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COLUNA

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Por Pedro Martinez

Inxeba: como faz pra ser homem?!

Chocante...

12 FEV 2018
09h24min

Galera,
Maratona do Oscar a toda pra vocês.

Hoje falarei do representante da África do Sul pelo grande prêmio, Inxeba ou The Wound, em inglês.

Mas já te aviso de antemão que, apesar de um ótimo filme, esse é muito chocante, tanto que não darei 5 estrelas por isso. Se tiver pouco estômago, nem vai.

O cenário é o Cabo Oriental e conhecemos Xolani, um operário solitário que se ausenta do trabalho por uns dias para ajudar nos ritos de circuncisão de iniciação à masculinidade da tribo Xhosa. Sério, pra ser "homem" precisam passar por isso. Cortam ali mesmo sem anestesia nenhuma, em um remoto acampamento na montanha, cheio de sujeira e com perigo de infecção e ali os jovens se recuperam da "ferida" enquanto aprendem os supostos codigos masculinos da cultura africana.

E nesse ambiente extremamente machista e de certo ponto, ambiente de agressão, Xolani cuida de Kwanda, um rebelde jovem de Joanesburgo que o pai chama de "sensível demais" e sofre com questionamentos perante a esse código patriarcal severo.

Mas não é só ele que sofre.

Xolani também sofre no seu mundo familiar tradicional: sua realização de vida é bem complicada já que esconde ser gay. Se a iniciação já parece intolerável, pensemos o tamanho do problema se assumisse ser homossexual.

O preconceito que Xolani e Kwanda sofrem por serem gays corroboram e muito com as ideias super ultrapassadas do tal ritual, que é mutilar os meninos e submeterem os mesmos à privação do sono e água para que só assim passem a ser considerados "homens".

Vigor, tristeza, brutalidade e sensação de vazio são os sentimentos explorados muito bem nessa trama. São sensações conflitantes jogadas na nossa cara, assim como a obrigação deve parecer pros jovens que passam por isso.

E o ar naturalista que a câmera nos trás acabam sendo essenciais para que compremos a ideia do longa, não concordando, é claro, mas entendendo, ou tentando entender a cultura deles.

O filme em suma, vem para botar em discussão duas criticas recorrentes ao ritual bizarro: 1. O estado de saúde dos garotos, pois essa circuncisão feita dessa forma descuidada muitas vezes transmite doenças, inclusive HIV, e ainda as tribulações sofridas durante a cicatrização do ferimento. E 2. A sexualidade que é pouco ouvida mas também integra uma parcela dos grupos de garotos iniciados.

Esse é o grande motor de Inxeba.

É um relato incrível do choque entre o que a sociedade espera de uma pessoa; o que a sociedade quer de uma pessoa e o que realmente essa pessoa é.

3 pipocas!


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