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Após problemas de saúde, família realiza sonho de montar própria empresa de dentro do hospital

Cristiane ficou sete dias em coma e acordou quando o filho entrava para uma visita: 'ele ajoelhou chorando e disse que sabia que eu ia voltar'

16 JUL 2018
Dany Nascimento
11h44min
Foto: André de Abreu

Quando estavam prestes a montar o empreendimento próprio, após quase 25 anos trabalhando como empregados, o casal Nildo José Soares, 47 anos, e Cristiane de Cássia Brusamarello, 46 anos, se deparou com a morte rondando a família. Cristiane teve um problema de saúde, passou por duas cirurgias e ficou uma semana em coma.

Após os sete dias, Cris abriu os olhos no momento em que o filho mais velho, Caio Brusamarello, chegava para uma visita após ser orientado a se preparar para perder a mãe pelo próprio médico.

“Quando ele entrou no CTI, ele ajoelhou e falou “Eu sabia que você ia voltar”. Eu abri o olho, estava acordando, tinha uns dez aparelhos em mim. Eu não sabia onde eu estava e o Caio de joelhos. Na hora que eu abri o olho ele entrou com a minha mãe. Ele começou a chorar, eu não entendia. A enfermeira disse que eu estava no CTI, fiquei sedada. Dois dias antes deles tirarem o tubo, o Caio foi me visitar e a enfermeira falou que o médico queria falar com alguém da família, mas ele estava em cirurgia, ia demorar. O Caio ficou quatro horas esperando, quando o médico saiu, falou que eu estava começando a ter problema no rim e que tinha algumas horas para melhorar se não entraria com hemodiálise. Mandou meu filho ficar preparado porque eu poderia ir a óbito a qualquer momento”, conta Cristiane.

Ao receber a grande notícia de que a esposa acordou, após agradecer pela vitória alcançada, Nildo levou os papéis da nova empresa para Cristiane assinar no hospital, concretizando o sonho da família em ter o próprio empreendimento, especializada em móveis planejados.

Confira a entrevista completa:

TopMídiaNews: como vocês se conheceram?

Nildo José: foi através de amigos em comum, há 28 anos. Depois de um ano casamos, ela engravidou do nosso primeiro filho, o Caio. A vida era difícil, tinha que estudar, trabalhar, nosso primeiro filho veio de uma gravidez não programada. A Cristiane trabalhava como auxiliar de escritório e eu como revendedor. Por incrível que pareça, foi uma época muito boa ainda em relação ao salário. O Caio nasceu em uma época boa, mas montar uma casa e ter família é difícil, é algo caro em qualquer ponto do país.

TopMídiaNews: em que ramo o casal trabalhava antes de montar empresa própria?

Nildo José: trabalhei de empregado bastante tempo, fui gerente de uma empresa de caminhões. Em 2002, eu montei uma distribuidora de alimentos e uma distribuição de cosméticos, mas tínhamos um único cliente que era uma empresa que foi vendida, ai fechei em 2007 e voltei para o ramo de caminhões, fui ser gerente de uma outra empresa.

Cristiane Brusamarello: eu trabalhava como auxiliar de escritório, depois parei de trabalhar quando a Camila, nossa segunda filha nasceu. Depois voltei a trabalhar de novo como auxiliar financeiro quando ela completou dois anos. Foram mais seis anos, daí saí, fiquei um tempo sem trabalhar, depois entrei em outra empresa e, em seguida, fui gerente em uma ótica.

TopMídiaNews: vocês possuem curso de graduação em alguma área?

Nildo José: eu fiz 3 anos de economia, 3 anos e meio de administração e agora falta apenas um semestre. Parei no 4° semestre de relações internacionais. Quando você está trabalhando, a empresa te manda para um lado e você para, daí eu comecei a viajar e não parei. Depois fiquei parado 10 meses tentando mudar de ramo, aí fui trabalhar em uma empresa de móveis planejados, fiquei por dois anos, depois fui para outra empresa e fiquei por mais três anos. Depois disso, resolvemos montar a empresa em novembro de 2016, no pior momento da economia quando o país estava mergulhado em corrupção, crise, um rolo grande. Saí da empresa, abri CNPJ no final do ano.

Cristiane: eu estou concluindo o curso de estética.  

TopMídiaNews: vocês fizeram um planejamento para abrir a empresa?

Nildo José: se falar que foi planejado, ninguém abre uma empresa planejada, porque se você tem o capital, você não vai arriscar em uma economia louca como essa. Então empreendedorismo, essa grande novela. Você abre uma empresa por necessidade, porque nosso Estado tem a maior carga tributária.  Aqui estamos há quase dois anos e ainda não existe retirada, lucro tem, com os cargos de chefia e segurança eu ganhava muito mais, mas aqui estamos reinvestindo para que eu possa daqui uns três anos retirar alguma coisa.

É muito inseguro, dinheiro no caixa dá segurança, procuramos ter, mas quem menos retira somos nós. Pagamos os funcionários, mas ainda não fazemos essa retirada. Trabalhamos aqui na Idelli com projeto, serviço e produto. Montamos projetos de R$ 15 mil a uma casa de R$ 900 mil, é uma responsabilidade muito grande porque trabalhamos com sonho, você se envolve com isso. É diferente de outros seguimentos, aqui ficamos seis meses juntos, fazendo um trabalho bem gratificante. Não me arrependo.  

TopMídiaNews: o que aconteceu que quase impediu a abertura da empresa e quase separou o casal para sempre?

Cristiane Brusamarello: eu assinei os documentos do CNPJ no hospital. Decidimos em novembro, quando o Nildo chegou do Rio Grande do Sul decidindo a marca que íamos trabalhar na empresa nova. Ele chegou no hospital e me contou qual marca tinha escolhido. Há cinco anos fiz redução do estômago, como na correria de faculdade, casa, filho e marido, eu não estava me alimentando direito, sempre correndo. Quem faz redução tem que se alimentar certo, eu me alimentei mal durante dois dias, o intestino não funcionava direito e foi acumulando o alimento. Teve obstrução do intestino, parei no hospital entre a vida e a morte. Fui operada, depois de três dias, eu tive um outro problema no intestino, abriu um ponto. Fui de novo para centro cirúrgico. Nildo estava cumprindo aviso na empresa porque íamos abrir a nossa. Fiquei doente em novembro, fiquei 23 dias no hospital.

TopMídiaNews: quando o médico orientou a família sobre um possível óbito?

Cristiane Brusamarello: na segunda cirurgia, o médico chamou o Nildo e falou que eu não saia lá de dentro, porque eu tinha 10% de chance. As duas foram cirurgias com corte. Fui entubada, fiquei sete dias em coma.

TopMídiaNews: como foi quando acordou e viu seu filho com você?

Cristiane Brusamarello: quando eu acordei eu não sabia onde eu estava. O Caio veio de São Paulo, ia fazer um curso na França. Nildo ligou para ele pedindo para vir, mas ele tinha essa viagem para França. Quando eu fui para o CTI ele estava naquela de cancela ou não. No dia que eu acordei, o Caio estava indo me visitar, ele ia embora no outro dia para São Paulo novamente, porque depois de três a quatro dias ele ia para França. Ele falou que qualquer coisa ele não ia fazer o curso.  

Quando ele entrou no CTI, ele ajoelhou e falou “Eu sabia que você ia voltar”. Eu abri o olho, estava acordando, tinha uns dez aparelhos em mim. Eu não sabia onde eu estava e o Caio de joelhos assim, na hora que eu abri o olho ele entrou com a minha mãe. Ele começou a chorar, eu não entendia. A enfermeira disse que eu estava no CTI, fiquei sedada.

TopMídiaNews: quando o médico avisou a família sobre a gravidade do problema?

Cristiane Brusamarello: dois dias antes deles tirarem o tubo, o Caio foi me visitar e a enfermeira falou que o médico queria falar com alguém da família, mas ele estava em cirurgia, ia demorar. O Caio ficou quatro horas esperando, quando o médico saiu, falou que eu estava começando a ter problema no rim e que tinha algumas horas para melhorar se não entraria com hemodiálise. Mandou meu filho ficar preparado porque eu poderia ir a óbito a qualquer momento, ele disse que estava sendo sincero. Caio fez sinal para o médico não falar na frente da minha mãe, mas ele disse que não poderia esconder nada da família.  Meu filho falou que foi um fim de semana horrível, depois de dois dias ele chegou lá e eu voltei.

TopMídiaNews: o que o médico te disse após o período de coma?

Cristiane Brusamarello: no dia que eu saí do CTI, que eu fui para o quarto, estava esperando minha cunhada que ia me dar banho passou um médico, ele parou na porta do quarto, voltou e falou que estava em choque porque nessa hora ele viu que tomou a decisão certa quando decidiu me entubar porque não tinha vaga no CTI. Eles trouxeram o CTI para dentro do quarto para me cuidar, eles me salvaram três vezes. Eu agradeci, chamei ele para perto para agradecer, ele me mandou agradecer a Deus por ele mostrar a decisão certa, ele disse que não saia de casa sem dobrar os joelhos e que não andava sozinho.

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