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COLUNA

Tema Livre

Temer o Temerário

15 DEZ 2016
Marco Antonio dos Santos*
10h08min

Após a delação do principal executivo da Odebrecht, envolvendo todo o 1º escalão do governo, salvo algumas poucas exceções, e quase todas as lideranças dos 11 partidos majoritários do congresso nacional, aí incluídos os presidentes das duas casas, fica muito difícil acreditar que Michel Temer, na época de maior incidência dos fatos  vice - presidente e ex - presidente do PMDB no governo deposto de Dilma, está isento e de que nada sabia. Político de bastidores, como é sobejamente conhecido, não ficaria ao largo de tratativas do tipo.

Foi citado 44 vezes pelo diretor da CNO.

Os textos padrão das respostas que  os delatados têm dado às indagações da mídia, são  uma boa pista para demonstrar que tais autoridades não têm como justificar as acusações. Declarações formais típicas de quem foi apanhado, como tem sido verificados entre aqueles que estão condenados em episódios anteriores da mesma trama criminosa.

O PMDB era a principal suporte da estrutura política de poder do PT na Organização Criminosa (Orcrim) - assim denominada por ministros da mais alta Corte do país -  que roubou e corrompeu descaradamente, matando pessoas de forma covarde (via destruição do sistema de atendimento à saúde), além de muitos outros efeitos nocivos sociedade,  e que acabou por  arruinar a economia, gerando a anarquia que agora está instalada.

Presentemente, em conluio com o PSDB,  simula iniciativas para tirar o país da crise que eles mesmos criaram. E fazem isso sem muita transparência, de forma célere, sem aprofundamento das análises  estratégicas necessárias, de maneira açodada, e carente de  idoneidade para empreender nem dentro do Crime Organizado, pois traem comparsas com a mesma rapidez que se juntam para delinquir.

Na reforma da  Previdência, sequer ouviram algumas outras autoridades e especialistas que vinham alertando para o problema faz décadas.

Oportuno lembrar que a PEC 55, aprovada dia 13 de dezembro, é a única estratégia da política econômica desse governo, em quem se depositaram grandes esperanças, com a finalidade de captar recursos internacionais, como sempre regiamente remunerados com elevadas taxas de juros.

A reforma da Previdência, por sua vez, é a principal política fiscal empreendida. O propalado rombo, precisa ser mais bem  explicado. Afinal, porque ele foi gerado sob a égide de mantos políticos. Basta indagar à Justiça, os montantes desaparecidos com a falência de empresas aéreas, bancos comerciais, clubes de futebol e  por sonegação de empresas de segurança. Estas de propriedade de políticos também citados na colaboração premiada.

É incompreensível que em nome da "governabilidade", ainda estejam ocupando cargos. Deveriam ter sido apeados pela Justiça ou pelos verdadeiros detentores do poder: o povo. Afinal estão neles as causas da ingovernabilidade e da insolvência do país.

O velho adágio de que o tempo da política é mais lento, não serve para o Brasil atual ou para velocidade do mundo pós - moderno. Não há mais muito tempo para postergações.

Idosos, crianças com microcefalia, milhões de desempregados os quais terão Natal amargo junto às famílias, não tem o tempo da política para  esperar.

O mesmo grupo que se empenhou pela saída de Dilma, nomeia petistas para cargos de relevância, como diretorias da Petrobrás,  e mantém cerca de 80 mil militantes  em cargos de livre nomeação. Alguns se desfiliaram do partido, é sabido. Mas será que agora abominam a arcaica ideologia que antes os motivava? Não acredito! E os prejuízos que causaram? Como ficam?

O aparato da destruição não foi desmontado por Temer que não reduziu ministérios, não cortou verbas em setores dispensáveis, manteve as  mordomias palacianas não tão republicanas, titubeia em demitir corruptos só o fazendo em situações de extremo clamor, e continua nomeando dentro dos mesmos critérios deteriorados dantes praticados e intensivamente criticados.

Será necessária uma ruptura nesse  sistema político do país. O povo deve fazê - la. Afinal, se o governo é exercido constitucionalmente em nome do povo, este pode fazer da Constituição o que julgar necessário.

Temer e sua claque, como a imprensa evidenciou no último  final de semana  manteve   reuniões com delatados de A a Z,  em nome da governabilidade e das votações dos  projetos e PEC que vão "salvar o Brasil". No entanto, os comensais mais pareciam estar tentando preservar as próprias  carcaças e as fortunas que amealharam com a corrupção.

Não fossem elas nos palácios, pareceriam reuniões de entidades mafiosas.

Serão essas autoridades idôneas para fazer as mudanças que o país precisa?

Não acredito! Já demonstraram à sociedade para o que vieram.
Temer inclusive.

No dia 12 pp, à guisa de retomar a iniciativa perdida para o PGR, emite carta pública culpando as investigações pelos atrasos e descompassos do governo.. Este gesto não se presta aos fins pretendidos. Mais eficaz seria demitir sumariamente todos os acusados e ele próprio renunciar. Assim, pelo ,menos, evidenciaria uma possível não participação no maior escândalo de corrupção do país, em toda as História, e talvez do mundo.

Talvez o caos decorrente compense, pois  o país real está prestes a  adentrar nele. Já estamos na anarquia, como vimos dia 13 pp. Vândalos ligados a partidos que estiveram na base aliada depredaram vários logradouros e instalações comerciais privadas em vários Estados. No DF forma detidos pela polícia em flagrante e, por volta das 02h30mim de 14, postos  em liberdade, autuados apenas por danos simples, mediante Termo Circunstanciado. O "acordo" teria sido obtido por parlamentares federais do  DF.

Ahhh, mas são necessárias provas. Existem os direitos ao contraditório e de ampla defesa. Ninguém deve ser condenado antes ser julgado.

Mas as evidências são fortes e a sociedade já julgou os  parlamentares nas pesquisas de opinião e nas ruas em suas manifestações. Afinal, à mulher de César não basta ser honesta. É preciso mostrar que é honesta.

Ainda assim, que os tribunais se encarreguem das provas. Embora os últimos fatos não sensibilizem quanto à seriedade deles, especialmente nas instâncias superiores.

O anarquia  avança a cada dia e o povo está se sentindo abandonado. Perigo maior será quando avaliar que deve tomar o que é seu e não exatamente dentro da lei e da ordem.

O tempo  político e essa  Orcrim no poder  trabalham contra o Brasil!

 

* Marco Antonio dos Santos é Cel da Reserva do EB e professor universitário

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