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Vacina contra a zika é criada nos Estados Unidos com produção em folhas de tabaco

Pesquisadores dos EUA relatam em periódico científico que imunização é 'mais segura do que qualquer outra'

9 AGO 2017
Globo
11h49min
Foto: Jason Drees/Universidade do Estado do Arizona

Desde que estourou a epidemia de zika no Brasil, em 2015, o mundo inteiro iniciou uma corrida científica em busca da vacina contra a doença. Diversas possibilidades de vacinas estão sendo testadas neste exato momento, mas, na manhã desta quarta-feira, a versão on-line do periódico "Scientific Reports" divulgou o relato de um grupo de pesquisadores que acredita ter alcançado uma vacina mais segura e mais barata de se produzir do que as outras.

A pesquisa é desenvolvida na Universidade do Estado do Arizona, nos Estados Unidos, por uma equipe liderada por Qiang Chen, especialista viral do Instituto de Biodesign da instituição. Ele tem trabalhado na última década no desenvolvimento de vacinas para outros flavivírus, como a dengue e a febre do Nilo ocidental.

— Nossa vacina [contra zika] oferece segurança aprimorada e potencialmente reduz os custos de produção mais do que qualquer outra alternativa atual, e com eficácia equivalente — destaca Chen. — Estamos muito entusiasmados com esses resultados.

FEITA COM PLANTAS DE TABACO

A vacina elaborada pela equipe de Chen tem sua produção feita a partir de plantas de tabaco, o que leva a um barateamento dos custos e torna bem mais rápida a fabricação. Muitas das vacinas existentes hoje — como a da febre amarela — são feitas dentro de ovos de galinhas, e isso faz com que a capacidade máxima de produção se limite à velocidade com que as galinhas botam ovos. Nas granjas dedicadas à produção dessas vacinas, não se consegue acelerar isso quando existe uma demanda maior por doses. Já se a vacina for obtida por meio de plantas, o aumento da produção fica mais fácil, porque essas plantas existem em maior quantidade e são mais acessíveis.

Chen explica que a vacina desenvolvida por ele ataca uma parte essencial da proteína do víus da zika, chamada de DIII, que desempenha um papel fundamental para o vírus infectar pessoas.

— Todos os flavivírus têm um envelope de proteína na parte externa do vírus. Esse envelope tem três domínios: o III possui um trecho único de DNA para o vírus da zika, e nós exploramos isso para gerar uma resposta imunológica robusta e protetora — conta o cientista.

Primeiro, ele e sua equipe cultivaram a proteína do envelope em bactérias, depois mudaram para plantas de tabaco — este tipo específico de planta já é usado há décadas na literaura médica para produção de vacinas.

Depois de desenvolver material suficiente para o novo candidato a vacina, a equipe de Chen realizou experimentos de imunização em camundongos, que induziram anticorpos e respostas imunológicas celulares que demonstraram conferir proteção de 100% contra várias cepas de vírus da zika.

INVESTIMENTO CRESCE

Várias vacinas em potencial tiveram resultados promissores em testes iniciais com animais e humanos para combater a zika. No ano passado, a Food and Drug Administration (FDA), agência americana que regula medicamentos e tratamentos médicos, aprovou o primeiro teste em humanos de uma candidata a vacina da zika. Além disso, está em andamento um ensaio clínico de US$ 100 milhões, liderado por governo norte-americano.

No entanto, atualmente, ainda não há vacinas licenciadas disponíveis para combater a zika. A enfermidade preocupa muito porque, se contraída por mulheres grávidas, pode provocar problemas de saúde congênitos nos bebês, como microcefalia.

O tempo mínimo para que qualquer vacina seja produzida e colocada no mercado é, em geral, 10 anos.

  

 

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