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De tereré com Jads e Jadson a história de violão, Victor e Léo encantam em show na Capital

Victor conta de relação especial com instrumento que o acompanha desde o início da carreira; já Léo dá aula de respeito com todos os gêneros musicais

13 JUN 2017
Diana Christie
13h19min
Foto: Wesley Ortiz

Dia dos Namorados, clima de romance no ar. Mas esse não foi, nem de longe, o assunto com os sertanejos Victor e Léo, antes do show realizado na noite desta segunda-feira (12), no Diamond Hall, em Campo Grande. De tereré com os queridos Jads e Jadson ao respeito com outros cantores do nicho sertanejo e demais gêneros, os cantores esbanjaram simpatia e mostraram que ainda têm muito a contribuir.

Se a fama de Victor não está muito favorável no momento, com as denúncias de possíveis agressões à esposa, em conversa com a imprensa sul-mato-grossense, ele revela um lado doce e também sentimental. Com um sorriso um tanto tímido para alguém acostumado aos palcos, ele conta, com nuances de saudade, a história do primeiro violão, comprado quando ainda não era conhecido e se aventurava nas noites de São Paulo.

“Tem uma rua de muitos instrumentos musicais, eu visitei loja a loja ali buscando violões que eu já conhecia. Alguns eram muito caros para eu poder adquirir, outros não eram tão caros, mas não correspondiam ao som que eu queria. Um dia eu cheguei em uma loja que eu tinha dada por descartada, uma pequenininha, tinha um senhor lá, ele me viu tocar e falou ‘eu tô com um violão aqui que eu tenho a impressão que vai ser para as suas mãos’”, relembra.

Parece o início de uma história de contos de fadas, e talvez seja já que foi uma ‘Fada’ – a música – que fez a dupla estourar em todo o país. Para os fãs que acompanham os irmãos há mais tempo, impossível não lembrar da casa cheia dos primeiros shows em Campo Grande, onde não cabia tanta gente no Parque de Exposições Laucídio Coelho.  Mas voltando, o conto de amor entre Victor e seu violão continua.

“[Era] o violão que um cara comprou, trouxe do Canadá. Ele não pagou e o violão ficou aqui e todo mundo que vem aqui não se dá bem com ele por causa do som que ele tem, que é mais espetado. Era um Godin, com cordas de aço. Falei ‘eu não conheço’. Ele falou ‘você não conhece um Godin?’ Eu olhei aquele violão fininho, vou fazer um som para ver aqui qual é. No primeiro som, já antes de plugar, eu já tinha percebido que aquilo ali tinha haver com a minha alma, com a minha percepção musical”, completa Victor.

O violão, primeiro amor do sertanejo, foi então adquirido com o que Victor classifica como “suaves prestações” e, até hoje, o acompanha nos shows Brasil afora nesse belo romance.


Sertanejo verdadeiro?

Acompanhando com um sorriso a história do irmão, é a vez de Léo mostrar porque a dupla está em sintonia. Para ele, uma pergunta difícil, discorrer sobre o sertanejo verdadeiro, se Victor e Léo seriam um dos últimos representantes do gênero, hoje tão plural e com tantas variações. Na resposta, uma lição de respeito com as diferentes representações da arte e, na lembrança, os amigos Jads e Jadson, companheiros do tereré sul-mato-grossense, também representantes do sertanejo.

“Acho que todos eles [diferentes cantores] vem de um ninho principal que é a música sertaneja. Por mais que sejam afluentes diferentes, outras referências, outras influências, tudo é música sertaneja. Hoje, quando se fala em música, há uma mistura generalizada, universal, não só no Brasil mas como fora do Brasil. Eu vejo isso com bons olhos também porque, de certa forma, desmistifica um pouco essa questão de musica e gênero. Já não cabe mais. Acho que a música é uma mistura hoje”, destaca.


Planos futuros

E na comemoração dos 25 de carreira dos irmãos, que colecionam 14 CDs, quatro DVDs ao vivo e dois Blu-rays, além de dois DVDs documentários: "Nada Es Normal", em espanhol, e "Victor & Leo - A História", nada melhor que falar sobre o futuro. Segundo a dupla, a música ‘Senhorita’ é a primeira canção a ser lançada de um disco novo que está em produção. Intitulado ‘Na Luz do Sol’, novo CD está por vir entre julho e agosto. São 12 canções inéditas que prometem embalar muitos sonhadores ainda. E o show? Ah, saudades é a palavra que define!

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