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Enfermeira que enfrenta a selva política defende que mulheres é quem 'administram o mundo'

Agora, vereadora, há três décadas ela dedica as mãos para curar pessoas no setor de queimados da Santa Casa

8 MAR 2017
Liziane Berrocal
19h45min
Na Câmara, ela atua pela primeira vez como parlamentar Foto: Izaias Medeiros/Assessoria de Imprensa CMCG

Nos corredores da Santa Casa, a Cida, enfermeira atuou durante 28 anos. Há pouco mais de dois meses, ela assumiu uma cadeira na Câmara Municipal de Campo Grande. É só ela e mais uma companheira em plenário, já que a representatividade das mulheres ficou menor este ano na Capital.

Sempre disposta a conversar, a Enfermeira Cida foi um nome surpresa quando foi eleita. Sim, muita gente apostava que ela não conseguiria, afinal, dizem que política é para quem tem “histórico e tradição”. Nem isso foi suficiente, já que ela, já enfrentou um dos setores mais ‘punks’ da Santa Casa, o de queimados.

Cida, enxerga a mulher uma líder por natureza, e na sua visão, uma grande administradora. “Tenho uma visão progressista que também prega a igualdade de gênero. Vejo a mulher como líder por natureza, porque a mesma consegue administrar o lar, o trabalho e a vida social. E acredito que devemos ter maior participação de mulheres na política, pois só assim estaremos com os nossos direitos assegurados”, destaca a agora vereadora.

Selva política não assustou a mulher que defende saúde humanizada

E foi isso mesmo que a fez enfrentar a “selva da política” e disputar uma cadeira na Casa de Leis. “Ah, eu acredito em uma nova política uma vez que estamos buscando justiça social garantir aos necessitados o exercício do direito a saúde, educação e ao bem estar social”, diz num discurso até comum, mas a professora Cida, já que ela também dá aulas para cursos técnicos de enfermagem, acredita que o ser humano já nasce com instinto político, porém, precisa ser desenvolvido.

“Desde criança sempre participei de movimentos de base da igreja católica, de movimentos acadêmicos, e dentro da Santa Casa de Campo Grande atuando como enfermeira sempre defendi o trabalho de humanização, sempre tratei os pacientes como clientes. Mas oh, há uma explicação viu,  cliente é a palavra usada na medicina para quem confia sua saúde”, faz questão de explicar em outras palavras.

A história do menino queimado que virou advogado

E nessas três décadas de atuação, com certeza seus olhos já viram histórias e histórias que vão da tristeza a superação, mas uma lhe chamou atenção em especial. “Dentro das diversas histórias, que sempre lembro é um de jovem aos 16 anos que sofreu uma queimadura severa e perda de uma das pernas em um acidente de trânsito. Ele ficou meses internados, sofria muito achava que não poderia ter namorada, estudar, fazer o curso de Direito, que era seu sonho. oito anos se passaram ele foi nos visitar na Santa Casa com a esposa e o filho. Foi emocionante, porque ele foi todo feliz me disse que era advogado”, conta emocionada.

Pequenina e com um sorriso largo, os olhos atrás dos óculos, mostram que a mulher tem que pensar no futuro e que pode mudar a própria história, por isso, é tão importante ensinar o mesmo para as mulheres da família.

Educação é o caminho da independência, e isso ela ensina às filhas

Mas de duas mulheres, ela vê na educação e no estudo a forma de romper o ciclo de submissão da mulher. “Na verdade, eu imagino um mundo mais justo com as mulheres assumindo cargos de destaques e salários valorizados. Venho de geração que rompeu um ciclo, a minha mãe não teve oportunidade de estudar, com muito esforço e persistência conclui o curso superior de Enfermagem. Tive oportunidade de fazer algumas especializações podendo proporcionar a mesma oportunidade as minhas filhas, sendo uma estudante de Medicina e a outra de nutrição, ambas de um fruto de um casamento de 26 anos. Enquanto mãe quero  proporcionar a elas uma vida independente”, garante.

A pergunta que fica no ar sobre o que faria se fosse um homem, ela busca na memória a imagem de quem ama. “Se eu fosse homem, amaria as mulheres como eu gostaria de ser amada. Seguiria um exemplo do meu pai de caráter, de idoneidade e de provedor”, elogia.

Mas, os pacientes ouvidos que já ouviram muitos lamentos nos corredores de um dos principais hospitais do Centro Oeste, iria querer fazer a mesma coisa caso fosse presidente do Brasil por um dia. “Com certeza ouviria primeiro os anseios da sociedade, colhendo propostas para soluções dos problemas sociais adotando novas estratégias realmente eficazes para diminuir a desigualdade social e combater a corrupção”, garante a enfermeira, que agora está vereadora, mas que sabe que as mãos ainda curam. 

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