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Aloysio Nunes nega saída do governo e diz que Aécio ainda é presidente do PSDB

Aécio foi citado pelo empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS, na delação premiada homologada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin

18 MAI 2017
Agência Brasil
16h34min

Terminou há pouco a reunião da cúpula do PSDB na residência do senador Aécio Neves (MG), em Brasília. Ao deixar o encontro, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, negou que Aécio tenha sido destituído da presidência do partido e que o PSDB esteja, neste momento, "desembarcando" do governo.

Aécio foi citado pelo empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS, na delação premiada homologada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. Segundo o jornal O Globo, que afirma ter tido acesso ao depoimento de Joesley, o delator contou aos procuradores que Aécio lhe pediu R$ 2 milhões para pagar despesas com sua defesa na Operação Lava Jato. Nesta quinta-feira, Fachin negou o pedido de prisão preventivas do senador, mas determinou o afastamento dele do mandato.

Segundo Nunes, a saída de Aécio da presidência do PSDB sequer foi discutida na reunião e caberá ao senador a decisão de licenciar-se ou não. "Esta é uma prerrogativa do senador Aécio Neves, é uma prerrogativa inclusive regimental dele de, no caso de licenciar-se, indicar seu substituto", disse. O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), que participou do encontro na casa de Aécio, foi sugerido pela bancada do partido na Câmara para assumir a presidência do PSDB caso o senador deixe o posto.

Aloysio Nunes negou também que o partido vá deixar a base do governo e entregar seus cargos. Ele afirmou que continua ministro. "Nós esperamos um esclarecimento desta situação. Por enquanto, nós não temos sequer o conhecimento dos áudios e dos vídeos. É preciso que isso venha a público. Por enquanto, o que nós temos são fragmentos, transcrições e eu penso que essa questão não pode continuar assim. É preciso que o STF libere, o quanto antes, para que nós possamos ter a inteireza de todas as informações", disse.

Fachin decidiu hoje abrir inquérito para investigar o presidente Michel Temer. A medida foi tomada a partir das delações premiadas dos empresários Joesley Batista e Wesley Batista, donos do grupo JBS. Segundo reportagem do jornal O Globo, em encontro gravado em áudio pelo empresário Joesley Batista, Temer teria sugerido que se mantivesse pagamento de mesada ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha e ao doleiro Lúcio Funaro para que estes ficassem em silêncio.

Solidariedade

Além de Nunes e Sampaio, participaram do encontro na casa de Aécio os senadores tucanos Cássio Cunha Lima (PB), Antonio Anastasia (MG), José Serra (SP) e Paulo Bauer (SC).  Eles disseram que foram prestar solidariedade ao senador. "Viemos prestar nossa solidariedade e confiança nele, com a certeza de que ele vai demonstrar fatalmente a lisura de suas ações. Estamos chocados com a violência de algumas medidas que foram tomadas, como por exemplo a prisão de sua irmã [Andrea Neves] e o senador vai recorrer de todas as medidas que foram tomadas contra ele", disse Nunes

Câmara

Na manhã de hoje (18), a bancada do PSDB da Câmara se reuniu no gabinete da liderança do partido para discutir a repercussão das denúncias veiculadas contra Aécio Neves.Segundo o líder do PSDB na Câmara, deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP), durante a reunião a bancada decidiu indicar o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) para ocupar interinamente o cargo de presidente do partido, se Aécio pedir licença do cargo.

O líder do PSDB na Câmara, deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP), reforçou o entendimento de que é preciso ter acesso à “materialidade da investigação” das denúncias apresentadas contra o presidente Michel Temer para que o partido possa se poscionar. Segundo ele, se as denúncias forem confirmadas, o PSDB pode deixar a base do governo. “Se essa investigação vier corroborar, ou seja, vier complementar ou tiver procedimento, a bancada federal do PSDB solicita aos ministros do PSDB que saiam do governo. Esta foi a decisão da bancada do PSDB. Acredito que é a decisão mais acertada.”, relatou.

Sobre a proposta de o Congresso Nacional aprovar uma emenda à Constituição que permita a convocação de eleições diretas em caso de vacância do cargo da presidência da República, o deputado Trípoli disse que o partido defende a manutenção da Constituição. Pelas legislação atual, se o presidente da Republica renúncia ou é declarado impedido, o Congresso deve convocar eleições indiretas para eleger um presidente interino.

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