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Com toques de Tim Burton, nova versão de 'Desventuras' é mais fiel ao livro

Nova versão da história chega à Netflix nesta sexta-feira (13)

13 JAN 2017
Uol
12h21min
Foto: Divulgação

Em sua primeira incursão fora das páginas dos livros, o filme de 2004 com Jim Carrey, “Desventuras em Série” não teve qualquer envolvimento de seu autor, Daniel Handler, na elaboração dos roteiros. Mas na nova versão da história, que chega à Netflix nesta sexta-feira (13), treze anos depois, Handler não só assina os roteiros como também atua como um dos produtores executivos – o que faz muita diferença para quem acompanha a saga.  

Para os fãs de primeira viagem, a história segue os infortúnios dos três órfãos Baudelaire, Violet (Malina Weissman), Klaus (Louis Hynes) e Sunny (Presley Smith). Após perderem os pais em um incêndio misterioso, eles têm de ficar com um guardião até que a mais velha, Violet, complete 18 anos e tenha acesso à fortuna da família. Mas eles acabam nas mãos do cruel Conde Olaf (Neil Patrick Harris), que está de olho no dinheiro das crianças, e, a partir daí, quase nada de bom acontece. Não à toa, o tema de abertura da série tem um recado claro: “look away” (ou ‘é melhor não olhar’, na versão em português).

Mais do que ser fiel aos acontecimentos literários, que no longa acabaram prejudicados pela necessidade de se condensar três livros em menos de duas horas, a série consegue ser fiel à essência da triste trajetória dos órfãos. O narrador, Lemony Snicket (alter ego de Handler, interpretado por Patrick Watburn) volta e meia aparece em cena para aconselhar que o espectador vá ver outra coisa, assim como nos livros, e a série ainda mantém um clima de fábula, com uma pontinha de esperança em meio à sequência de problemas.  

O formato de série, claramente, beneficia a adaptação. Na telinha, cada um dos livros ganhou dois episódios – ou seja, pelo menos 1h30 – para desenvolver sua história, o que previne cortes abruptos que, muitas vezes, acabam prejudicando aqueles espectadores que não estão familiarizados com a obra original, bem como mudanças de trama que podem mexer com os ânimos dos fãs mais puristas.

A trama sombria é acompanhada de um visual imaginativo e carregado nas cores, que invoca diretores como Tim Burton (que, ironicamente, esteve ligado ao projeto do filme no passado) e Wes Anderson.  Também se sobressai o humor irônico, e frequentemente metalinguístico, trazido principalmente por Watburn e por Harris, bem acompanhados por coadjuvantes como Joan Cusack e Alfre Woodward, que entregam performances divertidas como a juíza Strauss e a tia Josephine, respectivamente. Assim como a maior parte dos personagens adultos da série, elas caem facilmente nas armadilhas do conde e isso, em vez de ser apenas ridículo, é deliciosamente engraçado de se ver, assim como nos livros.

Com a missão de liderar o elenco e fazer a trama se mover, Harris está visivelmente à vontade no papel de Conde Olaf. Ele se entrega aos absurdos do personagem, um ator canastrão extremamente narcisista e vilanesco, e vai mostrando novas faces dele a cada disfarce que assume em sua caçada às crianças.

“Desventuras em Série” se prova uma produção divertida até mesmo para quem não tem familiaridade com os 13 livros de Handler. E quem for fisgado, já pode se preparar: em entrevista à imprensa internacional, Handler afirmou que já trabalha na segunda temporada da série que, se confirmada pela Netflix, deve ter 10 episódios. 

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