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Mestre de obras, Nair mostra que construção civil é lugar de mulher, mas sofre com machismo diário

Nair é mestre de obras há 29 anos e destaca que as pessoas ignoram seu trabalho por não confiarem em uma mulher no cargo

3 DEZ 2018
Dany Nascimento
14h03min
Foto: André de Abreu

O reconhecimento profissional é parte essencial na vida de todo ser humano, mas é o lado mais triste da mestre de obras Nair Sanches, 49 anos, moradora do bairro Mata do Jacinto, em Campo Grande. Lágrimas escorrem pelo rosto da profissional ao lembrar do preconceito que encontra ao se dedicar na construção de casa e prédios.

Ela destaca que o machismo é muito grande quando é chamada para orçar uma obra, seja na construção de imóveis e até mesmo para atuar em pequenas reformas. “Normalmente o metro da obra custa R$ 780, mas como sou mulher, querem pagar mais barato. É triste ver isso, é triste ver que meu trabalho não é reconhecido porque eu sou mulher. Sempre trabalhei na construção civil, mas querem me pagar R$ 450 o metro. Ninguém cobra isso”.

Nair explica que nasceu no Paraná e, desde pequena, se dedica a serviços pesados. “Eu sempre fiz serviços pesados, sempre fui muito apegada ao meu pai, laçava boi, ajudava no que conseguia. Me casei com um japonês, fui para o Japão e não me adaptava ao serviço que consegui porque era leve. Até que eu fui conversar com o dono da empresa e pedi para ele me colocar na construção civil e dar a vaga daquele emprego para meu marido, que tinha ficado no Brasil porque já tinha uma idade avançada e não conseguia emprego. Ele levou meu marido para o Japão, ocupou a minha vaga e me deixou trabalhar na construção civil”.

A mestre ressalta que atuava em obras no Paraguai, mas há quatro anos passou a viver em Campo Grande e pensa até mesmo em abandonar a cidade. “Eu penso até em mudar daqui porque, em quatro anos, eu peguei apenas seis construções de casas. É triste ver isso, eu me dedico ao que faço, trabalho tão bem quanto um homem. Faço a planta no papel, depois transformamos ela em imagem 3D e apresento ao cliente. Eu levantei uma varanda por R$ 7 mil, se fosse um homem, pagavam R$ 15 mil”.

Chorando, Nair relembra que desenhou uma casa recentemente para um cliente, que simplesmente desistiu de fazer a obra e disse que procuraria o serviço de um homem. “Eu fiz o projeto em 3D do jeito que ele queria, apresentei para ele. Mandei pelo celular, ele me respondeu que ia ver, porque estava pensando em procurar o trabalho de um homem. Eu passei um dia inteiro fazendo para ele o projeto da casa, para ouvir isso. É triste demais, ele disse que ia ver orçamentos mais baratos, mas ninguém cobra R$ 450 o metro, não existe isso”.

Ao falar de um futuro melhor, Nair sonha em encontrar clientes que apostam na sua capacidade e dedicação. “Eu fiz curso no Japão, fiz curso aqui porque eles não queriam reconhecer o de lá. Eu me dedico ao máximo e sou tão responsável quanto os homens, basta olhar para os meus trabalhos”.

Para contratar Dona Nair ligue 67 – 999960421.

André de Abreu

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