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Movimento do Comércio de janeiro tem alta em comparação ao ano anterior

Levantamento mostra, por meio das transações entre empresas, que os empresários também estão mais confiantes na retomada da economia

15 FEV 2017
ACICG
14h31min
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A pesquisa do Movimento do Comércio Varejista (MCV) realizada pela Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG), mostrou que o mês de janeiro deste ano sofreu queda nas vendas em relação a dezembro de 2016, porém, foi melhor para a economia se comparado ao mesmo período do ano passado. O índice alcançou 90 pontos, 30 pontos abaixo do indicador de dezembro (120), mas 16 pontos acima do mesmo período em 2016 (74). 
 
Economista-chefe da ACICG, Normann Kallmus explica que este é o terceiro mês consecutivo a registrar melhora no desempenho em comparação com o mesmo período do ano anterior. “Não é, definitivamente, o melhor resultado da história e era até mesmo esperada uma redução no desempenho do indicador do mês. No entanto, os indicadores econômicos de hoje são definitivamente mais animadores do que aqueles que tínhamos em 2016. Basta lembrar que convivíamos com uma taxa de inflação anual de dois dígitos e hoje, pela primeira vez, projeta-se uma taxa abaixo da meta de 4,5%. Do ponto de vista econômico, portanto, quer no cenário nacional, quer no local, os indicadores são de recomposição. Já em relação aos aspectos políticos, os riscos continuam altos e nada indica que serão reduzidos no curto prazo”, analisa.
 
Metodologia - O MCV/ACICG é um índice apurado a partir da evolução dos dados do setor, englobando as transações realizadas entre empresas e também entre consumidores e o comércio. Considerando a sazonalidade característica da atividade comercial, o MCV foi desenvolvido com base fixa definida pela média do desempenho do ano de 2014. O Índice é composto de dois outros sub índices que ajudam a avaliar sua evolução: o MCV-PF, que analisa as transações entre Pessoas Físicas e as empresas do setor terciário, e o MCV-PJ, que avalia as transações entre as empresas.
 
O MCV-PF de janeiro foi de 90 pontos, contra os 74 registrados no mesmo mês de 2016, 91 em 2015, e 109 em 2014. “Percebe-se, portanto, que a recuperação só pode ser sentida porque estamos comparando com uma base extremamente baixa do ano passado”, afirma o economista.
 
Para ilustrar a situação dos empresários, o MCV-PJ de janeiro foi de 85 pontos, contra os 69 alcançados em janeiro de 2016, e 85 em 2015. O indicador também aumentou em relação aos três meses anteriores (outubro e novembro 81, e dezembro 72), demonstrando que as empresas reagiram à retomada dos negócios.
 
“É exatamente esse aspecto o que mais interessa na análise do mês de janeiro, vez que as negociações B2B estiveram claramente deprimidas durante os últimos meses. Deve-se destacar que o MCV-PJ de janeiro foi superior somente ao de 2016, demonstrando que as transações entre empresas continuam abaixo dos valores históricos em função da evidente retração do mercado e da tendência de redução de estoques, evitando imobilizações sem garantia de liquidez. Há que se considerar, ainda, que o governo do estado promoveu outro aumento na base de cálculo do ICMS, sugando ainda mais recursos da economia e reduzindo a competitividade e Mato Grosso do Sul”, completa Kallmus.
 
Curva de Tendência - A Curva de Tendência é um modelo matemático que nos possibilita projetar o comportamento de uma série considerando impactos sazonais. O gráfico abaixo apresenta a curva de tendência (linha tracejada), elaborada a partir das médias móveis de 4 meses. “Como se verifica, com esse critério temos agora uma tendência de redução do indicador para o mês em curso, como reflexo do baixo desempenho de outubro, aliado à queda de janeiro. Nossa expectativa, portanto, é de redução do MCV em fevereiro. O mês curto e o carnaval devem confirmar essa tendência. O pagamento dos impostos, matrículas, feriados e os ajustes necessários do orçamento municipal, deverão drenar recursos do comércio local que, espera-se, retornarão a patamares maiores em março”, finaliza Normann Kallmus. 

Como comentamos anteriormente, a PEC 241 era essencial para fazer com que os governantes prestassem atenção aos orçamentos, o que aparentemente começa a ocorrer, mas os resultados ainda são tímidos e, muitas vezes, as soluções encontradas são dissociadas da realidade.
 
Mais uma vez isso ocorreu no governo do estado, com outro aumento no MVA promovido em janeiro, resultando em uma carga ainda maior sobre o consumidor e, na prática, reduzindo a competitividade da empresa local.
 
Os movimentos do presidente Temer, indicando aliados para cargos com foro privilegiado, não ajudam em nada a melhorar a imagem do país. Da mesma forma, a crise da segurança pública e a tentativa de alguns governadores de transferir ao governo federal o ônus de sua irresponsabilidade fiscal, só colaboram para insegurança jurídica que afasta investimentos.
 
É essencial que os governos compreendam que sua capacidade de ampliar gastos estará comprometida pelos próximos anos. Ou a iniciativa privada toma a si essa tarefa, inclusive em relação à infraestrutura, ou só veremos se agravar o atual quadro.
 
Conquanto estejam sendo encaminhados os processos das reformas previdenciária e trabalhista, a insistência de agentes políticos buscando preservar-se em relação às descobertas da Lava-Jato compromete os resultados frágeis obtidos até agora, mantendo a incerteza sobre a capacidade do governo em estabelecer bases seguras para os investimentos.
 
A inflação de 0,38% de janeiro reforça a convergência para a meta do Banco Central, mas os indicadores de desempenho da indústria continuam praticamente estagnados. No nível municipal, como se verifica no gráfico, não se sustenta a alegação de que foram reduzidos os repasses do governo do estado ao município. Pelo contrário, os repasses em 2016 foram em muito (105%) superiores aos valores de 2015, o que definitivamente afasta a justificativa de falta de recursos para manter o funcionamento da máquina, por vezes utilizado pela administração anterior.

A economia da capital deverá ser fortemente afetada pelos movimentos da gestão municipal. O desenvolvimento de propostas inovadoras e a recuperação das estruturas de gestão, bastante comprometidas nos últimos anos, poderá fazer com que o município passe a gozar de maior resiliência e, com isso, ver minimizados os reflexos dos problemas nacionais e estaduais.

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nando viana

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