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Projeto que mudou a vida de muitas crianças passa por dificuldade na Capital

O presidente da ONG afirma que já atendeu 3 mil crianças, mas hoje apenas 640 crianças e adolescente fazem parte das atividades das Obras Sociais Francisco Thiesen

21 MAI 2018
Dany Nascimento
13h59min
Foto: Wesley Ortiz

A vontade de fazer mais pelo próximo ‘gritava’ no coração de João Carlos da Rosa, 60 anos, que buscava um projeto diferente, que mudasse a vida de crianças carentes na Capital. No ano de 1996, acompanhado de um grupo de pessoas que pertenciam a um centro espírita, João começou a distribuir sopa na periferia, mas mesmo assim, ainda não tinha a sensação de que o dever e o sonho de mudar a vida do próximo estava sendo exercido com sucesso.

A criação de uma ONG (Organização Não Governamental), que atende pelo nome de ‘Obras Sociais Francisco Thiesen”, onde exerce a função de presidente, João começou a angariar parcerias e a ideia de oferecer atividades educacionais para crianças e adolescentes foi recebida de braços abertos por empresários e até mesmo a prefeitura da Capital se tornou parceira da Ong.

Mas, como nada é eterno, as parcerias foram diminuindo e o projeto que já chegou a atender 3 mil pessoas, hoje consegue prestar serviços apenas para 640. “Precisamos de apoio, não precisamos de dinheiro, precisamos de apoio. Se a prefeitura mandar profissionais para desenvolver trabalhos aqui, já ajuda muito, ajuda a mudar o futuro de muitas crianças carentes. Temos um educandário com 14 salas, seis são utilizadas, sendo quatro salas, refeitório e biblioteca. Livros coleção Osvaldo Cruz”.

Confira a entrevista completa:

TopMídiaNews: como nasceu o projeto?

João da Rosa: ele foi criado no dia 22 julho de 1996. Mas ganhamos o terreno em 1999, mudamos para cá, com o primeiro bloco que conseguimos terminar foi no comecinho do ano 2000. Ganhamos da prefeitura o terreno para realizar as obras Sociais Francisco Thiesen.  A ideia era atender crianças desde o maternal. Somos espiritas, começamos aqui  e nosso grande objetivo era fazer uma escola espirita para atender crianças carentes, escola desde o maternalzinho até o nível superior, isso consta tudo no nosso estatuto.

TopMídiaNews: como a Ong foi estruturada?

João da Rosa: fomos colocando em prático, construindo, na verdade saímos procurando tudo quanto foi tipo de ajuda, então para ter ideia, executamos projeto do Fat, demos curso de pedreiro aqui, junto com a comunidade. Fomos construindo várias salas, as pessoas foram aprendendo e fazendo. Também pedimos emendas parlamentares, fizemos projeto, uma sala que foi construída com recurso de um banco. A primeira parte que fizemos, como já tinha vivência dentro do movimento espirita, dentro de instituições, que tem o foco só religioso. O foco era fazer instituição diferente, que trabalhasse ação formativa, fazendo trabalho de prevenção a marginalização. É muito simples, desde que eu era jovem, eu tinha vontade de fazer algo em relação a sociedade. fazemos trabalhos sociais, como de servir sopa nas periferias, mas vimos que esse trabalho ele não resolvia o problema social, era uma vez por semana só, nós percebemos que a criança não tinha progresso moral, queríamos algo que mudasse isso. Nas instituições que eu trabalhava, eles não gostaram da ideia de criar essa escola, viemos para cá, pedimos terreno grande e organizamos o princila, que para construir uma obra social, precisaria ter organização de ONG, porque para captar os recursos tem que ter organização.

TopMídiaNews: quais atividades são oferecidas?

João da Rosa: tudo aqui é organizado por conselho, eu sou presidente do conselho das obras sociais, ele dirige, nomeamos diretorias, que montam conselhos. Tudo é discutido, tenho gente da comunidade que estava aqui, era assistida e faz parte do conselho superior. É organizado como uma instituição de defesa de direitos, nossa missão é trabalhar com a formação do homem de bem através da educação, conforme o estatuto.  


TopMídiaNews: qual foi o primeiro projeto realizado pelo projeto?

João da Rosa: foi sopa na rua, trabalho semanal apenas. Em 1997, já tinha alugado um barzinho, que fechamos e utilizamos projeto de contra turnos escolares, que é o reforço escolar trabalhando com 98 crianças. A partir de 1999 ganhamos terreno e continuamos construindo, isso com pessoas tendo curso de pedreiro e imediatamente ampliamos os projetos sociais, que passou a atender 120 crianças.

TopMídiaNews: como consegue pagar funcionários?

João da Rosa: fomos atrás de parcerias, que atende isso desde o início. Nos organizamos de forma transparente, registramos a constituição no conselho municipal de defesa da criança, no conselho de assistência social, pleiteando parcerias. Usamos os recursos que já existiam, fomos oferecendo instituição como parceiro na periferia. Na época, aqui era o local mais carente, tinha um volume grande de crianças. Aqui foi formado projeto de desfavelamento da prefeitura, que foi retirada das avenidas e amontando o pessoal para cá. Viemos aqui porque já fazíamos o trabalho de assistência em outras regiões, juntamos os grupos e formamos o Thiesen. Nos organizamos com tudo correto juridicamente para fazer parte da rede de assistência do município. Era um programa todo de parceria, construímos viveiro de mudas, demos curso de oficinas de educação ambiental, aquilo ali é continuidade do trabalho, foi crescendo, fomos ampliando.

TopMídiaNews: quais foram os primeiros resultados positivos do projeto?

João da Rosa: os investimentos de prevenção a marginalização diminuíram muito, eram 39 instituições em 2012, atendendo quase 3 mil crianças de 6 a 15 anos, que é a faixa que mais nos preocupa como voluntários da assistência social. Hoje, atende 640 crianças, com no máximo dez instituições, ou seja, aqui na região do Aero Rancho atendia quase 500 crianças, hoje não temos nenhum projeto junto assistência social do município e outras instituições foram cortadas também, não foi só o Thiesen. As crianças continuam por aqui, hoje atendemos 70 a 80 sem nenhum recurso do município.

TopMídiaNews: após a falta de parceria, inclusive da prefeitura, qual a realidade do local?

João da Rosa: o que caiu foi minha capacidade financeira de atender, o que estou procurando fazer é ter de novo recurso porque o projeto atendia muitas crianças, mesmo em situações mais precárias. Hoje, temos de 0 a 6 anos, quatro turmas em tempo integral que desenvolvem atividades da educação infantil, atividades lúdicas e de desenvolvimento como uma escola de educação infantil. Além disso, temos mais contra turno escolar, que hoje não é como antes que atendia de segunda a quinta todos os dias, o menino antes podia vim que tinha merenda e atividades programadas. Já oferecemos artes circenses, aula  Temos violão, flauta, canto e coral, artesanato com atividades manuais, uma turma de futsal e balé. Antes tinha muito mais, tinha ginastica artística,

TopMídiaNews: o que foi feito com o recurso do projeto Criança Esperança da Rede Globo no Thiesen?

João da Rosa: conseguimos um ano do criança esperança, construímos um estúdio aqui, compramos equipamento, mas teve dinheiro apenas para um ano com a contratação de técnicos e paramos.

TopMídiaNews: o que tem que fazer para gozar dos benefícios oferecidos pela lei rouanet?

João da Rosa: tenho que ir no empresário para doar 4% do seu imposto de renda a pagar, pensa numa coisa difícil para fazer. Eu to pedindo para ele parte do imposto a pagar, ou seja, o imposto que já está perdido, que ele tem que pagar. Ano passado fui na Águas Guarirobas, Sanesul, de tudo que procurei consegui ajuda do grupo Comper, que um amigo dele intermediou o contato. Um rapaz do Paraná que estava sabendo das dificuldades, que ajudou falando com ele. É um dinheiro que não sai do bolso deles, é imposto a pagar, é o lado bom da lei. Tem muitos empresários que doam para empresas de fora e não doam para o Estado. Agora estou pagando uma empresa de captação e quem sabe eles que são profissionais tenham mais sucesso.

 

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