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Camisa ensanguentada de Valdemiro é usada para ‘curar’ fiéis

Na TV Bandeirantes, Santiago chegou até a fazer brincadeira com o ataque, dizendo que vai criar agora a “fila do açougue”

11 JAN 2017
Veja
08h26min

A câmera de televisão dá um zoom no pescoço do pastor Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus. Ele arregaça a gola e mostra o curativo da facada que levou durante o culto de domingo de manhã. “Imagina um facão com toda a força batendo sobre a sua jugular”, diz. Sentado numa bancada ao lado da esposa, a bispa Francileia Santiago, o religioso anuncia que a camisa que vestia na hora do ataque já serviu até para “curar” fiéis. Nas imagens, um membro da igreja aparece esfregando-a em um manto.

“Passaram até a camisa ensanguentada no manto. Quando ela [a fiel] tocou no manto, ela aplumou. Foi curada. O demônio fez o serviço dele, mas acabou dando o contrário. No acerto de contas com o diabo, foi assim: ‘E aí, como é que foi com o Valdemiro? O saldo foi negativo. Porque teve até gente que saiu curada'”, diz o pastor autointitulado apóstolo no canal de TV da igreja. “A unção está na nossa roupa, no nosso copo, no nosso relógio, na nossa aliança, no nosso chapéu, no nosso sangue”, explica, fazendo a ressalva de que o poder vem de Deus e não dele.

No domingo, enquanto ele distribuía bênçãos aos fiéis na chamada “imposição de mãos”, o ajudante-geral Jonathan Gomes Higino, de 20 anos, aproximou-se dele e o golpeou com um facão no pescoço. Jonathan foi detido em flagrante e teve a prisão preventiva decretada pela Justiça. O pastor foi levado ao Hospital Sírio Libanês, onde levou 25 pontos, e recebeu alta após passar menos de seis horas internado.

Na TV Bandeirantes, Santiago chegou até a fazer brincadeira com o ataque, dizendo que vai criar agora a “fila do açougue”. Para ele, ontem foi definitivamente um “dia de azar”. Despencou até da maca quando era encaminhado ao hospital. “Eles me deixaram cair da ambulância com a cabeça no chão. Eu estava com um azar aquele dia”, completou, aos risos. 

Em entrevista a VEJA, o pastor Jorge Pinheiro, que assumiu temporariamente o comando da Poder de Deus, disse que a camisa ensanguentada de Santiago não seria utilizada para “fins simbólicos”, mas que foi guardada “pela importância do que aconteceu”.

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