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Em um ano, governo federal gastou R$ 82 milhões com flores e jardins

R$ 1,625 milhão são para a compra de arranjos florais, sementes e insumos, e quase R$ 300 mil apenas aos enfeites de cerimônias

15 ABR 2018
Correio Braziliense
15h44min
Foto: Ilustração/Planalto

A administração pública federal gastou, ao menos, R$ 82 milhões em 2017 para comprar flores e cuidar dos jardins dos órgãos públicos. De acordo com dados obtidos da ONG Contas Abertas, cerca de 98% disso é por conta do serviço de jardinagem contratado pelos três Poderes. Do total, R$ 1,625 milhão são despesas para a compra de arranjos florais, sementes e insumos, sendo quase R$ 300 mil destinados apenas aos enfeites de cerimônias e eventos.

Mesmo que indispensável, o gasto com jardinagem é expressivo no país e pode ser ainda maior, porque muito do que é executado e pago pelas instituições públicas com o serviço está misturado com outros tipos de trabalho, como recepcionista, copeiragem, eletricista e outros. O economista Gil Castello Branco, secretário-geral da ONG Contas Abertas, explica que “ninguém é contra a manutenção do gramado, plantas ou flores”, mas é uma questão de se ter compatibilidade com a austeridade que o país enfrenta.

“Se acabarmos com esse gasto, não resolveremos o problema do deficit nas contas públicas, mas não quer dizer que não se possa fazer algo. Reduzir despesas é um exemplo que as autoridades federais dão para as instâncias inferiores, de que é preciso racionalizar e economizar. Sempre é possível reduzir”, diz o especialista.

A reportagem conversou com especialistas que defendem a necessidade de instituições dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário demonstrarem austeridade nas despesas. Bolívar Godinho, professor de finanças, explica que é preciso fazer, por exemplo, uma revisão frequente dos contratos de jardinagem.

“Os gestores precisam comparar quanto os outros órgãos estão gastando e quanto é pago no setor privado. Até porque, o setor público pode estar custeando um valor mais elevado. E, em alguns casos, o serviço prestado não está em termos corretos de área, atendimento, números de funcionários. Isso precisa ter um controle mais reforçado”, sugere.

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