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COLUNA

Decifrando

Por Marco Santos

Segurança De quem nos esquecemos

Se errarmos, nos perdoem. Somos humanos, como vocês

6 DEZ 2017
Marco Santo
07h53min

No último dia 03 de dezembro, por volta das 2 horas da madrugada, a Explanada dos Ministérios, principal logradouro da Capital Federal, foi palco de um fato inusitado, não  por suas consequências ou alguma nova denúncia de corrupção, algo corriqueiro nas últimas décadas no Brasil.

Uma viatura com grande capacidade de reservatório de água, denominada   Auto Bomba Tanque  (ABT) do Corpo de Bombeiros Militar do DF, foi parada a tiros nos pneus por policiais militares enquanto era direcionada, por seu condutor, à Praça dos Três Poderes. 

Cerca de uma hora antes, um Sargento da Corporação, retirou o veículo especializado da unidade sediada em Ceilândia, cidade satélite situada a  30 Km do Plano Piloto, e  seguiu para o local onde foi detida, sendo  acompanhada  por outras viaturas do CBMDF e da PM.

Ninguém ficou ferido e também não aconteceram danos maiores ao equipamento,  além dos pneus estourados.

O fato chamou – me atenção, como profissional calejado por mais de 30 anos na atividade militar e mais de década e meia como consultor em segurança, devido a seu caráter inédito em Brasília e, até certo ponto surreal.

De maneira quase unânime, em todo o país, em especial em Brasília, os Corpos de Bombeiros Militares estão entre as instituições  de maior e melhor conceito pela sociedade.

O CBMDF, corporação de que me orgulho  ter servido, tendo sido  agraciado com o Ordem do Mérito D. Pedro II, é integrada por militares – pessoas -  de elevado profissionalismo, acendrado senso de cumprimento do dever e virtudes éticas e morais muito distintas. 

O lema “Vidas e Riquezas Salvar” é entoado com orgulho e grande significado em todas as oportunidades e exercido cabalmente no cumprimento das mais variadas e arriscadas tarefas humanitárias, daí a surrealidade do acontecido.

Passadas as absurdas especulações, lugar comum em quem mal avalia e julga pior ainda  pelas redes sociais, restou verificada  a quase certeza,   de que o  profissional de exemplar comportamento, até então, tenha sido vítima de surto psicológico e partido para a prática do ato. Não há lógica para o fato, além dessa possibilidade. Não imagino  outra,  após tantos anos de serviço.

Mesmo segmentos da imprensa normalmente espalhafatosos, foram comedidos nos noticiários. 

Diante do quadro de insegurança pública e institucional vivido pelo país nos últimos tempos, é comum criticas e ofensas aos militares, aos  policiais militares e civis e, em menor incidência, os bombeiros militares, pela situação que, em maior grau, foi causada pelo próprio cidadão no exercício do voto ou no descaso com a coisa pública..

Segurança é um estado necessário ao desenrolar de quase todas as atividades humanas, um direito e uma responsabilidade de todos nós, cidadãos, além de dever do Estado.

Dessa forma, o chamamento deve ser feito para que nenhum de nós descuide da proteção à incolumidade da ordem e segurança públicas, das vidas humanas e bens públicos e privados. Operadores de Segurança, como profissionais, tem parcela menor na   situação instalada.

Mas, algo me chamou a atenção e, de certa forma, me senti entristecido por não ter pensado nisso com mais intensidade e em maiores oportunidades.
Dentro das fardas camufladas, atrás dos coletes e dos escudos, das vestes dos policiais civis e dos camuflados, existe um ser humano. Alguém que, em geral esquecemos,  tem família, é uma pessoa. Nem sempre é bem remunerado, sempre parcialmente equipada e com péssimo suporte psicológico e assistencial dado pelo Estado. Vive e trabalha em condições ímpares de agressividade ambiental.

Aquele que deve, por dever de ofício, juramentos prestados na formação e aperfeiçoamentos, sacrificar a própria vida para que outros sobrevivam e possam estar junto dos  seus, usufruindo os benefícios do contato familiar e bens adquiridos, não é considerado no porte  devido e até muito pouco valorizado.
Em dias festivos, feriados e comemorações públicas, muitas dessas pessoas, profissionais de segurança pública ou privada, estão em plantões, atentos aos acontecimentos, prontos para intervir em benefício de terceiros, atender acidentes (até com maior número de ocorrências nesses em eventos) e situações que requeiram meios e pessoas especiais pra dar uma solução adequada, ética, legal e moralmente aceitável à sociedade.

Em catástrofes, trabalham horas a fio, sem descanso, enquanto houver um fio de esperança em que alguém ainda possa ser salvo.

Poucos imaginam o grau de tensão, de estresse, de cansaço, de risco de morte  e solidão que cada bombeiro, policial ou militar está submetido em suas atividades diárias. 

Alguns questionam até suas existências, pensões  e pseudo  benefícios que imaginam que possam estar recebendo do Estado como paga pelos sacrifícios próprios e de familiares.

Talvez os leitores nem imaginem, nos momentos de alegria, juntos aos entes queridos, que, naquele instante, um Soldado monta guarda na fronteira preservando a liberdade de um povo, um Bombeiro atende a feridos, que um policial esteja evitando um homicídio, um roubo ou uma ameaça ou que a própria comemoração em praça pública possa se dar com a garantia da paz necessária.

Operadores de Segurança, Soldados, Bombeiros, Policiais e Vigilantes: obrigado por existirem! Deus vele por nós! 

Se  errarmos, nos perdoem. Somos humanos, como vocês. 

Feliz 2018!

 

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