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Preço alto dos destinos pantaneiros espanta turistas sul-mato-grossenses

Clientes da Capital preferem cidades menos populares e/ou gastar menos no Nordeste

15 ABR 2018
Bruna Vasconcelos
07h00min
Região pantaneira é a escolhida somente por público de fora do Estado Foto: Wesley Ortiz

Se o ditado popular diz que “santo de casa não faz milagre”, a afirmação vira regra quando o assunto é turismo em Mato Grosso do Sul. Considerado pela Revista Viagem durante 14 vezes o melhor destino de ecoturismo do país, Bonito atrai visitantes de todos os cantos do Brasil, exceto os próprios moradores do Estado.

Unânimes entre as agências de viagem da Capital, Bonito e Pantanal são os destinos procurados durante todas as temporadas do ano por diferentes perfis de turistas brasileiros. Já quem mora em Campo Grande, na maioria das vezes, prefere um local menos popular para os passeios com a família e amigos. 

Samara Clarete, de 22 anos, apesar de jovem, costuma escolher os municípios mais calmos para o lazer no interior. Adepta da pesca,  a garota diz que Piraputanga e Palmeiras são os lugares que ela e a família escolhem para visitar, ao menos, uma vez por mês. 

A jovem ainda relata que os momentos nas cidades do interior são maravilhosos, mas a falta de oportunidade é um empecilho para quem deseja mudar de município. Lucas Morais concorda com a opinião da namorada. Para o entregador, que viaja três vezes na semana a trabalho, o alto custo impossibilita que grande parte da população frequente os célebres pontos do Estado como Bonito, Bodoquena e Pantanal.

Nem mesmo os poucos quilômetros que separam os moradores sul-mato-grossenses dos principais destinos de ecoturismo do país são suficientes para a escolha ser estadual. Em uma das principais agências da Capital, o carro-chefe dos pacotes é o que oferece dias de lazer no interior pantaneiro.

Alessandra Leite Duailibi, consultora de viagens, relata que a procura é grande pela aquisição dos serviços de transporte, hospedagem e passeio em Bonito durante a alta temporada, de novembro a fevereiro. Os clientes, segundo ela, vão desde famílias inteiras que se programam durante todo o ano até os mochileiros que buscam aventuras.

O valor é fator fundamental na hora da escolha do roteiro. Porém cerca de 99% dos consumidores são dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro e, por este motivo, não cortam do programa as atividades mais procuradas como flutuação, focagem noturna e passeio de chalana.

O público-alvo muda na Agência quando o conteúdo é praia. Os moradores da Capital preferem pagar um preço mais barato e ir para o Nordeste ou Sul do que desembolsar praticamente o dobro pela mesma quantidade de dias no interior do próprio Estado.

Supervalorizados, Bonito e Pantanal são conhecidos pela população vizinha apenas pela televisão e jornais. Sem qualquer tipo de ação para o turismo voltado aos habitantes da região, muitas vezes os próprios bonitenses nunca visitaram os cartões postais do município.

“As belezas naturais atraem os turistas de todos os cantos do país, principalmente dos grandes centros. O preço dos pacotes este ano continua o mesmo que dos anos anteriores e também não registramos queda nas vendas, mas a população daqui ainda é resistente em optar pelos destinos do próprio estado”, afirma a consultora.

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