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Aluno acusa diretor de Escola Estadual em MS de homofobia

Palestra do Projeto Intervenção foi cancelada no dia da apresentação

5 JAN 2018
Bruna Vasconcelos
07h00min
Diretor e Coordenadoria Regional não comentaram sobre assunto Foto: Luiz Maique

Um adolescente, estudante do 2º ano do Ensino Médio, acusa o diretor da Escola Estadual Dóris Mendes Trindade, em Aquidauana, de homofobia. O desentendimento teria iniciado após o diretor podar uma palestra sobre homossexualidade que seria ministrada no pátio da Instituição.

O bate-papo faria parte do cronograma do Projeto de Intervenção, realizado na disciplina de História. O estudante afirmou que a professora e o coordenador de ensino já teriam aprovado o tema e o problema iniciou no dia da apresentação, 29 de Novembro, quando o jovem foi buscar o projetor e acabou sendo impedido pelo diretor.

“Ele disse que o tema que eu escolhi (homossexualidade e transsexualidade) não poderia ser discutido no pátio da Escola. A palestrante já estava pronta para iniciar o bate-papo e o diretor disse que se eu quisesse trazer alguém para falar sobre isso que fosse feito entre 4 paredes.”

O aluno ainda conta que o tema foi um dos sugeridos pela própria professora que disponibilizou diversos assuntos para os jovens debaterem. O projeto de intervenção englobava desde racismo até homossexualidade, mas somente o escolhido pelo adolescente foi impedido de ser discutido no pátio.

“A palestrante iria falar sobre identidade de gênero, questões trans, banheiro e outros pontos que iriam ajudar e esclarecer muitas dúvidas.”

Após ter tema e palestrante escolhidos, o segundo passo foi elaborar um cronograma e enviar para o coordenador de ensino. Assim que aprovado pelo profissional, os convites foram confeccionados e o evento divulgado para alunos e convidados.

“Estava tudo aprovado, mas ele afirmou que somente seria feito dentro de sala, mas não soube explicar o porquê. Tentei questionar, mas ele também não quis conversa e simplesmente depois de tudo divulgado ele não deixou que o tema fosse tratado na Escola. Para mim foi preconceito, homofobia.”

A reportagem entrou em contato com o diretor da Escola, José Ramão Marinho, que alegou não poder comentar sobre o caso. Marinho pediu que os questionamentos fossem feitos na Coordenadoria Regional de Educação de Aquidauana (CRE-1).

Ao entrar em contato com a responsável pela Coordenadoria, Gleide Godoy Veloso Gomes, e perguntar sobre o ocorrido, a mulher informou que não ia responder perguntas da imprensa e limitou-se a dizer rispidamente: “não vou falar nada, isso é com a Assessoria Jurídica na Secretaria de Estado de Educação (SED)”, desligando o telefone imediatamente sem mais informações.

A Assessoria Jurídica não é a área responsável pelo fato e, por meio de Assessoria de Imprensa, a SED afirmou que vai acompanhar o caso e tomar os encaminhamentos necessários.

Confira a nota na íntegra:

Diante do exposto pelo TopMídia sobre a EE Profª Dóris Mendes Trindade, a Secretaria de Estado de Educação (SED) está acompanhando o caso, por meio da Coordenadoria Regional de Educação de Aquidauana (CRE-1), para que seja feita uma análise da ocorrência e tomados os encaminhamentos necessários.

De acordo com o diretor da escola, José Ramão Marinho, ele mantém um bom relacionamento com o estudante em questão e não se julga homofóbico, destacando que em 12 anos à frente da escola nunca houve qualquer tipo de situação que dissesse o contrário.

A SED mantém a Coordenadoria de Políticas Especificas para Educação, que tem entre suas funções implementar as políticas públicas voltadas para a questão LGBTTTIS (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis, transgêneros, intersexuais e simpatizantes), enviando orientações para as escolas e contribuindo com formações para professores, sempre procurando pautar e respeitar todas as orientações de gênero.

Desenvolvendo a cultura da paz, da tolerância e da convivência respeitosa entre os estudantes e toda a comunidade interna e externa da escola, a SED desenvolve o Programa CAP – Cultura, Arte e Paz, que tem promovido formações, oficinas e palestras para as escolas, tanto como prevenção, quanto para as que registram ocorrências ou que solicitam os temas ligados a gênero, valorização da vida e respeito e convivência. 

Diversas parcerias são formadas para o desenvolvimento do Programa, entre elas: Centro de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate a Homofobia e Coordenadoria de Educação e Capacitação em Direitos Humanos, da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho (Sedhdast); Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

 

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