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Para ressocialização, presos em MS trabalham de reformas em escolas até redes de fast-food

Até agora, oito unidades educacionais foram revitalizadas com mão de obra presidiária

4 DEZ 2017
Thiago de Souza
14h42min
Presos atuam também em reforma de escolas Foto: Agepen

Muita gente não sabe, mas provavelmente já consumiu um produto ou serviço feito por presidiários, atendidos em programas de ressocialização no Estado. De 14.920 presos em MS, 4.677 trabalham em serviços que vão desde reforma de escolas até produção de alimentos em rede de fast-food.

A massa carcerária atua em 163 empresas conveniadas, dos mais variados ramos de atividade e  representam 34,08% do contingente preso. Os trabalhos são desenvolvidos em 17 cidades de MS que têm estabelecimentos penais, seja nos regimes fechado, semiaberto e/ou aberto.

Entre as atividades desenvolvidas pelos presos mais conhecidas do grande público está a reforma de mesas e cadeiras para escolas e confecção de bolas de futebol. Mas há muitas outras, como serigrafia, descasque de mandioca, panificação e até trabalho como garçom.

Destaque

Em Campo Grande, um programa que ganhou destaque foi o Pintando e Revitalizando a Educação com Liberdade. Conforme a Agepen (Agência Estadual de Administração Penitenciária de Campo Grande), até o momento são oito escolas reformadas usando mão de obra presidiária. Além de promover economia de R$ 4 milhões aos cofres públicos, há ganhos para a educação e ressocialização do preso.

Na Escola Estadual Alice Nunes Zampiere, na Vila Almeida, os trabalhos foram executados por 25 detentos do regime semiaberto, cumprindo o  projeto de reforma elaborado pela Secretaria de Educação. O valor total foi de R$ 360 mil, o que representa um custo de apenas R$ 151,00 por metro quadrado.

Desse custo total, o Estado arca com o salário dos presos, pagos pela Secretaria de Educação (SED), que também proporciona o transporte dos trabalhadores. Já o valor do material, orçado em R$ 310 mil, foi totalmente pago pelos detentos, a partir do dinheiro arrecadado do desconto de 10% do salário de todos os presos que trabalham na Capital.

(Reparo de cadeiras de rodas também é feito por detentos - Foto: Sejusp)

Emprego de serviços gerais e produção de refeições é o mais realizado nas empresas que aceitam receber mão de obra de reeducandos. Em Campo Grande, uma rede franquia de comida árabe conta com sete trabalhadores, que auxiliam na fabricação dos alimentos.  

Em Paranaíba, por exemplo, segundo a Agepen, 16 reeducandos trabalham como auxiliares na fabricação de componentes eletrônicos.  

Esperança

O interno Ricardo Alexandre Silva Galhardi trabalhou como pintor na obra da 5ª escola do Pintando a Educação com Liberdade. Ele relata que o trabalho é a possibilidade de mostrar para a sociedade a mudança.

“Realmente queremos uma oportunidade de mostrar nosso trabalho e deixar para essas crianças e adolescentes das escolas que reformamos o nosso exemplo, para que não passem pelo o que nós passamos”, disse.

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