. A PIVE ainda não está estabelecida em felídeos e para que possa ser aplicada para animais em extinção, como a onça-pintada, esta sendo testada em onças-pardas. A pesquisa está recebendo o apoio do pesquisador e professor Hernan Baldassarre.

Os trabalhos ocorreram no CRAS-MS, onde sete fêmeas de onças-pardas tiveram seus oócitos aspirados por laparoscopia pela médica-veterinária Letícia Alecho Requena e em seguida, avaliados pela equipe da Profa. Fabiana A. Melo-Sterza (UEMS).  (oócitos são células germinativas femininas ou células sexuais produzidas nos ovários, gâmeta feminino que ainda não atingiu a maturidade).

Os procedimentos de anestesia foram liderados pela médica-veterinária e pós-doutoranda da UFMS, Verônica Albuquerque. Na ocasião, foi possível aprimorar protocolos visando o bem-estar dos animais. O apoio clínico foi dado pela professora de clínica médica e cirúrgica de animais selvagens da UFMS, Thyara de Deco Souza e pelo médico-veterinário e doutorando da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Leanes Cruz da Silva.

A média de oócitos aspirados por doadora foi de 34,8. No entanto, um fato inédito surpreendeu a todos: um total de 106 oócitos foram recuperados de uma mesma doadora, número este considerado recorde mundial de oócitos aspirados de um único felídeo.

Araújo ressalta a importância do trabalho para viabilizar projetos futuros de reprodução assistida em animais de vida livre. “O intuito dos projetos é obter nascimentos utilizando fêmeas ex situ como receptoras e também o nascimento ex situ com a utilização de sêmen de onças de vida livre”. Jorge Neto complementa que “a padronização dos procedimentos de LOPU e de PIVE em grandes felídeos são fundamentais para a preservação não apenas das espécies encontradas no país (onças parda e pintada), mas de outras espécies ameaçadas em outros países”.

Havendo êxito na PIVE, parte dos embriões serão vitrificados e outra parte implantados em fêmeas de cativeiro. Os nascimentos de filhotes filhos de machos de vida livre participarão de projeto de reintrodução à vida livre. Os pesquisadores almejam, em um futuro não distante, aspirar oócitos de onças de vida livre e produzir embriões in vitro com sêmen de machos também de vida livre, permitindo reestabelecer populações em áreas críticas.

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