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Cinco mostras compõem última Temporada de Exposições do ano no Marco

Exposição será inaugurada na quarta-feira, 06 de dezembro

3 DEZ 2017
Da Redação
16h32min
Foto: Divulgação

O Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul, abre a sua quarta e última Temporada de Exposições desse ano. São cinco mostras de artistas com as mais variadas técnicas e com abordagem de diferentes temas. Estarão expostas, Vacuidade – fotografias da artista Adriana Amaral (SP) “A reta é uma curva que não sonha” – esculturas de James Cáceres (MS), Atualidades com assemblagens do artista Romário Batista (ES), FragmentAção, pinturas da artista Tatiana Cipoli (SP) e a Coleção particular de Herbert Covre – gravuras do artista lituano Lasar Segall. A abertura da temporada acontece no dia 06/12 às 19h30.

Em “Vacuidade”, a artista Adriana Amaral convida a refletir sobre a forma de se pensar. Para um ocidental, distante da tradição budista, o sentido da palavra vacuidade é incompreensível e isso pela simples razão de se viver sob uma lógica que impele a jamais parar de se gerar pensamentos. A todo instante se elabora um encadeamento de ideias, de sentimentos, de imagens mentais que impedem de sequer admitir a possibilidade do cérebro parar de pensar nem que seja por um brevíssimo lapso de tempo.

Compreender o sentido do estado de vacuidade requereria ao menos uma disposição para perceber o funcionamento de nosso corpo, acalma-lo, senti-lo. O trabalho de Adriana Amaral coloca-se diante de outro modo de percepção das coisas, a partir de um estado de suspensão em que nada se apresenta como tangível. O silêncio que atravessa as imagens parece dizer respeito a um tempo que nunca mais poderá repetir-se existencialmente a não ser por meio de fotografias.

“A reta é uma curva que não sonha”, são esculturas do artista campo-grandense James Cáceres.  O artista cujas vivências foram impregnadas pelos encantamentos da fauna do Cerrado e do Pantanal foram ambientes onde encontrou inspiração para criar sua poética própria.
Seu desejo em ver preservados os animais que lá vivem, fizeram com que buscasse uma linguagem que pudesse incorporar a alma dessa fauna, dando-lhes um corpo forte, rígido e inatingível, mas com a suavidade e a leveza de suas almas, livres em seu habitat coletivo.
Então, ele ousou tecer com arame de aço emaranhados que aos poucos foram se transformando em representações de seus animais, puros e encantadores.
A maestria do artista que sabe aonde cada fio conduzirá àqueles que veem sua obra, os coloca em contato com a alma dos animais, protegida pelo emaranhado de fios de aço, que sem requerer detalhes, aproximam da pureza de suas formas.
James Cáceres faz uma homenagem ao centenário do grande Poeta Manoel de Barros ao utilizar como tema de sua exposição um verso do poeta. Sua arte coloca em contato com a essência dos animais que ele representa, e faz refletir sobre a necessidade do convívio harmonioso do homem com a natureza e os animais.

Já em “Atualidades” assemblagens do artista Romário Batista (ES), por meio da exposição busca conscientizar a população acerca do consumo. A partir da coleta e recuperação de materiais e objetos é ativada a prática criativa do artista. Nascido na Bahia e residente de Vila Velha, Espírito Santo desde 2009, o artista circula por múltiplas linguagens como desenho, pintura e escultura e apresenta a série de trabalhos em que relaciona reuso e consumo inserindo sua obra num contexto urbano.

Em sua produção atual está atendendo a agenda criada em torno do resgate de resíduos e de acontecimentos. O pensamento sobre a dinâmica da sociedade atual é a ferramenta motriz constituinte para a materialização de seu fazer artístico.

Envolvido em uma sensação de nostalgia e urgência, ressignificou os limites dos “cinco erres” da educação ambiental – repensar, reduzir, recusar, reutilizar e reciclar estórias infantis do patrimônio imaterial brasileiro e agora apresenta no Museu de Arte Contemporânea de MS (Marco) trabalhos que exprimem a ideia “Atualidades” por meio da obra e visão do artista.
As pinturas da artista paulistana Tatiana Cipoli tem como tema “FragmentAção” e apresenta três séries de trabalhos executadas em técnica mista, onde a tela é trabalhada além da pintura ou desenho (ou mesmo na ausência dela) através de um processo que envolve a “criação-destruição-reconstrução” da imagem, onde a liberdade da criação, o desapego da destruição e as muitas possibilidades oferecidas pelos fragmentos na reconstrução fazem do processo uma constante transformação.

Três séries de trabalho fazem parte da exposição. São elas: “Conflitos” e “Frente-Verso” que tratam de dualidades, de elementos que contém em si dois princípios, duas naturezas, podendo ser elas comportamentais ou plásticas e “Identidade” que aborda a formação e transformação do indivíduo.

As obras que integram a série “Conflitos” tratam de relações conflituosas e preconceito, onde cada obra é representada pelo retrato de uma das extremidades de uma relação. A série é composta por três conjuntos de obras e tratam de questões sociais, sexistas e raciais. “Frente-Verso” é formada por dois conjuntos de obras, e procura trabalhar as duas faces de uma mesma imagem a fim de criar uma nova imagem. Em “Identidade” um único ser é representado em diversas etapas de sua vida, de forma repetida e multiplicada – a formação dos vários “eu(s)”. O ser formado de fragmentos onde as experiências passadas, as reflexões do presente e os anseios futuros se misturam e se transformam a cada instante caminhando para abstração.

Já Coleção particular de Herbert Covre agrupa gravuras do artista lituano Lasar Segall. O artista nasceu em Vilna, capital da Lituânia, em 1891. Em 1906, aos quinze anos de idade, vai para a Alemanha, onde inicia sua formação artística nas Academias de Belas Artes de Berlim e Dresden, cidade para a qual se transfere em 1910. Em 1913 vem ao Brasil por oito meses, expondo nas cidades de São Paulo e Campinas. Inicialmente influenciado pelo impressionismo social de Max Liebermann, principal expoente da Secessão Berlinense, que retratava interiores pobres e acanhados, Segall aproxima-se a seguir do grupo de artistas expressionistas, com os quais se identifica na busca por uma expressão “interiormente verdadeira”, segundo suas palavras.

É um dos fundadores da Secessão de Dresden – Grupo 1919, formada por jovens artistas com propósitos revolucionários, entre os quais Otto Dix, Otto Schubert e Will Heckrott, que promovem exposições e publicações. Sua produção desse período – desenhos, gravuras, pinturas sobre papel e pinturas a óleo sobre tela – sublinha a presença de uma forte personalidade eslava em meio aos expressionistas alemães. Em 1923, durante a crise econômica, política e de valores que atinge a Alemanha derrotada na Primeira Guerra Mundial, o artista emigra para o Brasil.

 Aqui, sua pintura se transforma, sob o impacto da luz tropical, da exuberância da vegetação e dos tipos humanos, principalmente negros, habitantes do campo e das favelas. Volta à Europa em 1928, vivendo em Paris até 1932, período em que começa a esculpir. Ele produz no Brasil uma obra vibrante e sensual, de larga e profunda influência no meio artístico brasileiro. Lasar Segall falece em São Paulo, em 1957, em sua residência, atualmente sede do Museu Lasar Segall.

A Quarta Temporada de Exposições terá abertura dia 06/12 às 19h30 no Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul (MARCO) e ficará aberta ao público até 25/02/2018. É aberto à visitação de terça a sexta, das 7h30 às 17h30. Sábado, domingo e feriado das 14h às 18h. Sempre com entrada franca.

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