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Em forma de Disco Voador, Guanandizão já foi palco de Xuxa, Maguila e saque Jornada nas Estrelas

Histórias são contadas a partir das memórias de Arlindo Florentino, repórter esportivo há quatro décadas

6 AGO 2018
Dany Nascimento
10h43min
Foto: PMCG

Trabalhando na Capital há quatro décadas, Arlindo Florentino, 61 anos, deu os primeiros passos no jornalismo como repórter esportivo e recebe a notícia da reforma do ginásio Avelino dos Reis, o Guanandizão, de braços abertos. Com anos na área, ele relembra grandes jogos, atrações recordes de público e a expectativa para o estádio, que marca a história de Campo Grande.

Florentino relembra que, ao ser construído, o Guanandizão deixava muitas pessoas impressionadas por conta de seu formato diferenciado. “Ele foi construído em um ponto considerado loucura, porque era um ponto isolado, não tinha nem asfalto para chegar e o formato dele também impressionou porque ele parecia um disco voador, chamou muita atenção, e a atração começou por aí. Começaram a acontecer os eventos, que a princípio era esporte, teve Brasil e Estados Unidos no Vôlei na década de 1980”.

Para Arlindo, a disputa entre Brasil e Estados Unidos foi uma das mais importantes, com sensacional saque ‘Jornada nas Estrelas’ do atleta brasileiro Bernard. “Na disputa, a atração era o Bernard, que tinha o saque jornada nas estrelas. O Guanandizão dava condição para ele dar esse saque, ele batia a bola para cima que ia até o teto e voltava com efeito, então isso enganava os adversários. O ginásio favorecia para essa jogada e isso para a seleção brasileira também foi bom. Conseguimos bons resultados. Tivemos jogos de futsal, basquete e todos eles com grande público”.

Mas ao falar dos momentos de casa lotada, o repórter traz na lembrança grandes shows nacionais. “Acredito até que os maiores públicos foram com shows, não foram nem com esporte. Ali teve show dos Menudos, Xuxa, acho que foi uma premonição porque, na época, ela não tinha nave ainda e fez show lá, no local que parecia uma nave espacial. O último agora foi do Roberto Carlos, mas o local já estava deteriorado”.

Além disso, Arlindo carrega na memória a presença de uma das grandes estrelas do box, José Adilson Rodrigues dos Santos, mais conhecido como Maguila. “Ali tivemos luta de box, veio Maguila, tenho boas lembranças, trabalhei muito ali. Tinha taça canarinho ali, era transmitido ao vivo pela televisão e, para o aspecto regional, foi muito bom porque todo mundo queria jogar no Guanandizão. Tinha campeonato na escola e a final era lá, os alunos ficavam animados com isso. O jogo mais importante foi Brasil e Estados Unidos, marcou no Voleibol e também o box. A vinda do Maguila, quando a Bandeirantes transmitia ao vivo. Isso chamou a atenção para a Capital e o ginásio lotou”.

Ele acredita que a reforma completa do ginásio pode proporcionar a realização de grandes eventos, mas não oferece mudança no esporte local. “Lembro que as obras anunciadas no Guanandizão foram maquiadas, não foi aquela reforma de trocar telhado, tiravam goteira, tapavam buracos. As reformas até agora eram maquiagens, fazia reforma depois de alguns anos ficava deteriorado de novo. Passando por essa reforma eu acredito que pode proporcionar a vinda de grandes eventos, um exemplo, se a Seleção Brasileira disputar amistoso, pode jogar aqui. Mas no esporte local, eu acredito que fica estagnado. Teremos condições de ter grandes eventos, atração a mais para a população porque em termos de esporte não temos praticamente nada. Morenão não tem condições de receber um grande jogo de futebol”, afirma Arlindo.

Ao falar do esporte local, o jornalista ainda lamenta a falta de desenvolvimento de Mato Grosso do Sul na área. “O Esporte de forma geral no Estado, principalmente em Campo Grande, caiu. Hoje não temos representação nacional. Eu sou contra a participação do Estado no esporte, eu acho que se alguém vai colocar um time para disputar campeonato tem que ter estrutura, patrocínio de empresa privada. Existe um círculo vicioso, as pessoas não vão no ginásio porque não tem atração, aí os diretores dos clubes alegam que não contratam atrações porque não dão renda. Um fica esperando o outro e nada é resolvido. Agora, por ser um local público, na obra em si, eu acredito que tem que ter responsabilidade para investir e incentivar a criação e o surgimento de clubes”.

Foto: André de Abreu

Ele destaca que, com a reforma, a prefeitura tem que começar a pensar no que pode ser feito no entorno do Guanandizão. “Acredito que teria que dar atenção especial para o entorno, não adianta ter um local excelente e não dar condição para a pessoa chegar ali. Acredito que isso é outra coisa a ser pensada, faz falta essa condição para as pessoas chegarem lá e também a parte externa. A reforma é interessante, vai ser boa”.

Obra

A reforma do ginásio foi lançada no dia 1° de agosto pelo prefeito Marquinhos Trad, ao lado do diretor da Funesp (Fundação Estadual do Esporte), Rodrigo Terra. Serão investidos R$ 2,3 milhões para recuperação do sistema elétrico, hidráulico, troca do piso da quadra poliesportiva, reforma das calçadas e reparos no teto da estrutura. Do total, R$ 2,1 milhões são do governo estadual e R$ 238 mil de contrapartida municipal.

As quadras externas também serão revitalizadas e a arena esportiva vai ganhar cerca nova. A expectativa é de que todo o processo, assim que licitado, seja concluído até agosto de 2019.

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