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À frente do espetáculo 'Pedra Bruta', diretor relembra infância e analisa cenário artístico em MS

Nill deu os primeiros passos no teatro ao lado de colegas na escola e se dedicou à profissão ao lado da atriz e diretora Miriam Muniz

14 MAI 2018
Dany Nascimento
13h08min
Foto: Wesley Ortiz

A ligação do diretor Nill Amaral com o teatro começou ainda na infância, ao lado de colegas de escolas no município de Dourados. Ele relembra que ficava observando a mãe ouvindo rádio novela e tentava entender o que a atitude oferecia de bom para a vida da genitora.

O diretor deixou Mato Grosso do Sul para se dedicar a um curso da atriz e diretora Miriam Muniz na década de 90 e atualmente comanda o grupo CIA Ofit, com o espetáculo Pedra Bruta - Ensaio para colher o provisório das coisas, de Éder Rodrigues.

“Desde muito cedo eu comecei a desenvolver alguns espetáculos na escola onde eu estudava ao lado dos colegas. Depois a oportunidade de fazer teatro mesmo veio quando eu me mudei para São Paulo e fiz curso com a diretora e atriz Mirim Muniz”, diz o diretor.

Confira a entrevista completa:

TopMídiaNews: como começou sua ligação com o teatro?

Nill Amaral: antes era só na escola, comecei a desenvolver alguns grupos não profissionais na cidade de Dourados e fui para São Paulo, depois ingressei no curso da Miriam Muniz nos anos 90. Com ela fiz curso informal de quase quatro anos, depois fui para universidade e comecei a travar uma relação maior com pesquisa, um trabalho mais conceitual.

TopMídiaNews: seus familiares apoiavam seu interesse pelo teatro?

Nill Amaral: Sim, a família sempre apoiou, tive muito apoio.

TopMídiaNews: onde se tornou bacharel em artes cênicas?

Nill Amaral: sou bacharel e especialista na UFGD (Universidade Federal da Grande Doutados), sou da primeira turma de artes cênicas - direção teatral. Na sequência fui para Unicamp e faço disciplina de doutorado. Antes de ingressar no curso da Miriam Muniz, tinha base com teatro amador, teatro que você constrói  mas não tem nenhuma referência, eles vêm daquilo que você vê, daquilo que chega até você.

Minha mãe, por exemplo, assistia novela de rádio, então passei toda minha infância observando aquele ouvido atento ao rádio, me perguntava o que aquilo acrescentava na vida dela, vi que ela se envolvia com as histórias, ela e minha irmã mais velha, achei interessante porque saía da nossa realidade. Daí comecei a desenvolver algumas histórias nessa comunidade que eu vivia, fazíamos adaptações de histórias, criava figurinos com o que tinha em casa. Hoje continuamos fazendo a mesma coisa, sabendo o que aquilo pode ou não comunicar, um trabalho mais conceitual, que atende ao público.

TopMídiaNews: você acha que o Estado e o Município fornecem o apoio que as pessoas precisam para realizar trabalhos a frente do teatro?

Nill Amaral: a CIA Ofit tem feito trabalho com repercussão não só no Estado, mas também fora. Todo trabalho que desenvolvemos com pesquisa, tem feito um público expressivo. No Estado temos alcançado bastante êxito não só de apoio, como incentivo para continuar atuando, eu acredito que não é falta de valorização, acredito que o Estado e município valorizam. O Pedra Bruta se fundou por meio do Fomteatro, meio de apoio do município, tem parceria do governo do Estado através da secretaria de cultura, que nos promoveu uma reforma no espaço do teatro Aracy Balabanian. Existe valorização no sentindo de que, quando você tem trabalho de qualidade que dialoga com público, acho que tem espaço sim. Nosso trabalho é visto como um trabalho de qualidade. 

O que acontece no Estado, mas especialmente no município, é que as produções, por mais que o teatro tem se ampliado com pesquisas que buscam identidade cultural, eu acho que tem carência grande de informação, falta as pessoas buscarem uma identificação ou com universidade, ou mesmo realizar um processo de intercâmbio, envolver profissionais para renovar a linguagem. Nesse sentido, eu acho que a gente tem feito um trabalho mais à frente da companhia porque buscamos esse diálogo.

TopMídiaNews: como é realizado seu trabalho à frente da CIA?

Nill Amaral: eu busco diálogo com outros profissionais, no sentindo de trazer proposta que possa não só ser inovadora no sentido de projeto, questionando o que é pertinente, o que pode ser interessante para produzir a cada semestre dentro do nosso município.

TopMídiaNews: como o espetáculo Pedra Bruta foi desenvolvido?

Nill Amaral: ele estreou no dia 3 de maio, é um espetáculo originário do projeto Amadores - O que você gostaria de dizer através do teatro e não teve oportunidade, que inicialmente foi construído em novembro de 2017. Com essa premissa, desenvolvemos toda dramaturgia, o que originou o  Pedra Bruta. O projeto surge exatamente com essa questão, o que é ser profissional dentro do Estado de Mato Grosso do Sul, quando você tem projeto que cumpre cinco apresentações, mas não tem mecanismos para continuar com esse espetáculo, ele se dilui.

TopMídiaNews: qual a meta do grupo a frente da peça?

Nill Amaral: nossa meta a partir dessa realização é buscar novas formas de continua com o espetáculo. Passa a criar novos mecanismos para manter o espetáculo, para continuar com novas temporadas. Quando construímos o projeto, criamos plataforma dentro do site uma ficha de inscrição e o questionário. Foram 100 inscritos, 73 compareceram para a entrevista. Durante dois dias selecionamos 23, que subiram e ficaram três dias fazendo um workshop, que serviu para a gente descobrir algumas características dessas pessoas que pudessem servir ao projeto, que pudessem dialogar porque iria durar três meses.

O projeto não partia de nenhum conceito, de nenhuma estética de oficina, para fazer oficina tem que fazer outros atravessamentos. Você dirige toda uma equipe, tem diálogo com iluminador, tem o diálogo com o ator, como figurinista, com técnico, com sonoplasta, com cara que vai fazer a trilha.

TopMídiaNews: qual a principal dificuldade ao dirigir uma equipe de teatro?

Nill Amaral: se eu não tiver equipe para ter afinidade, solucionar problema, trazer estética pensada para o público, talvez a maior dificuldade seria não ter essa equipe. Hoje já somos esses nomes a importância de um assistente de direção, uma pessoa que você possa confiar, estar quando eu estou viajando para concluir meus estudos, para que ela fique a frente, talvez seja um nome a se pensar. Hoje ainda consigo estar muito presente, mas independe, é importante ampliar o número de pessoas, no sentindo de que todos estejam em pé de igualdade com toda a estética. Não ter muitas divergências de ideias, que acabam chocando o próprio trabalho.

TopMídiaNews: qual a maior alegria diante da sua carreira?

Nill Amaral: é poder perceber o quanto essas pessoas amadureceram durante o processo, fazer os futuros atores perceberem o crescimento do projeto quando você coloca isso a frente do público. Ver a receptividade diante do projeto, essa tem sido a maior satisfação e espero que ele se revigore cada vez mais.

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