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Há dois anos sem ver as filhas, haitiano pede ajuda para reunir família em Campo Grande

Fanel decidiu deixar país em busca de melhores condições de vida, mas vive na esperança de completar seu lar

15 JUN 2017
Amanda Amaral
18h10min
Foto: Wesley Ortiz

Há pouco mais de dois anos, o haitiano Fanel Guerrier, 38, chegava ao Brasil. Após deixar sua terra, encontrou em Campo Grande um emprego e condições de sustento, mas a dura decisão o afastou das duas filhas, Mileidy, de sete anos, e Miphaélla, nove, que tenta reencontrar com a ajuda de uma campanha de arrecadação de fundos nas redes sociais.

Primeiro, ele conta sua história. Com quase nenhum dinheiro no bolso, dificuldades em entender o português – apesar de falar o crioulo, língua com similaridades de fala e escrita – e apenas a vontade de garantir dias melhores para si e a família, pois a situação política e econômica no Haiti era delicada, ele deixou a família no país da América Central até encontrar seu objetivo. Antes, morou por 14 anos na República Dominicana, chegou a tentar uma chance de trabalho na Bolívia, mas em 2014 começou os planos para a vinda ao Brasil, com a ajuda do cunhado, que já vivia na capital de Mato Grosso do Sul.

“A situação no país estava difícil, o desemprego muito grande. Meu cunhado chegou há cinco anos, viu que valia a pena, tomou gosto pelo lugar”, diz Fanel.  Com a ajuda dos pais, foi até o Equador em 2015, de onde pegou um ônibus para o Brasil, entrando pelo Acre, para então, muitas horas depois, chegar a Campo Grande. Quando chegou, foi direto fazer sua carteira de trabalho e começou a busca por uma oportunidade, começando pela construção civil.

Hoje, com emprego fixo como estoquista e o documento assinado, está em situação regularizada no país e paga todas as despesas e aluguel das filhas e o da casa em que vive com a esposa, Rosemene Joseph, 31, que conseguiu vir ao Brasil em 2016. Ela trabalha com serviços gerais de uma empresa e chora muito com saudade das meninas, pois contato é mantido por telefone apenas, ainda que diariamente.

Fanel explica que, para o reencontro acontecer, com a vinda delas para o Brasil, o custo é muito alto. Elas precisam adquirir visto e passagens, trâmite que, ao todo, deve custar aproximadamente R$ 15 mil. No total, são quatro bilhetes, já que a mãe Rosemene tem de ir buscar as crianças. “Elas têm muita vontade de vir, ficam ansiosas, porque eu conto como é, como pode ser a vida delas. Aqui gosto de tudo, todo mundo é ‘boa pessoa’, nunca tive nenhum problema, todos falam comigo com carinho, fiz amigos”, conta.

Apesar de ter feito de Campo Grande seu novo lar, a saudade do Haiti nunca vai deixar de existir. “Eu não vou falar que nunca vou voltar. Minha família está lá, é o meu país, mas para morar... Infelizmente é difícil. Lá, quando saí, estava tudo muito instável e devagar, um mês você tinha serviço e no outro não”, lamenta, relembrando que a situação ficou ainda mais complicada após o terremoto que assolou o país, em 2010.

O gerente da empresa Saldão Pisos e Revestimentos, onde Fanel trabalha e que o ajudou na elaboração da campanha, Willian Velasque, 28, fala sobre o colega. “Ele é muito esforçado, aprendeu a falar português rapidamente, é um cara querido. Ficamos sensibilizados com essa situação e estamos fazendo uma campanha de arrecadação de dinheiro para ajudá-los, pois sabemos que o custo é muito alto só para eles”, conta.

Ajuda

Quem puder contribuir com qualquer quantia pode fazer depósito na conta poupança da Caixa Econômica Federal em nome de Fanel Guerrier (CPF 703.298.622-60):

Agência 2112

Conta n. 4133-1, operação: 013

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