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COLUNA

Panorama, por Fábio Trad

Por Fábio Trad

Lava-Jato, sim; mas só isso?

13 SET 2017
17h13min

                                                                      

O Brasil está judicializado. Tudo está sub judice.

A vida nacional está nas barras dos tribunais. Paira no ar uma excitação judicializante jamais vista e sentida nas terras brasileiras.

Na TV, rádio, jornal e sites, o foco é sempre o mesmo: prisões, buscas, apreensões, malas, evasões, Janots, Facchins, operações, mandados, milhões, tudo despejado sobre as mesas dos tribunais.

O país é um grande processo judicial. Somos mais jurisdicionados que cidadãos. Somos duzentos milhões de autos ambulantes.

Com exceção de juízes, advogados, procuradores e réus, não há mais espaço para qualquer outro habitante. Nossa bandeira tem as cores da república curitibana. Nosso símbolo, as algemas. Nosso lema: Operação Lava-Jato (e nosso filme, também). A letra do nosso hino compõe sentenças, acórdãos, embargos e apelações. Nosso alfabeto se resume a três letras: JBS.

Habeas Corpus, a expressão mais corriqueira da rotina nacional, depois de delação premiada e prisão preventiva!

Um povo à espera da próxima condenação, eis a nossa principal atração diária. Isso há quatro anos. Lava-jato, sim; mas só isso?

Ciência, cultura, esporte, tecnologia, desenvolvimento econômico, relações internacionais, saúde, educação, estratégia geopolítica? Que nada! Mero detalhe! Só temos olhos para a operação do dia; o resto pode esperar.  

Não conseguimos conduzir duas coisas ao mesmo tempo. Não sabemos dirigir ouvindo rádio. Não conseguimos caminhar e falar ao mesmo tempo. Não conseguimos combater a corrupção e pensar estratégias de governo e de Estado sobre outros temas relevantes. 

Ora, os EUA enfrentam o maior dos problemas, que é o terrorismo, mas não se deixa paralisar pelos esforços de todos no combate ao terror. Age em múltiplas frentes e pensa o futuro todos os dias.

Somos o país da monomania e isto está custando o nosso futuro! 

Será esta uma marca nacional? Será esta a nossa sina? Isto é uma chaga patológica ou traço de caráter coletivo?

Dormimos, acordamos, almoçamos e jantamos todos os dias há 208 semanas ouvindo, falando e lendo os mesmos nomes, as mesmas acusações, os mesmos processos, as mesmas delações, os mesmos mandados, as mesmas prisões, os mesmos camburões.

Somos todos juízes, advogados e procuradores ao mesmo tempo. Somos a inicial, a contestação e a sentença. Somos o inquérito, o processo e a execução. Somos Moro, Dallagnol e Kakay. Enfim, somos tudo e, por isso mesmo, nada.

Tudo está sub judice neste Brasil judicializado! O futuro que se exploda! E vamos para as próximas delações que ninguém é de ferro...

 

  

 

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