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COLUNA

Carnaval: mesmo quando tudo dá um tempo, o machismo ainda é fantasia de alguns

Das grávidas à diferença entre paquera e assédio, a mulherada não tem alívio nem nessa época

13 FEV 2018
08h24min

Carnaval, mulheres nuas e lindíssimas, outras em sua beleza, muita festa e alegria. É o momento em que oficialmente o Brasil não tem mais crise, não há gasolina cara, nem fila do desemprego, nem berro nas redes sociais contra o sistema que oprime o empresário.

Mas se tem uma coisa que não dá respiro no carnaval é o tal do machismo. Gente, como é que pode. Primeiro recebi – de uma mulher – a imagem que mostra grávidas pulando carnaval e com aqueles dizeres ridículos de sempre. “Não pode trabalhar, não pode esperar na fila... ZzzZZZZzzz”.

Não, nem toda grávida sai sambando pelas ruas com aquela roupa maravilhosa e um tapa-sexo lindíssimo. Eu mesma, sem condições. Deitei na cama aos cinco meses de gestação e levantei somente quando Ana foi nascer. E várias outras também! Então, é sim uma postagem sem noção e de mau gosto, ainda mais quando envolve mulheres compartilhando. E homem, nunca engravidou, então, nem sabe o que é carregar o barrigão.

Depois o “é muita putaria, mulher quer sair de shortinho curto e peito de fora, mas não quer ser chamada de vadia”. Não colega, não. Ela não quer ser chamada de vadia e tem, inclusive, o direito de sair peladona se quiser. Porque o corpo é dela. E ela pode mostrar sim, se quiser mostrar.

E pode ser tocada sim, mas somente se quiser. E sair e ficar com quantos quiser na noite. Tudo se for consentido. O resto que esteja além disso, é machismo ou violência sexual mesmo. É aí que está o limite.

E esse pensamento arcaico em tempos que tudo está rolando virtualmente, dá nojo de pensar que muitas mulheres estão preferindo ficar em casa porque não querem se aventurar em ter que meter a mão na fuça de um incauto no bailinho.

Ouvi isso de uma colega que disse claramente que esse ano não iria para o carnaval, porque ano passado foi obrigada a dar um soco num cara que tentou beijar ela a força. Ficou traumatizada é claro.

E se você acha isso exagero, vamos fazer um exercício básico. Você está lá no bloquinho, se divertindo e está sua mãe lá, se divertindo também. Daí, chega um cara e beija sua mãe a força. Como você vai se sentir? Você vai gostar? Não né?

É tudo uma questão de empatia e bom senso, para que as mulheres tenham o direito de ir e vir. Grávida ou não, até porque a prioridade para grávidas é lei. Ou de burca ou pelada, ninguém merece ser assediada.

E antes que alguém diga que “nem se pode paquerar mais”, vai aí uma foto com a diferença entre assédio e paquera. Só ver a cara do Zeca Pagodinho.

E vamos brincar de vaca amarela? O primeiro que xingar come tudo a bosta dela! <3

PS: Feminismo não é superioridade aos homens tá, e sim um movimento que preconiza o aprimoramento e a ampliação do papel e dos direitos das mulheres na sociedade.

Sobre a jornalista: Sou Liziane Berrocal, jornalista, filha e mãe de Ana, feminista, destra e feliz. Sugestões, críticas, pedidos de número da minha conta podem ser feitos pelo lizianeberrocal@Gmail.com Só não vale xingar as Anas!

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