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Após morte de colega, policiais civis do ES também decidem paralisar serviço

Polícia Civil já havia orientado os policiais, em comunicado, para que não atuassem no patrulhamento que deveria ser feito pela PM

8 FEV 2017
Uol
14h24min
Foto: Divulgação

Os policiais civis do Espírito Santo decidiram, em assembleia realizada nesta quarta-feira (8) em Vitória, cruzar os braços em protesto pela morte de um policial em Colatina, no interior do Estado, na noite desta terça (7).

De acordo com Junior Fialho, diretor do Sindicato dos Investigadores, a princípio a categoria ficará de braços cruzados até a meia-noite. Até lá, apenas casos flagrantes serão atendidos. Após a assembleia, os policiais civis fizeram uma caminhada até o quartel onde familiares impedem PMs de sair para as ruas.

Aos gritos de "Hoje a polícia do ES é uma só", os agentes chegaram aplaudindo a paralisação. "Nós vamos parar hoje em protesto pela morte do Marcelo e pelo descaso do governo com a Polícia Civil. Temos várias pautas, a reposição salarial e de efetivo, principalmente, mas, hoje, paramos pelo Marcelo."

Na terça, o policial Mário Marcelo de Albuquerque tentou evitar um roubo de motocicleta e morreu durante troca de tiros. Este é o primeiro policial morto desde que se instalou uma onda de insegurança no Estado, com a paralisação das atividades da Polícia Militar, no último sábado (4).

Segundo informações do sindicato, Albuquerque estava a trabalho na região de Colatina para fazer diligências da DHPP (Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa) de Vitória.

No fim de semana, a Polícia Civil já havia orientado os policiais, em comunicado, para que não atuassem no patrulhamento que deveria ser feito pela PM e que não colocassem as vidas em risco.

Ao UOL, o governo capixaba disse que a Sesed (Secretaria de Segurança e Defesa Social) iria se pronunciar. Até o momento, a secretaria não atendeu os contatos da reportagem.

Entenda a crise no Espírito Santo

No sábado (4), parentes de policiais militares do Espírito Santo montaram acampamento em frente a batalhões da corporação em todo o Estado. Eles reivindicam melhores salários e condições de trabalho para os profissionais.

A Justiça do Espírito Santo declarou ilegal o movimento dos familiares dos PMs. Segundo o desembargador Robson Luiz Albanez, a proibição de saída dos policiais caracteriza uma tentativa de greve por parte deles. A Constituição não permite que militares façam greve. As associações que representam os policiais deverão pagar multa de R$ 100 mil por dia pelo descumprimento da lei.

A ACS-ES (Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar do Espírito Santo) afirma não ter relação com o movimento. Segundo a associação, os policiais capixabas estão há sete anos sem aumento real, e há três anos não se repõe no salário a perda pela inflação.

A SESP (Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social) contesta as informações passadas pela associação. Segundo a pasta, o governo do Espírito Santo concedeu um reajuste de 38,85% nos últimos 7 anos a todos os militares e a folha de pagamento da corporação teve um acréscimo de 46% nos últimos 5 anos.

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