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Jovem enfrentou racismo no futebol europeu e hoje é dono de barbearia em Campo Grande

Rafael afirma que enfrentou muitas dificuldades antes de abandonar os campos

14 NOV 2016
Dany Nascimento
15h34min
Rafael atuou na Eslováquia, mas o preconceito e a falta de pagamento trouxeram o jovem de volta ao Brasil Foto: Geovanni Gomes

Os 'primeiros' passos no futebol foi incentivado pelo pai e foi assim que Rafael Ricardo de Oliveira Torres, 27 anos, relembra da infância quando deu início ao sonho de se tornar jogador profissional. O atleta destaca que, após se destacar nos campeonatos que eram realizados em Campo Grande, surgiu a primeira oportunidade de jogar fora e com 14 anos, aceitou o desafiou e começou a defender a camisa do PSTC em Londrina.

Rafael recebeu propostas para jogar pelo Palmeiras e Corinthians, mas a omissão de informações do empresário trouxe decepção para a carreira em campo. Um novo desafio surgiu e o craque deixou o país para jogar na Eslováquia, mas o racismo que enfrentou e a falta de pagamento foram responsáveis pela volta de Rafael à Capital.

O sonho de ter a habilidade dos pés reconhecida deu uma pausa e hoje, Rafael busca o reconhecimento das empresas que conseguiu montar. Ao falar dos campos, o jovem diz que não descarta voltar jogar futebol, mas relembra que agora não pode arriscar e troca o certo pelo duvidoso.

Confira abaixo a entrevista completa com Rafael Ricardo:

TopMídiaNews: Como nasceu o sonho de ter o futebol como profissão?

Rafael: Eu comecei com 5 anos sempre incentivado pelo meu pai, ele treinava um time e eu sempre estava com ele na beira dos campos e treinando também. Meu pai é apaixonado por futebol, isso veio de sangue. Eu recebi proposta para ganhar bolsa de estudos no colégio Osvaldo Cruz e  com 6 anos fui pra lá.  Com 12 anos, recebi proposta para jogar no ABC, comecei estudar lá com a minha irmã, ela fazia outra modalidade e com 14 anos sai pela primeira vez de Campo Grande.

TopMídiaNews: A proposta para sair da cidade era para atuar no futsal?

Rafael: Aqui eu jogava futsal e campo, mas sai da cidade para jogar apenas campo pelo PSTC de Londrina, fiquei lá de 2004 a 2006, depois fui para o Atlético Paranaense até 2007, fiz uma passagem pelo internacional de Porto Alegre, depois me profissionalizei no Inter, mas joguei só no profissional B, em 2008 fui para o Roma de Apucarana, fiquei até 2009 e em 2010 fui para Arapongas.

TopMídiaNews: Em que momento o empresário omitiu informações, te fazendo desistir de fazer teste no Palmeiras?

Rafael: Foi no Inter que aconteceu, eu tinha acabado de assinar contrato e ele queria me tirar para ir para o Corinthians, eu disse que não ia porque tinha acabado de assinar contrato. Depois ele falou que era para ir para o Palmeiras, dai eu disse que não queria porque tinha acabado de assinar contrato com o Inter,  dai o próprio empresário, magoado porque eu recusei o que ele achava certo, me queimou dentro do time. Eu tinha chegado fazia 2 meses e não quis ir. Depois recebi proposta do Palmeiras, perdemos Gauchão para o Grêmio, o empresário chegou e falou que a situação estava difícil, falou que eu ia ficar lá, mas as portas estavam abertas, rescindi contrato com Inter e fui para o Palmeiras, troquei o certo pelo duvidoso. Quando cheguei lá, fiquei sabendo que não tinha nada certo, era apenas um teste, larguei mão e vim embora.

TopMídiaNews: Quando surgiu oportunidade de voltar para os campos após essa decepção?

Rafael: Fui para o Roma do Paraná, depois fui para o time do Catar, joguei com Juninho Pernambucano e surgiu oportunidade de ir para a Eslováquia em 2011. Acabando contrato com Arapongas, conheci grupo de empresários e fui fazer teste no leste europeu, no segundo treino, eu  assinei contrato de 3 anos. Cumpri 2 anos, sai de lá por sofrer racismo e pelo salário atrasado. Em 2013, consegui vim embora, eles pagaram um mês e passagem para minha esposa e eu voltar.

TopMídiaNews: Quando percebeu que não dava certo continuar no futebol?

Rafael: Esse ano eu percebi que não dava mais certo, estava no Confiança de Aracaju, jogando a série C da Copa do Brasil Copa do Nordeste, machuquei meu joelho e o time me mandou embora. Entrei na justiça, fiz acordo com eles e resolvi montar a loja. Como eu ia ficar muito tempo parado por conta do joelho, fiquei um ano parado e voltei a jogar agora tem 4 meses.  Desisti, era meu sonho, mas acaba desanimando com tudo que acontece no decorrer do tempo.

TopMídiaNews: Quais são seus novos investimentos como empresário?

Rafael: Montei a loja Vegas Store e tive a ideia de mudar para montar a barbearia junto. Fazer um espaço com jogos de sinuca, video game e jogos de baralho foi um tema que veio na cabeça,  gostamos de jogar pocker, cacheta, jogos de baralho e formamos a loja de início, em seguida montamos a barbearia no mesmo estilo. Eu precisava de alguém para montar comigo, conversando com o meu amigo Renan Torres, resolvemos montar, reunimos a Vegas a Barbearia e abrimos.

TopMídiaNews: Como é funciona a loja e a barbearia?

Rafael: Deixamos os jogos livres para todos os clientes, se está esperando e quiser jogar sinuca ou vídeo game, tem essas opções. Os serviços oferecidos variam de R$ 25 a R$ 80. Vendemos também roupa infantil e masculina.

TopMídiaNews: Após toda turbulência que viveu no futebol, como se sente hoje?

Rafael: Me sinto realizado, não me vejo mais jogando bola, não posso mais arriscar, eu já não tenho idade para arriscar, sou casado há 5 anos, tenho um filho de quase 3 anos de idade, então eu não posso me arriscar. A loja e barbearia é o sustento da minha família.  Hoje eu tenho condição financeira tranquila, não descarto voltar para os campos, mas se receber uma proposta certa, boa, gostaria de voltar.

 

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