IPVA GOV
(67) 99826-0686
Balanço PMCG fev
COLUNA

Top Play

Games, geeks, diversão e muito mais

Cinco motivos para o desastre de 'O Sétimo Guardião'

Novela derrapa feio na audiência, capota no roteiro e caminha para ser a novela das nove mais odioada de todos os tempos.

21 JAN 2019
Panclasta
08h30min

Floppou.


A novela das nove da Rede Globo floppou bonito, e apesar de ser um acidente telegrafado, a emissora carioca não deu conta de resolver os problemas e vê agora o trem descarrilando cada vez mais. Os estragos são enormes, grandes nomes da dramaturgia vão ficar queimados por alguns meses, fora que a próxima novela vai começar com péssimos índices, e pode estar fadada ao fracasso. 
Mas o que aconteceu para justificar tamanho desacerto? 


1 – Polêmica no Paraíso
Agnaldo Silva é um dos maiores autores do Brasil, e considere que a TV é o maior mercado para a arte escrita no país. É inegável a categoria dele em bolar enredos cativantes, em uma carreira com grandes hits como Vale Tudo, Senhora do Destino, Pedra Sobre Pedra e A Indomada. 
Mas na última novela antes de sua aposentadoria, o autor vive um inferno de várias frentes. Primeiro que ao que tudo indica, a sinopse  da novela foi concebida em uma “Master Class” por um grupo de alunos, que tomaram um chapéu quando viram sua criação embrionária se tornar realidade na tela da Vênus Platinada, e o que era um exercício para escritores se tornou um problema da Justiça.
Em outros tempos isso poderia render até mais interesse pela novela, mas as críticas dos alunos que se sentiram enganados eram todas fundamentadas e foram sumariamente apagadas das redes sociais a pedido da justiça.

2 – Trilha Sonífera
Trilhas Sonoras salvam novelas, nas aberturas e embalando os casais. Foi assim em “Pedra sobre Pedra”, que teve o mesmo autor da novela atual e tinha como abertura “Pedras que Cantam” de Fagner, que ainda é fortemente relacionado com a novela. O casal de protagonistas tinha como tema “Entre a Serpente e a Estrela” na voz de Zé Ramalho, que foi reciclada para Luz e Gabriel (papeis de Marina Rui Barbosa e Bruno Gagliasso) e simplesmente não funcionou.
A abertura tem uma arte bem moderna e uma proposta interessante, mas é acompanhada por “the Chain” de Fleetwood Mac, e é difícil achar alguém que goste, e impossível de fazer crianças cantarem animadas a abertura.
Mais um quesito onde a produção vem sofrendo.

3 – Casal sem Química 
Bruno Gagliasso é um excelente ator, um dos melhores de sua geração. Mas seu papel na novela é patético. O cara foge de um casamento por causa de um gato, e vai parar numa cidade do interior num passe de mágica, e decide ficar por lá mesmo depois de recuperar sua memória pós acidente. 
Okay, é uma novela... podemos aceitar isso, mas daí se junta ao protagonista uma mocinha das mais fracas desde a Helena de Thais Araújo: Luz de Marina Rui Barbosa. A ruivinha é uma moça bonita e tenta ser simpática fora da novela, mas sua fama de babaca está consolidada, e não se trata de uma grande atriz. Pra fechar o caixão a personagem dela é um X-men de meia tigela que tem umas visões bem pouco explicadas.
O casal é do tipo fácil de odiar, todos seus problemas seriam resolvidos se sentassem em volta de uma mesa e simplesmente conversassem sinceramente sobre suas vidas, medos e desejos. Em 2019, em plena “Era Netflix”, o telespectador não tem paciência para esses relacionamentos ioiô. 

4 – Brigas no Elenco
As tretas na produção são um prato cheio para Nelson Rubens e companhia.
A última e mais grave foi uma gravação madrugada a dentro que não pode contar com Flávia Alessandra que tinha um compromisso inadiável, mas a treta mesmo aconteceu quando Marina Rui Barbosa chegou atrasada e tomou um esporro de Lilia Cabral.
Conflito de gerações bastante prejudicial, uma vez que Lília é uma atriz consolidada e muito querida na casa, enquanto Marina é uma promessa que precisa fixar raízes para vender bem para a emissora.
O pior dessa treta foi a desculpa para o atraso: Marina disse que tinha ido ao médico (sério... mesmo as gravações acontecendo as 23 horas). A Globo por sua vez desmentiu, enquanto poderia ter capitalizado com o fato.

5 – Realismo Não tão Fantástico
Estilo que divide o nascimento entre Garcia Marques e Jorge Amado sempre teve boa aceitação no Brasil. É só lembrar de novelas do passado onde personagens eram atraídos pela lua cheia ou que eram filhos de um orixá.
Mas em Sétimo Guardião essa parada não funcionou legal... essa fonte de água mágica é bem sem graça, e os demais personagens meio mágicos não funcionam legal.
Difícil demais convencer uma adolescente assistir isso quando ela tem Sabrina para maratonar na Netflix.
Acho que dá pra apontar mais dez erros graves na produção, mas essa batida de carro em forma de novela já tem defeitos demais para explorar. O estrago é grande, e vem em um momento ruim onde a emissora está em cabo de guerra com o Governo Federal, e provavelmente vai perder verbas importantes no futuro.

Veja também