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Por Pedro Martinez

The House That Jack Built: perturbador...

Monstro?

8 JAN 2019
10h23min

Muitos de nós, espectadores, correrão para ver a nova obra perturbadora de Lars Von Trier que promete cenas de violência extremamente chocantes.

Mas calma, a violência não é o objeto principal do projeto, é apenas o ponto de partida de The House That Jack Built.

Nessa obra teremos um protagonista viciado, que conta sua rotina de compulsões a uma outra determinada pessoa que de início não vemos na tela. Juntos, o criminoso e a espécie peculiar de cúmplice  discutem sobre a natureza da humanidade. De onde vem a compulsão pela vida e pela morte?

E é nesse tom que Jack (Matt Dillon) conta sua compulsividade pela morte desde a infância para o intelectual poeta Virgílio (Bruno Ganz), personagem da Divina Comédia que acompanha os desencarnados pelo Purgatório e pelo Inferno.

Jack não apresenta nenhum ódio pelas vítimas e nem demonstra nenhuma característica monstruosa - só tem mesmo certa falta de empatia. Pra quem o conhece ele é simplesmente um sujeito comum, recluso e sem família. As mortes acontecem meio que por acidente e depois vão se repetindo como um vício que não se pode controlar de jeito nenhum. Ele basicamente ataca somente mulheres, e com uma atitude até machista de ver as coisas, acha que elas são inteiramente culpadas pelos atos dele. Uma reclama demais, a outra é ignorante e uma terceira é muito ingênua. O criminoso meio que as está punindo pelas suas pequenas falhas e ele ainda acredita que Deus o está ajudando, visto que ele se safa impunemente de formas impressionantes durante 12 anos.

Junto da história da sua onda de mortes, paralelamente Jack,  que é engenheiro, tenta construir sua própria casa mas, assim como o seu ciclo de mortes intermináveis,  a casa nunca é construída. Ele sempre destrói tudo e começa o trabalho outra vez, insatisfeito, numa metáfora clara de sua compulsão pelos assassinatos. Nisso o roteiro já começa  a comparar os atos de Jack às obras de arte clássicas. Se a modificação da natureza para criar algo bonito é arte então tirar foto de cadáveres também pode ser considerado algo artístico.

Isso tudo acaba servindo para discutirmos a banalização do mal.

Mas a trajetória de Jack ainda consegue ter pitadas de humor dentro desse roteiro. É clara sua inexperiência em assassinar e ele, ainda por cima, tem TOC (transtorno obsessivo compulsivo) e  por isso não consegue sair do local do crime antes de deixá-lo limpíssimo. Jack ilustra a facilidade de se tirar a vida de uma pessoa: os vizinhos não estão nem aí, as famílias estão distantes e a polícia não quer se dar ao trabalho de investigar nada. Na verdade o filme nos faz ter a sensação de que qualquer um pode se tornar um assassino.

The House That Jack Built é um suspense eficiente e às vezes até uma sátira afiada que se apropria da metáfora da casa de forma extremamente original e inteligente.

5 pipocas!

Disponível para download via torrent no Lime Torrents.

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