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Ex-reitor, empresário transforma restaurante saudável em império na 'terra da carne'

Alfredo Barbosa Souza Junior agarrou as oportunidades e trocou a sala de aula pela cozinha comercial

23 ABR 2018
Bruna Vasconcelos
11h50min
Alfredo fundou o restaurante há 35 anos Foto: André de Abreu

A vivacidade de aproveitar as chances que aparecem pela vida transformou um ex-reitor universitário em um empreendedor da área fitness na capital de Mato Grosso do Sul, município conhecido pela cultura bovina e gastronomia pantaneira. Alfredo Barbosa Souza Filho, idealizador do restaurante Viva a Vida, agarrou a oportunidade de criar um estabelecimento saudável há 35 anos, época em que a população ainda torcia o nariz para cultura do bem-estar e alimentação balançeada.

Da rotina acadêmica para a cozinha fitness, o empresário abriu um leque de opções alimentícias no cardápio e acabou construindo um verdadeiro império, onde reúne visão comercial, expressividade e bom humor. 

Formado na Escola de Comunicação e Artes, o paulista, de 70 anos, trilhou a história do restaurante ovolactovegetariano em cima da qualidade nutricional e prazeroso sabor. O sucesso foi tanto que, no mês passado, Alfredo inaugurou a segunda unidade da marca. 

Confira a entrevista completa:

TopMídiaNews: Como foi a transição da Universidade Federal para o empreendedorismo?

Alfredo: Vim namorando para Campo Grande e logo casei, sou paulista. Vim trabalhar como assessor de comunicação da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, na época fiquei quatro anos, virei até reitor. Compraram meu passe para a Universidade Federal, virei pró-reitor e aí entra a história de fazer restaurante em 1984.

O Governo do Estado me procurou para tentar fazer uma parceria para fornecer comida para a Academia de Polícia, mas o Restaurante Universitário não tinha condições para isso. Eles me falaram de um espaço maravilhoso fechado no clube dos servidores, isso me abriu os olhos. Fui visitar o local, gostei, procurei o Estado e disse que ao invés da parceria com a UFMS, podíamos fazer um restaurante e abri o estabelecimento. Na primeira época era ovolactovegetariano (sem carnes) e o povo disse que ia dar problema. Por que, na terra da carne, abrir um estabelecimento ovolactovegetariano? Mas abrimos o Viva a Vida. 

TopMídiaNews: Nesses 35 anos de história, por onde o Viva a Vida passou?

Alfredo: Começou atendendo a Academia de Polícia, depois Secretaria de Administração, Secretaria de Fazenda e todas as Secretarias. Três anos depois estávamos servindo, em média, 600 refeições por dia. Domingo se tornou um point de passeio em Campo Grande. Durante um dos planos malucos do Brasil, nós fomos para a licitação pública a fim de continuar servindo o Estado, mas alguém deu um valor menor.

Nesse período eu saí da UFMS, mas tive um aluno que um dia me procurou e pediu uma consultoria do que fazer com um espaço que ele possuia. A área era na região central de Campo Grande, onde se concentrava os trabalhadores e tinha alto fluxo de pedestres. Mudei pra lá e a coisa pegou. Estava sobrando espaço. Comecei a servir carnes vermelhas e brancas, e tocamos bala. Começou a entrar gente e, nesse período, cheguei a atender mil clientes por dia. Foi loucura, cerca de 54 funcionários.

TopMídiaNews: E por que trocou de ponto?

Alfredo: Nesse tempo, abriu um shopping nas proximidades e a clientela diminuiu. Fiz cursos, me especializei e decidi que ia trocar de ponto. Achei um casarão velho onde não tinha nada dentro, nem fiação elétrica, mas decidi montar lá porque me apaixonei pelo imóvel. Me aposentei na faculdade e dei o restaurante para as minhas filhas tocarem. Como não queria ficar parado, fui fazer faculdade de psicologia e tem seis anos que me formei.

TopMídiaNews: Como surgiu a ideia de uma segunda unidade?

Alfredo: As filhas são sócias e eu senti a necessidade de abrir uma segunda unidade. Nunca perdi de vista o Parque dos Poderes, desde a época que montei o comércio. Recebi uma herança e o que você faz com o dinheiro? Achei um ponto, falei com minha mulher, minhas filhas gostaram e em seis meses começamos as obras. Inauguramos no mês passado.

TopMídiaNews: Como o senhor analisa a trajetória do restaurante traçada até aqui?

Alfredo: Trabalhei demais, mas está ótimo. Estou com saúde. Escolhi o cardápio saudável e balanceado porque tenho uma ligação familiar onde nos alimentamos assim. Hoje em dia, com esse estilo de vida natural, é tudo sem carne gordurosa. Eu não me enterro naquilo, se tiver na mesa eu como.

TopMídiaNews: Então se sente feliz com o império que montou?

Alfredo: Todo dia ao acordar, eu vejo se não tive um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e se consigo raciocinar. Tenho para onde ir? Esse país só gosta de gente nova, no Brasil o velho não tem espaço. Minha paixão sempre foi por viver. Me sinto bem, tenho meus amigos, ligo, converso com eles. Tenho celular com aplicativos de mensagens. 

TopMídiaNews: E como é mudar a rotina de lecionar para a de administrar um estabelecimento?

Alfredo: Eu tenho umas planilhas mágicas onde coloco tudo o que eu gastei. A organização é fundamental, desde pagamento de funcionários até o que gastei de compras então, quando chega o dia 30, eu tenho uma avaliação. Sempre em uma boa empresa, o quadro pessoal é o mais importante. O pagamento dos funcionários é feito em cima da planilha. A conta de luz, por exemplo, é o de menos. Faz 34 anos que lido com pessoas e não tive nenhum tipo de reclamação de empregado na Justiça. A organização é fundamental. Além dela, eu tenho uma agenda onde eu anoto tudo e depois coloco no computador. Pagamento dos meus fornecedores é à vista, nada para depois. Eu tenho que ser amigo do meu fornecedor.

TopMídiaNews: A mudança dos hábitos alimentares da população, com o passar dos anos, beneficiou o estabelecimento?

Alfredo: O nosso número de clientes aumentou muito, foi uma beleza. A minha comida vende a ideia de frescor e leveza. Uma vez fui para a Bolívia e eu não quis comer a comida de lá. Me ofereceram quinoa em uma época que nem se tinham ouvido falar nisso aqui no Brasil. Comi, gostei e eu trouxe pro meu restaurante há tempos. Hoje em dia é febre na mesa dos consumidores adeptos à vida saudável. Hoje, é o top da moda! Quando chegou aqui eu falei: "já conheço". 

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