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Mistura do Japão com a Bahia, Princesa Nikkey concilia o universo da beleza com ações sociais

Paralelamente a sua carreira de modelo, Jaque Yamashita coordena voluntariado em periferias de Campo Grande em prol da saúde bucal

9 OUT 2017
Amanda Amaral
13h01min
Foto: Wesley Ortiz

Duas paixões fazem parte da vida de Jaqueline Yamashita, 26 anos, a odontologia e trabalhos como modelo. Foi em duas cidades a construção de seu caminho até aqui, Costa Rica, de onde é natural, e Campo Grande, onde vive desde a adolescência. A mistura que leva em seu sangue e traços físicos também é de dois lugares, bem distintos, Bahia e Japão. 

Eleita 2ª Princesa Nikkey em 2016, ela conta em entrevista ao TopMídiaNews sobre como concilia as profissões, os trabalhos sociais que realiza em bairros da periferia da Capital e um pouco da sua história. Confira o bate-papo abaixo:

O que a trouxe do interior de Mato Grosso do Sul para Campo Grande?

Vim pra cá há 14 anos, porque tinha problema sério na coluna e lá não havia recurso, tivemos que vir para a Capital para tratar. Comecei a estudar aqui, aí não voltei mais, entrei na fase da adolescência, ensino médio, precisava me preparar para o vestibular e lá também não tinha muito como. Antes de começar a faculdade de odontologia, não sabia muito o que eu queria como profissão, saí da escola meio perdida. 

Tinha um namorado na época que trabalhava na Associação dos Dentistas e me falou de um curso de auxiliar, que já possibilitava sair preparado para o mercado de trabalho. Aí me apaixonei pela profissão de dentista, durante os seis anos que exerci a atividade de auxiliar. Consegui entrar na universidade e estou formado em odontologia.

(Foto:Wesley Ortiz)

A experiência ajudou durante a formação universitária? Em qual área pretende atuar?

Foi bem mais fácil na faculdade, assimilar matéria, prática, a abordagem com os pacientes. Quando comecei a faculdade, ainda continuei como auxiliar, durante as folgas e finais de semana. 

Faltam dois meses para terminar, pretendo atuar na área de estética, botox, facetas, lente de contato. A pessoa geralmente procura o profissional da odontologia para fins estéticos ou por dor, é uma questão cultural, que junto à Associação Brasileira de Odontologia, tento mudar. É preciso uma educação para a parte preventiva.

E isso está presente em trabalhos sociais que participa, certo?

Levamos informação aos bairros mais carentes de Campo Grande, ensinando crianças e adultos a darem valor à escovação, ao fio dental. Se a gente colocar na cabeça das crianças desde cedo o quanto a saúde bucal é importante, vamos ter menos restaurações, perdas de dente, etc. 

Esses projetos são pela ABO-MS, a diretoria daqui é muito focada. Vamos a escolas, nos bairros, sou hoje coordenadora do setor de voluntariado da ABO, convoco universitários daqui e outras cidades para participarem. No dia 21 de outubro, na Moreninha III vai haver uma grande ação social, com diversas atrações, gincanas, distribuição de kits e tipos de atendimento à população. 

Como conciliar tudo isso com outro universo, seu trabalho como modelo?

Como tive esse problema sério nas costas, sempre precisei tomar muito cuidado com a postura. Então comecei a me portar diferente, senão sentia muita dor, comecei a fazer aulas de ballet e passarela. Com o tempo, começaram a me convidar para alguns trabalhos como modelo, viajei, fiz outros cursos e concursos, desde os 14 anos. 

Agora, em época de mídia social o número de seguidores e curtidas conta muito para as marcas procurarem alguém que as divulgue, então costumo fazer esse tipo de trabalho também, de publicidade. Por exemplo, meu cabelo, maquiagem, pigmentação de sobrancelha e roupas são patrocinados. 

(Fotos:Reprodução/Instagram)

Sua descendência japonesa também lhe rendeu título em concurso. Como é sua relação com a comunidade japonesa e como foi participar do evento?

Ganhei o concurso Miss Nikkey como 2ª Princesa, o que abriu mais portas para outros trabalhos. Minha família é bem tradicional, a parte do meu pai é toda japonesa, minha avó tem 86 anos e até hoje não consegue falar totalmente o português, certinho. Veio refugiada da guerra, chegou a São Paulo, onde conheceu meu avô, que é baiano, aí foram para costa rica. Eu nasci essa mistura dos dois. 

Minha relação com os japoneses daqui até então era muito pouca, porque meu pai é bastante fechado. Depois do concurso, me envolvi mais com as associações, as festas, a comunidade é enorme. É uma grande honra, minha avó se emocionou muito, chorou em ver que eu estava representando o país dela. Foi uma experiência única participar do concurso, fiquei surpresa em ganhar, porque meus olhos não são tão puxados, mas a experiência contou muito. 

Houve preconceito das concorrentes por isso?

Sim, percebi isso nos ‘bastidores’, mas tentei não levar muito em consideração. Havia alguns comentários sobre meus olhos, meu tom de pele, minha mistura, já esperava, o bom é que não interferiu na competição de verdade.

Pretende continuar conciliando as duas profissões?

Claro, acho que consigo numa boa. Já inclusive fiz trabalho de divulgação de uma marca de jalecos, juntando as duas coisas. No próximo ano, vamos viajar à Africa em um grupo de voluntários, vou continuar na odontologia também, mas sempre que tiver convite de outros trabalhos como modelo e tiver como fazer, ótimo.

Para acompanhar os trabalhos de Jaque, basta acessar seu Instagram, clicando aqui.  

 

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